Como cuidar do paciente conectado à internet?

Chegar à consulta com informações não é necessariamente um problema. Na verdade, o desafio está em diferenciar informação de conhecimento, e conhecimento de orientação adequada para aquele indivíduo e o quadro apresentado

Escrito por Izabela Parente producaodiario@svm.com.br
03 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: Presidente da Associação Médica Cearense

A medicina sempre foi construída a partir do diálogo. Antes de qualquer exame ou prescrição, existe uma relação fundamental entre duas pessoas: o médico e o paciente. Essa relação, porém, mudou. Hoje, antes mesmo de entrar no consultório, o paciente pode ter pesquisado sintomas, comparado diagnósticos, consultado sites de busca, assistido a vídeos e conversado com ferramentas de inteligência artificial.

Ter acesso à informação pode fortalecer a autonomia, ampliar o conhecimento do indivíduo sobre a própria saúde e estimular uma participação mais ativa nas decisões relacionadas ao tratamento. Chegar à consulta com informações não é necessariamente um problema. Na verdade, o desafio está em diferenciar informação de conhecimento, e conhecimento de orientação adequada para aquele indivíduo e o quadro apresentado.

Em apenas uma pesquisa, o paciente pode, em poucos segundos, ter acesso a dezenas de possibilidades para um determinado sintoma, com a inteligência artificial reunindo informações e sintomas. Entretanto, nenhuma ferramenta conhece, por completo, o histórico médico, exames, medicamentos ou condições sociais em que aquele paciente se encontra.

Segundo estudo feito pela plataforma Ola Doutor, cerca de 7 em cada 10 brasileiros recorrem ao uso de IA para pesquisar doenças e sintomas, realidade que demonstra o extremo vivenciado em consultórios brasileiros. De um lado, o paciente que chega com informações relevantes, perguntas pertinentes e vontade de compreender a sua condição. De outro, aquele que chega convencido de um diagnóstico encontrado em uma busca na internet, ou influenciado por conteúdos que apresentam como verdade aquilo que não possui respaldo científico. O médico precisa estar preparado para lidar com ambas as situações, sem desqualificar a busca por informação de forma autônoma por aqueles pacientes que buscam compreender de forma superficial seu estado, acompanhados de informação confiável, e que decidem se aprofundar indo a uma consulta.

No fim, a tecnologia pode informar, a inteligência artificial pode auxiliar, os sites de busca podem abrir portas para o conhecimento. Mas cuidar continua sendo uma experiência essencialmente humana, e no centro dela permanece a relação de confiança entre o profissional e o paciente.

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