A fúria da terra, a dor de um povo

Outros terremotos, menos intensos, ainda se seguiram aos dois principais, piorando o já complexo quadro

Escrito por Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
06 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Jornalista

Não será esta a última vez em que um país sofre os efeitos de terremotos tão destrutivos e poderosos. Porém, no caso da Venezuela, a situação adquire contornos dramáticos. Atingida por dois terremotos seguidos em 24 de junho – o primeiro, de 7.2 graus, e um outro, de 7.5 na escala Richter - , a região da capítal, Caracas, e arredores foi duramente afetada pelos sismos. O resultado foi um rastro de devastação na capital venezuelana e na região próxima de La Guaira, que já havia alcançado, até o sexto dia após o duplo e trágico evento, a cifra de quase 1.500 mortos, com perspectivas de elevação, e cerca de 11 mil feridos, número que deverá ainda crescer. Inúmeros edifícios vieram totalmente abaixo, soterrando centenas de vítimas.

Até a primeira semana depois do terremoto duplo, quase 6.500 pessoas haviam sido resgatadas com vida, mas cerca de 50 mil, conforme cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), continuavam desaparecidas. Os dois sismos seguidos foram os mais severos sofridos pelo país em um século e ocorreram quando muitas famílias se encontravam recolhidas aos seus lares. Até o sexto dia após a tragédia, ainda era possível encontrar sobreviventes entre os escombros, inclusive bebês e até animais de estimação.

Outros terremotos, menos intensos, ainda se seguiram aos dois principais, piorando o já complexo quadro. Equipes de socorro partiram, inclusive do Brasil, rumo à Venezuela, que não dispõe de efetivo suficiente para as ações de resgate. Além disso, é reduzida a quantidade de máquinas a serem empregadas nessa atividade. À medida que passa o tempo, são mínimas as chances de se achar sobreviventes.

E, diante do desespero generalizado da população, que ainda procura encontrar alguém com vida, pessoas se juntam para remover, até com as mãos nuas, sem proteção, os pesados blocos de concreto empilhados após o desabamento das construções. A dor do povo venezuelano, diante da fúria da terra e de todas as suas graves consequências, comove o mundo inteiro. Além dos resgates de vítimas em meio a milhares de corpos já em decomposição, doações de alimentos, remédios e de equipamentos médicos são destinadas ao país, onde até o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal da nação, foi também atingido.

A solidariedade mundial tem se expressado até mesmo durante a Copa, onde, antes de várias partidas, registrou-se um minuto de silêncio em reverência aos mortos e, no jogo entre México e Equador, a mensagem “Não estão sozinhos!”, falada unissonamente pelos jogadores e torcedores presentes ao Estádio Azteca, na Cidade do México. A situação da Venezuela, antes já séria em decorrência da crise política e da intervenção do governo Trump, no início do ano, complica-se ainda mais com o agravamento da situação social em que vive seu povo, já extremamente vulnerável e necessitado. Sua reconstrução demandará muito tempo. Que a Venezuela possa superar a crise humanitária o quanto antes. É nossa esperança.