A IA informa; o médico cuida

Também não se deve confundir IA com cirurgia robótica. O robô atual não opera sozinho: cada movimento é comandado pelo cirurgião

Escrito por Emanuel Veras producaodiario@svm.com.br
15 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: Médico

Antes de procurar um consultório, cada vez mais pessoas consultam uma tela. Em pesquisa do IESS/Vox populi com 3.200 entrevistados, 60% disseram buscar informações sobre saúde na internet. Entre eles, 90% citaram o Google e 19%, inteligência artificial (IA). Apenas 16% afirmaram confiar totalmente no conteúdo encontrado.

Essa contradição resume o momento atual: a tecnologia se tornou uma das primeiras fontes de informação em saúde, mas não substitui a confiança construída entre médico e paciente. Longe de ser uma ameaça, a IA pode nos ajudar a analisar grandes volumes de dados, reconhecer padrões em exames, estimar riscos, apoiar decisões e tornar o cuidado mais personalizado. A questão não é se devemos utilizá-la, mas como empregá-la com segurança, senso crítico e responsabilidade.

Na urologia, suas aplicações incluem auxílio na interpretação de exames, no planejamento de tratamentos, na previsão de resultados e no acompanhamento dos pacientes. Seu papel é ampliar a capacidade do especialista, nunca substituí-lo.

Também não se deve confundir IA com cirurgia robótica. O robô atual não opera sozinho: cada movimento é comandado pelo cirurgião. A IA vem sendo estudada no planejamento, no reconhecimento anatômico, na análise de vídeos, no treinamento e na previsão de resultados. A tecnologia pode ampliar a precisão, mas não torna a cirurgia autônoma.

Ferramentas como o ChatGPT podem explicar termos médicos e organizar dúvidas, mas podem apresentar informações desatualizadas e produzir respostas incorretas, as chamadas “alucinações”. É justamente nesse ponto que surge o risco. Já recebi pacientes convencidos de diagnósticos e outros que iniciaram medicamentos por conta própria, com base nessas respostas. Tanto a medicina quanto a IA lidam com probabilidades. O médico, porém, precisa interpretar essas probabilidades diante de uma pessoa concreta: ouvir sua história, examinar, considerar comorbidades, expectativas e valores pessoais e assumir a responsabilidade pela decisão.

A Resolução CFM nº 2.454/2026 reafirma: a IA é instrumento de apoio, mas a responsabilidade final por diagnósticos, prognósticos e tratamentos permanece com o médico. A IA veio para ficar e o desafio é formar médicos capazes de compreender suas possibilidades e seus limites.

O futuro da medicina será uma combinação entre ferramentas validadas e profissionais preparados, éticos e capazes de escutar. A IA pode calcular, comparar, organizar e informar, mas cuidar continuará sendo uma responsabilidade humana.

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