Terra da Luz

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
25 de Março de 2005 - 01:31

Não foi apenas por retórica que o grande tributo e abolicionista José do Patrocínio, denominou o Ceará de ´Terra da Luz´, por ter sido a primeira província a libertar os escravos no Brasil. ´O 25 de março de 1884, aniversário da Constituição do Império, foi escolhido para ser a data magna que marcou o fim da escravatura em território cearense. As festividades grandiosas que comemoraram aquele evento prolongaram-se até o da 31 daquele mês´, relata o historiador Pedro Alberto de Oliveira Silva, no seu livro ´História da Escravidão no Ceará´.

E prossegue o autor, membro do Instituto Histórico, que: ´Durante os festejos, a participação decisiva do presidente Satyro de Oliveira Dias era sempre exaltada. Inegavelmente, não fosse seu desprendimento pessoal e coragem cívica, ao sancionar a Lei nº 2034, a luta pela abolição da escravatura no Ceará ter-se-ia prolongado por mais tempo´. Aduza-se que o ato de Satyro teve repercussão em todo o Brasil e foi fato decisivo para a libertação dos escravos em todo o País, como o reconhece Joaquim Nabuco ao afirmar, anos depois, que ´a emancipação do Ceará foi o acontecimento decisivo para a causa abolicionista. O efeito moral da existência de uma província livre, resgatada, e desde então fechada para a escravidão, foi imenso, e o efeito político imediato´. (Obr. cit.)

Hão de ser lembrados na realização deste sonho a Sociedade Cearense Libertadora e o Centro Abolicionista 25 de Dezembro e os nomes de muitos que os integraram, como Meton de Alencar, cônego João Paulo Barbosa, José Martiniano Peixoto de Alencar, Antônio Afonso de Albuquerque, Antônio Pinto Nogueira, Frederico Augusto Borges, João Cordeiro e tantos mais que se empenharam pela emancipação dos escravos no Ceará.

Era a vitória dos libertadores cearenses contra os escravistas brasileiros que somente depois de quatro anos foram forçados a libertar os seus escravos, o que, na opinião de muitos, representou o fim da própria Monarquia.

Faz este mês 121 anos daquele glorioso 25 de março de 1884, quando ainda parece reboar no espaço o tonitroante ´Terra da Luz´, com que José do Patrocínio rebatizou o Ceará.

No entanto, é preciso que se diga agora que a escravidão no Ceará adquiriu novas formas; vestiu-se de extrema pobreza, de grande miséria social; ganhou as ruas na forma de prostiturismo infanto-juvenil, e as senzalas foram substituídas pelas mais de 500 favelas que enfeiam esta pretendida ´Fortaleza bela´, onde grassam a fome, a doença, o desemprego e a violência sob os mais variados matizes. Urge assim uma nova libertação dos escravos da desigualdade social.

Jornalista