Ainda há espaço para a poesia?

Escrito por Luciano Dídimo producaodiario@svm.com.br
02 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Luciano Dídimo é poeta

A poesia existe há pelo menos quatro mil anos, sendo uma das mais antigas formas de expressão artística da humanidade. Surgiu, inclusive, antes da escrita, pois os povos antigos transmitiam suas histórias, crenças e tradições por meio de versos ritmados e cantados, o que facilitava a memorização.

Para chegar na atualidade, a poesia enfrentou e ainda enfrenta inúmeras dificuldades: a passagem da oralidade para a escrita, as guerras e a destruição de acervos, a censura e a perseguição aos poetas, as mudanças de gosto literário, o mercado editorial desfavorável, a cultura da velocidade e do imediatismo e a percepção de que a poesia é difícil ou elitista.

E agora, em tempos de TikTok e outras redes, surgem novos desafios, como o excesso de estímulos e distrações, a preferência por conteúdos de consumo imediato, a redução do tempo dedicado à leitura profunda e a dificuldade de monetização para poetas e editoras.

Apesar de todos esses obstáculos, a poesia continua viva porque responde a uma necessidade essencial do ser humano: dar forma, beleza e profundidade à experiência da vida. Em momentos de guerra ou paz, alegria ou sofrimento, ela permanece como um meio privilegiado de expressar sentimentos, preservar a memória e despertar a imaginação.

O desafio hoje não é a falta de espaço, mas a forma de ocupá-lo. Embora as plataformas digitais privilegiem conteúdos curtos e dinâmicos, a poesia tem demonstrado grande capacidade de adaptação. Recitais em vídeo, declamações, spoken word, poemas visuais e performances literárias têm conquistado milhões de visualizações e aproximado novos públicos do gênero.

Na verdade, as redes sociais também oferecem oportunidades inéditas: democratizam a publicação, aproximam autores e leitores, ampliam o alcance da poesia para além dos círculos acadêmicos e incentivam jovens a escrever e compartilhar seus próprios versos.

Em suma, há, sim, espaço para a poesia em tempos de TikTok. Ela apenas mudou de palco. O poema continua cumprindo sua missão de emocionar, provocar reflexão e expressar a experiência humana, agora também nas telas. Os vídeos não substituem a leitura de um poema, mas acendem no espectador a centelha da sensibilidade, da curiosidade e do encantamento que o levará a buscar a poesia em sua plenitude.

Luciano Dídimo é poeta