A nova reforma tributária

Escrito por Talita Trévia producaodiario@svm.com.br
25 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Talita Trévia é contadora

A Reforma Tributária, cuja transição se inicia em 2026, representa uma mudança estrutural na forma como as empresas precisarão se organizar, decidir, precificar, contratar, comprar, vender e gerir seus processos. 

Para quem vive o dia a dia das organizações, a substituição gradual dos tributos pelo novo modelo de IVA dual pode gerar insegurança. Afinal, estamos falando de uma mudança que atravessa sistemas, contratos, cadastros, margens, fluxo de caixa, formação de preço e a própria governança dos negócios. Mas, sob a minha ótica de quem atua na área tributária e acompanha de perto os impactos dentro da operação, a ‘Reforma’ precisa ser enxergada para além da obrigação fiscal. 

Ela é um convite, talvez inevitável, à modernização corporativa. Mais do que simplificar guias ou alterar a forma de recolhimento dos tributos, a ‘Reforma’ exigirá das empresas uma gestão mais integrada, madura e orientada por dados. A área tributária deixa de ser apenas uma área de apuração e conformidade para assumir um papel ainda mais estratégico: apoiar decisões de negócio com visão de risco, margem, crédito, custo e eficiência operacional.

Na indústria, os impactos envolvem revisão de créditos tributários, atualização de sistemas, reavaliação de margens e análise dos reflexos financeiros das novas regras. Isso exigirá integração entre áreas como fiscal, financeiro, comercial, logística e tecnologia.

A adaptação também demandará revisão de contratos, atualização de cadastros, adequação dos ERPs e revisão da formação de preços. Mais do que tratar cada frente isoladamente, o grande desafio será garantir uma estratégia corporativa integrada.

Nesse cenário, tecnologia será essencial, mas não suficiente. Será preciso combinar sistemas robustos, processos bem estruturados, equipes capacitadas e uma cultura preparada para lidar com mudanças.

Empresas que enxergarem a Reforma apenas como obrigação fiscal tendem a reagir de forma tardia. Já aquelas que utilizarem esse momento para revisar processos, fortalecer controles e integrar áreas estarão mais preparadas para o futuro. Afinal, a Reforma Tributária não trata apenas de impostos, mas da forma como os negócios serão conduzidos daqui para frente.

Talita Trévia é contadora