70 anos da exposição que atravessa gerações

Desde 1954, a Expoece ocupa o mesmo endereço, em um espaço pertencente ao Governo do Estado

Escrito por Braga Almeida producaodiario@svm.com.br
26 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: Presidente da Associação dos Criadores do Ceará

Há acontecimentos que ultrapassam a dimensão de um evento e passam a fazer parte da identidade de um povo. A Expoece é um deles. Ao chegar à sua 70ª edição, a partir do próximo dia 31 de outubro, a mais antiga e tradicional exposição agropecuária do Ceará celebra sete décadas de uma história que atravessa gerações e que merece ser reconhecida como patrimônio econômico, cultural e afetivo do Estado.

É raro encontrar, no Brasil, uma iniciativa com tamanha capacidade de permanência. Entre uma feira e outra, novos eventos surgem, ganham projeção e depois desaparecem. A Expoece permanece. Avós, pais, filhos e netos têm uma história para contar, uma lembrança para compartilhar, uma experiência vivida no Parque de Exposições Governador César Cals. 

Essa continuidade não acontece por acaso. É resultado de tradição, resistência, pioneirismo e, sobretudo, de uma instituição que há décadas acredita na força do setor: a Associação dos Criadores do Ceará (ACC).

Desde 1954, a Expoece ocupa o mesmo endereço, em um espaço pertencente ao Governo do Estado, mas cuja realização é fruto do trabalho e da capacidade de articulação da ACC. Essa distinção precisa ser reconhecida. O poder público é fundamental para garantir as condições necessárias, mas é a iniciativa da entidade representativa dos criadores que transforma aquele endereço em uma grande vitrine da produção agropecuária cearense.

E talvez esteja justamente aí uma das maiores demonstrações do vanguardismo da Expoece: ela nasceu em outro tempo, mas soube permanecer contemporânea. É lugar de tradição, mas também de inovação; de memória, mas igualmente de futuro. Reúne produtores, criadores, empresários, trabalhadores, pesquisadores, famílias e novas gerações em torno de uma atividade que continua estratégica para a economia e para o desenvolvimento do Ceará.

Os 70 anos, portanto, não devem ser apenas comemorados. Devem provocar uma reflexão sobre o futuro. Uma história tão longa merece um espaço à altura de sua importância. As limitações estruturais do atual parque não diminuem a grandeza da Expoece; ao contrário, reforçam a necessidade de zelarmos por esse verdadeiro patrimônio do povo cearense. 

Afinal, preservar a Expoece é preservar uma parte da história do Ceará. Investir nela é apostar no futuro. Porque algumas tradições não podem simplesmente permanecer: precisam ser cuidadas para continuar atravessando gerações.

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