diversos setores

Trabalho temporário deve gerar 3,3 mil vagas no Estado até dezembro

Número é menor que o ofertado no ano passado, mas o Sine/IDT avalia como satisfatório diante do cenário econômico atual. Órgão informou ainda que as seleções já foram iniciadas em diversos setores produtivos

01:00 · 16.09.2017 / atualizado às 02:57 por Yohanna Pinheiro - Repórter

Com a expectativa de aumento da dinâmica econômica do Estado até o fim do ano, o Sistema Nacional de Emprego / Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT) prevê que sejam criadas 3.300 vagas temporárias até o fim do ano no Estado. Os novos postos de trabalho devem surgir principalmente no âmbito do comércio, seguido pelo setor de serviços e pela indústria.

Apesar do número de vagas representar uma queda de 15% em comparação à média da expectativa dos últimos três anos (3.584), o assessor da presidência do IDT, Antenor Tenório, avalia o resultado como satisfatório considerando a realidade do mercado. "As empresas estão com boas expectativas, mas ainda têm receio. Elas vão ampliar (as vagas), mas não na mesma proporção", aponta.

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Do total de vagas captadas, a entidade tem como objetivo inserir 2.601 trabalhadores no mercado, o que significa uma taxa de aproveitamento das vagas de 72%. "É um ritmo melhor que o do ano passado, em que chegamos a uma taxa de 63% no mesmo período. Para isso, desenvolvemos um processo de encaminhamento de candidatos a empresas mais criterioso, tentando captar uma informação mais precisa do perfil da vaga", aponta.

E as seleções para temporários já começaram, segundo Tenório. "Empresas de varejo, principalmente calçadistas, de serviços. Algumas vagas já foram negociadas e estamos analisando currículos. O processo tende a seguir de agora até outubro em ascendência e, a cada mês que se aproxima do fim do ano, criam mais", explica o assessor, destacando que os candidatos devem se preparar para ingressar nesses postos de trabalho.

Têm mais chances de conquistr a vaga homens, que representam em média 63% dos profissionais inseridos pelo Sine no mercado, além de profissionais entre 18 e 39 anos (91% dos colocados). O nível de escolaridade de 60% dos colocados é de ensino médio incompleto a completo, seguido pelo fundamental completo a incompleto (30%). "O mercado está mais seletivo, exigindo maior escolaridade", pontua Tenório.

Com ou sem Reforma

A data da vigência das novas regras da Reforma Trabalhista, em novembro, coincide com o período de maior aquecimento da economia. Tradicionalmente, há mais contratações de temporários nesses meses para atender à demanda das festas de fim de ano. Segundo Erle Mesquita, coordenador de Estudos e Análises do IDT, esse aumento não deve ser confundido com efeitos da Reforma.

"Depois de dois anos de retração de empregos formais, boa parte dos estabelecimentos também pode repor parte da equipe que foi enxuta nos últimos anos. Isso pode dar uma falsa sensação de crescimento das oportunidades por causa da Reforma, sendo que se trata apenas de uma recomposição do mercado", explica Mesquita. Ele avalia que as mudanças tornam as relações laborais menos estáveis.

O coordenador aponta ainda que a tentativa de reduzir custos com a mão de obra acaba prejudicando o próprio crescimento econômico, à medida que os trabalhadores ficam desmotivados, afetando tanto a produtividade quanto o consumo. "Por mais que se diga que a legislação trabalhista é rígida, são realizadas mais de dez milhões de demissões ao ano no Brasil, mesmo com todos esses requisitos", argumenta Mesquita.

Riscos

Um dos pontos de maior risco para os profissionais, na avaliação de Mesquita, é a medida que permite a terceirização em qualquer ramo, mesmo na atividade principal da empresa e em caráter de exclusividade. "Essa medida basicamente oficializa a pejotização, simulando uma relação interempresarial ao exigir que o funcionário abra um CNPJ. É um ponto muito preocupante, que deixa profissionais sem direitos trabalhistas". Para o coordenador, as mudanças são muito profundas, sendo difícil mensurar os possíveis impactos a partir da sua implementação em novembro. "Essas regras fazem com que o trabalhador tenha mais dificuldades, como jornadas mais fragmentadas, intercaladas, que proporcionam uma dificuldade maior para que se consiga organizar a vida familiar, à medida que o empregador dita as regras", observa.

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