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Programas de fidelidade são opção para manter consumo

Com orçamento mais apertado, milhões de pessoas buscaram formas de acumular pontos só nos três primeiros meses deste ano para obter benefícios, materializados em serviços, produtos e viagens

01:00 · 05.08.2017 por Yohanna Pinheiro - Repórter

Potencializado pela restrição econômica provocada pela crise nos orçamentos familiares, o mercado de fidelização de clientes continua a atrair milhões de pessoas no País e a fomentar o surgimento de novos programas. Somente entre janeiro e março, mais de sete milhões de cadastros foram realizados em seis das maiores empresas do segmento, um crescimento de 23% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

> Custo para somar pontos deve ser considerado 
 
> 'Benefícios não deveriam expirar'
 
> Supermercados investem em vantagens para fidelizar cliente 
 
> Consumidor precisa estar atento à validade de milhas
 
Os números são da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (Abemf), relativos aos cadastros dos programas Dotz, Grupo LTM, Multiplus, Netpoints, Smiles e TudoAzul - Mastercard e Visa também se associaram à entidade, mas ficaram fora das estatísticas. Ao final de março, já somavam 97 milhões de cadastros, ante 78,9 milhões em igual período de 2016. Ainda segundo a associação, a quantidade de pontos/milhas emitidos também cresceu.

No primeiro trimestre, foram emitidos 57,3 bilhões de pontos, número que supera em 28% o dos três primeiros meses do ano anterior. As principais fontes para o acúmulo de pontos/milhas, segundo o levantamento, continuam sendo o varejo e os cartões de crédito, com 87% do total. Os outros 13% são referentes a viagens.

'Espécie de poupança'

Segundo o presidente da Abemf, Roberto Medeiros, esse crescimento é fomentado pela oportunidade dada ao consumidor para acumular pontos e milhas em uma espécie de "poupança". "Não é só passagem aérea sem mudar seu perfil de consumo. O consumidor tem várias oportunidades de acumular e resgatar pontos, como em postos de gasolina, operadoras de celular, empresas de eletrodomésticos, academia".

Ele pondera que a intenção do segmento não é incentivar o aumento do consumo, mas promover uma conscientização para que as pessoas passem a associar suas despesas a programas de fidelidade e, assim, acumulem pontos com tudo que for gasto. "É justamente nesse período de dificuldade econômica que as pessoas têm mais interesse nesse tipo de vantagem", aponta o presidente.

Segundo Medeiros, cerca de 84% dos pontos acumulados nas empresas associadas à entidade são resgatados pelos usuários, de forma que só 16% expiram sem utilização. Uma das medidas que possibilitou esse maior resgate pelos clientes foi a ampliação de possibilidades de uso dos benefícios, que incluem eletrodomésticos, combustível, abatimento em contas, entre outros produtos.

"Além de poder acumular pontos comprando várias coisas, se uma pessoa não conseguir juntar o suficiente para resgatar uma passagem, ela pode, com os pontos, fazer a recarga de um celular, colocar combustível... São mais de 550 mil itens que podem ser resgatados", destaca o presidente. Ainda assim, 77% do total de resgates ainda correspondem a passagens aéreas - produtos e serviços ficam com 23%.

Potencial de mercado

Apesar de existirem 97 milhões de cadastros apenas nas oito maiores empresas do segmento, muitas vezes eles se sobrepõem - não há diferenciação de casos em que uma mesma pessoa é cadastrada em mais de um dos programas. Com isso, Medeiros destaca que ainda há muito espaço para o segmento crescer no mercado brasileiro. "Em comparação a países da Europa, o número de usuários pode crescer ainda três ou quatro vezes", afirma.

O presidente argumenta que é uma questão cultural desses países, como Inglaterra e França, por exemplo, em que desde pequenas as pessoas são acostumadas a buscar cupons de desconto. "Nós ainda estamos na adolescência desse mercado. Ainda é preciso que as pessoas conheçam mais essas vantagens para que possam, no decorrer de um ano, resgatar bens, viagens e outras necessidades do dia a dia", avalia.

Empresas

Conforme balanço divulgado na quinta-feira (3), a empresa de programas de fidelidade Smiles, vinculada à Gol Linhas aéreas, registrou lucro líquido de R$ 146,2 milhões no segundo trimestre, uma alta de 18,3% ante igual período do ano passado. A receita líquida, por sua vez, ficou em R$ 441,7 milhões entre abril e junho, crescimento de 26,3% em relação a um ano antes.

Já a Multiplus, vinculada à Latam Airlines, encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 125,9 milhões, uma queda de 7,7% em relação a igual período de 2016. A companhia justificou o recuo principalmente em função da queda da taxa de juros e da menor receita financeira. Já a receita líquida da Multiplus fechou em R$ 589,4 milhões, uma alta de 8,4% no ano.

Na última terça-feira (1º), o Nubank ingressou no segmento com o lançamento do seu próprio programa de fidelidade. O "Rewards", como foi chamado, apresentou inovações para o segmento, como a possibilidade de utilizar os pontos para pagar qualquer tipo de despesa realizada no cartão de crédito e o fato de nunca expirarem. Para fazer parte, entretanto, é preciso pagar uma taxa de R$ 19,90/mês ou R$ 190/ano.

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