Cabo Verde é um pequeno país, um arquipélago composto por dez ilhas de origem vulcânica, com território pouco superior a quatro mil quilômetros quadrados e situado na imensidão do Atlântico. A distância das ilhas cabo-verdianas para o ponto mais ocidental da África (o homônimo Cabo Verde, situado no Senegal), varia entre 600 a 850 quilômetros, conforme a ilha referenciada. Sua população beira os 600 mil habitantes e a capital, cidade de Praia, localiza-se na ilha de Santiago. Feita esta introdução, quero abordar as impressões deixadas pela equipe cabo-verdiana na XXIII Copa do Mundo, ora em andamento.
Estreante no torneio, o grupo capitaneado pelo goleiro Josimar José Évora Dias, o Vozinha (1986-), já nos ensinou grandes lições. A maior delas, a da humildade, combinada com a da determinação. Independentemente da fase em que deixar a competição, a equipe que tem Pedro Leitão Brito, o Bubista (1970-), como técnico já terá feito História – assim, com H maiúsculo. Ao contrário de certas seleções participantes do torneio, com seus milionários atletas, atuantes em grandes equipes de futebol do planeta, Cabo Verde não possui estrelas. Porém, o espírito de luta tem sido sua marca registrada.
Unidos, sem vaidades pessoais, jogando com disposição, mostrando muito valor, obtiveram primeiramente a inédita classificação para a Copa do Mundo. Depois, no jogo de estreia, alcançaram merecido empate de 0x0 com a Espanha, uma das seleções campeãs, em especial com uma inesquecível atuação de Vozinha, que, aos 40 anos, fechou o gol contra as investidas adversárias.
Já no segundo confronto, contra o Uruguai, a equipe africana alcançou outro êxito: marcou o primeiro gol de sua história na Copa, através de Kevin Pina, que inaugurou o placar daquela partida, assustando os jogadores do país sul-americano, detentor de dois títulos mundiais e tradicionalmente presente na competição. O Uruguai lançou-se ao ataque, chegando a virar o placar para 2x1, colocando Cabo Verde em desvantagem.
Contudo, mantendo o espírito de conjunto, praticando literalmente a divisa de que “a união faz a força” – esta presente, por sinal, na bandeira do Haiti, outro país insular participante da Copa - , os cabo-verdianos não esmoreceram. Continuaram insistindo, dentro de suas possibilidades, incentivados por sua calorosa, alegre e colorida torcida. E o empate em 2x2 veio através dos pés do meio-campista Hélio Varela, que, aproveitando um descuido da defesa uruguaia, marcou o segundo gol, dando números finais à peleja. Quebrando todos os paradigmas e expectativas, Cabo Verde tornou-se a sensação da Copa, rompendo obstáculos e alcançando, na mesma edição da disputa, metas que, à primeira vista, para muitos, pareciam inatingíveis.
Talvez vá um pouco mais longe, até a fase do chamado “mata-mata”, quando enfrentará desafios maiores. Mas, ainda que isto aconteça, a nação e seu povo guardarão para sempre os nomes e as façanhas desses heróis do futebol. São inspiradores, por seus exemplos de resiliência e obstinação.