A XXIII Copa do Mundo chegará, no próximo final de semana, ao seu final, registrando momentos marcantes para a história do futebol: as despedidas do português Cristiano Ronaldo, do croata Luka Modric, do inglês Harry Kane e do brasileiro Neymar Júnior (a mais melancólica das três); a honrosa participação da seleção de Cabo Verde, liderada pelo extraordinário goleiro Vozinha; o maior número de gols marcados por um atleta em todas as Copas, caso do argentino Lionel Messi, que este ano também se despediu; e para nós, infelizmente, a eliminação, ainda nas oitavas de final, da nossa Canarinha, (ainda) a única pentacampeã mundial.
Perdemos para a Noruega de Erland Haaland, o jovem, frio e eficiente atacante que liderou a atuação da equipe nórdica diante de um apático escrete brasileiro que não aproveitou as oportunidades que teve para dar outro final à partida. Perdemos para a nossa própria incompetência de transformar um pênalti em gol e, em outro momento, de colocar para dentro das redes do goleiro norueguês, pelos pés do ainda muito jovem atacante Endrick, o primoroso passe recebido de Vinicius Júnior. Não é preciso mais abordar o assunto, acrescentando, apenas, que o Brasil se desarticulou em campo e também psicologicamente, ao ser fulminado pelos dois gols de Haaland.
Estamos, agora, de volta ao começo. Terminou, definitivamente, o ciclo de Neymar como o atleta para quem estava dirigido o foco das atenções. Sua participação reduziu-se ao gol de honra, de pênalti, marcado contra a Noruega, e às provocações trocadas com o arqueiro Orjan Nyland antes da cobrança. Lamento pelas gerações mais jovens, que hoje, 24 anos após a conquista de nosso quinto e último título mundial, ainda não viveram a emoção de comemorar uma nova Copa do Mundo.
Muito será necessário nessa reformulação da Seleção Brasileira. O técnico italiano Carlo Ancelotti, cuja contratação pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi bastante criticada pelos treinadores nacionais quando foi anunciada, terá muito a fazer. Uma verdadeira revolução terá que acontecer para que retomemos o caminho das grandes vitórias,para que o Brasil volte a ser respeitado e temido em campo, coisa que, pelo visto, não mais acontece.
Além da mudança de quase todos os nossos jogadores, a Canarinha precisará de profundo trabalho motivacional e psicológico, extirpando também as más influências de empresários e patrocinadores que, direta ou indiretamente, têm, sim, interferido nas participações do Brasil. E que se recupere também o espírito do amor à camisa, da “garra”, da aplicação que vimos, na prática, em outras seleções participantes desta atual Copa do Mundo.
Será preciso, mesmo, voltar ao início, reconstruir o selecionado nacional sob todos os aspectos, trabalhar não só os corpos, mas as mentes dos futuros atletas que dele farão parte. De outra forma, outros vexames virão. A “pátria de chuteiras”, hoje ferida e decepcionada, ainda tem esperança em dias melhores!