COTAÇÃO DISPARA

Dólar turismo no cartão atinge patamar de R$ 4,34 na Capital

Cenário político brasileiro e aversão dos investidores ao risco contribuíram para a alta da moeda americana

01:00 · 08.06.2018 / atualizado às 01:07
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O dólar comercial encerrou a sessão com valorização de 2,24% ante o real, cotado a R$ 3,925. Ao longo do dia, a moeda chegou a subir mais de 3% ( FOTO: REUTERS )

Fortaleza/São Paulo. O dólar disparou em relação ao real nessa quinta-feira (7), com investidores especulando sobre os rumos políticos e econômicos do Brasil e em meio a uma aversão global a risco que atingiu os países emergentes. Em Fortaleza, casas de câmbio chegaram a negociar a moeda estadunidense a R$ 4,34 (cartão pré-pago). À vista, o maior valor encontrado pela reportagem foi de R$ 4,13.

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O dólar comercial fechou em alta de 2,24%, cotado a R$ 3,925. No dia, chegou a subir mais de 3% e alcançou R$ 3,968. O dólar à vista avançou 3,03%, para R$ 3,938.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa Brasileira, caiu 2,98%, para 73.851 pontos.

Para tentar conter a disparada da moeda estadunidense, o Banco Central vendeu integralmente, nesta sessão, a oferta adicional de até 40 mil novos swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, totalizando US$ 2 bilhões.

Mais cedo, já havia vendido todo o lote que vem ofertando de até 15 mil novos swaps (US$ 750 milhões). Vendeu integralmente também os 8.800 swaps para rolagem do vencimento de julho, somando US$ 2,2 bilhões do total de US$ 8,762 bilhões que vencem no próximo mês.

Em comunicado divulgado em meados do mês de maio, quando iniciou as ofertas de 15 mil contratos, a autoridade monetária já havia indicado que poderia realizar atuações adicionais como a de hoje a qualquer momento, se necessário.

Na última terça (5), por exemplo, colocou 30 mil contratos adicionais, dos quais vendeu 16,2 mil. Logo depois, anunciou segunda operação, para ofertar o restante (13,8 mil), mas só vendeu 6.110 contratos.

Testando

Analistas apontam que investidores estão testando o Banco Central para avaliar até onde ele consegue segurar com os swaps tradicionais e, assim, pressionar por intervenções ainda mais fortes, como leilões de linha - quando o BC vende dólar à vista, mas com compromisso de recompra.

Na prática, a compra de um contrato de swap pelo BC funciona como uma injeção de dólares no mercado futuro.

A situação cambial do Brasil se deteriora conforme as eleições de outubro se aproximam e pesquisas de intenção de voto não comprovam o avanço de candidatos considerados pelo mercado como comprometidos com o ajuste fiscal.

Assim, incertezas no front político nacional afastam investidores, ao mesmo tempo em que expectativas de alta de juros nos Estados Unidos atraem fluxo de capital. O quadro brasileiro piorou também após a paralisação dos caminhoneiros. O mercado teme o reflexo do movimento na produção e na inflação.

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