diz economista

‘Resultado de eleições afetará o PIB’

01:00 · 09.06.2018 / atualizado às 01:44
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Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o cenário político nebuloso afeta a recuperação econômica do País e reduz o poder de compra da população, especialmente pela dificuldade em garantir um espaço no mercado de trabalho

“Se um candidato de extrema, de um lado ou de outro, ganhar (as eleições), o Brasil terá um problema maior e podemos voltar a ter uma queda no PIB (Produto Interno Bruto)”. É dessa forma que a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, avalia a conjuntura econômica brasileira em 2019. 

O primeiro turno da disputa, que elegerá presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais vai acontecer no próximo dia 7 de outubro. Mesmo faltando menos de quatro meses para a corrida eleitoral começar, observa Kawauti, são muitas as dúvidas que ainda pairam sobre as cabeças dos eleitores. 

“Em geral, nessa época, a gente já sabe mais ou menos quem são todos os candidatos. Dessa vez, tem muita incerteza sobre quem são eles e alguns dos que estão despontado (na mídia e em pesquisas) não têm histórico de grandes eleições, de ter um cargo eletivo majoritário”.

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Mercado de trabalho

Com o cenário político “nebuloso”, a recuperação da economia brasileira – já iniciada – se torna ainda mais lenta e difícil. O que acaba por prejudicar a atratividade do País a novos investimentos. Além de afetar grande parte da população, cujo poder de compra retrai, especialmente por conta da dificuldade em garantir um espaço no mercado de trabalho. “Nossa economia começou a se recuperar a partir do fundo do poço e esse processo está demorando muito porque o mercado de trabalho é a última variável a reagir. O brasileiro está com o orçamento apertado e continua gastando menos”. Sem dinheiro para uma “margem de manobra”, a inadimplência consequentemente aumenta. 

Somados ao fato de que o País viveu “a maior recessão de sua história”, eventos pontuais – a greve dos caminhoneiros, por exemplo – contribuem para atravancar o pleno desenvolvimento econômico nacional, endossa. 

Otimismo moderado

Com tantos fatores atrasando a retomada da economia, a perspectiva da especialista para este segundo semestre e para 2019 é de um “otimismo moderado”. A depender de quais gestores serão escolhidos para dirigir o País. “Ainda é muito complicado traçar algo mais efetivo para o ano que vem. Mas para este ano, o PIB deve ficar perto dos 2%, um pouquinho melhor do que ano passado, que foi de 1%”, projeta. “O dólar só vai cair com força depois da eleição e, se esse resultado for positiva, sem extremos”, completa. 

Inovação 

Defensora das reformas tributária e previdenciária, Marcela Kawauti sugere a inovação como alternativa para o Brasil recuperar a produtividade perdida. “Seja porque as pessoas ficaram afastadas do mercado de trabalho ou porque tem muita máquina parada, estamos produzindo menos do que no ano passado. Inovar não é desenvolver um aplicativo revolucionário, mas fazer o que a gente sempre faz de uma forma diferente”.

A mudança na realização de processos, seja dentro das empresas ou na gestão do País, afirma, acaba gerando economia de tempo e de dinheiro. “No quesito inovação, o Brasil está atrás de grandes países do mundo; ainda temos muito o que andar. O Ceará conta com um ponto muito importante que é a força que as CDLs (Câmaras de Dirigentes Lojistas) têm aqui”.

Hackathon

Para fomentar a inovação e tecnologia nas empresas locais, identificar talentos e promover o desenvolvimento de novos negócios, o SPC Brasil, a Federação das CDLs do Ceará, a CDL de Fortaleza e a Faculdade CDL realizam neste sábado (9), o 1º Desafio de Inovação SPC Brasil. O primeiro hackathon da Capital cearense ocorrerá na CDL Fortaleza e faz parte de um ciclo de hackathons desenvolvidos pelo SPC Brasil em parceria com as CDLs de 10 capitais pelo Brasil.

“O Desafio de Inovação é um ambiente de criação para que, de forma prática, desenvolvam-se propostas para o aperfeiçoamento dos produtos e serviços oferecidos pelo SPC Brasil e pela CDL de Fortaleza com o objetivo de desenvolver modelos de negócio e aplicações tecnológicas para soluções já existentes”, afirma o presidente da CDL de Fortaleza, Assis Cavalcante.

Os participantes interessados deverão fazer a inscrição e submissão da proposta de solução com até cinco dias antes de cada evento. Não há custos de inscrição e os selecionados serão informados via e-mail e deverão confirmar sua presença nos canais oferecidos pelo evento.

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