A creator economy vive um momento de amadurecimento estratégico. Se no início a consolidação dos criadores de conteúdo ocorreu no ambiente estritamente digital, hoje o crescimento sustentável desses talentos exige a exploração de novos pontos de contato com a audiência. Diante das mudanças nos algoritmos e do encarecimento do custo de aquisição de atenção (CAC), a dependência exclusiva das plataformas digitais tornou-se um risco operacional. A convergência com a TV aberta deixa de ser um movimento ultrapassado e passa a integrar uma inteligência de negócios multiplataforma.
Esse movimento ganha relevância quando olhamos o mercado: estimativas do Goldman Sachs indicam que a economia dos criadores deve movimentar US$ 480 bilhões globalmente até 2027. No Brasil, pesquisas do Instituto QualiBest mostram que 73% dos consumidores já realizaram compras impulsionadas por recomendações digitais. No entanto, a verdadeira construção de valor de marca (brand equity) a longo prazo exige furar a bolha da internet e alcançar camadas mais amplas da sociedade.
A presença estratégica de grandes criadores no horário nobre da televisão — como as participações de Alvaro e Lucas Guedez no Dança dos Famosos (Domingão com Huck, TV Globo) — consolida um ecossistema win-win (ganha-ganha):
Para a TV: Oxigena a linguagem visual, conecta-se com as novas gerações e impulsiona o engajamento de segunda tela em tempo real nas redes.
Para o criador: Concede validação institucional, alcança públicos de massa fora do seu nicho e abre novas frentes comerciais.
Transformar a visibilidade da internet em um ativo duradouro exige enxergar o influenciador como uma empresa de mídia viva. A gestão de carreira aproxima-se da administração de um portfólio de investimentos, onde é preciso diversificar os canais de contato e as fontes de receita.
O futuro do marketing de influência não pertence exclusivamente ao meio digital, tampouco à mídia tradicional isolada. Pertence aos atores que orquestram a atenção do público em múltiplos pontos, unindo a velocidade do celular com o alcance orgânico e a credibilidade da TV.