Entrevista Com Eurico Teles

Oi quer levar fibra ótica até a casa dos clientes no Ceará

Presidente da Oi ainda destacou a importância do Estado do Ceará para a companhia, que tem se mantido líder em alguns segmentos
01:00 · 31.08.2018 por Armando de Oliveira Lima - Repórter

Qual o valor do investimento feito pela Oi neste ano no Estado? Em que foi empregado? Há previsão de mais recursos neste ano?

Investimos mais de R$ 80 milhões no Ceará no primeiro semestre de 2018, o que representa um crescimento de 41% em comparação a igual período do ano passado. Implantamos no estado quase 200 novos sites, que são as estruturas que recebem as antenas de telefonia móvel. Outros 550 sites foram ampliados ou modernizados no mesmo período.

Além disso, implantamos mais de 7,5 mil novas portas para o serviço de banda larga fixa. Além de priorizar a modernização da infraestrutura e expansão da capacidade da nossa rede no Estado, realizamos ações preventivas com aumento de produtividade e investimos na digitalização para oferecer uma melhor experiência aos clientes. Atualmente, oferecemos cobertura 4G em 59 cidades do Ceará.

E aproveito para anunciar uma novidade. Iniciamos um projeto estruturante com o objetivo de alavancar a robustez e a extensa capilaridade de nossa rede, para acelerar a implantação de fibra ótica até a casa das pessoas, chamada de FTTH, entregando banda larga de altíssima velocidade aos nossos clientes. E Fortaleza será uma das primeiras cidades a ser beneficiada com a nossa oferta de fibra em algumas localidades já em setembro.

> Etanol ainda não é competitivo, mas venda salta 42% no Estado

Mesmo com o processo de recuperação judicial em curso, a Oi mantém liderança em telefonia fixa e segue disputa acirrada pela maior fatia da telefonia móvel. Continuar sendo um dos mercados onde a companhia permanece forte garante ao Ceará algum tipo de vantagem?

O Ceará é um mercado estratégico para a companhia. Temos feito investimentos no Estado para oferecer uma experiência cada vez melhor aos nossos clientes. A nossa estratégia de negócios está voltada para o aumento do consumo de dados e conteúdo, convergência de produtos e avanço da transformação digital, com o lançamento de serviços inovadores, totalmente digitais, que atendam às necessidades e expectativas dos clientes de hoje.

A companhia está com todo o time focado na retomada comercial e, no Ceará, temos obtido bons resultados. Crescemos 4,2 pontos percentuais em market share na Oi TV de janeiro a junho desse ano. No segmento Corporativo, crescemos 10% em receita em serviços de TI no primeiro semestre de 2018 em relação a igual período do ano passado.

Algumas operadoras mantém ofertas exclusivas para estados do Nordeste. A Oi também tem essa política?

Realizamos constantemente diversas pesquisas com nossos clientes em todo o País para entender as suas necessidades e preferências e as nossas soluções são desenvolvidas de acordo com essas demandas, o que as diferencia dos concorrentes. Quanto ao mercado local, em algumas localidades temos estratégias comerciais diferenciadas. É o caso do interior do Ceará, no DDD 88, onde a oferta do nosso plano pré-pago Oi Livre é diferente da cobrada em Fortaleza.

Qual o porte da companhia no Ceará? Quantos colaboradores a empresa tem? Quantas centrais de telemarketing? Quantas lojas próprias e franqueadas? Esses números aumentaram ou diminuíram nos dois últimos anos?

O mercado cearense é estratégico para a Oi. Temos aqui mais de 3,6 milhões de clientes presentes em todos os 184 municípios. São 3,1 milhões de clientes na telefonia móvel, 142 mil na banda larga, 40 mil clientes na Oi TV e 350 mil clientes na telefonia fixa. Somos líderes de mercado no segmento pré-pago, com cerca de 35% de market share, assim como na telefonia fixa, com 51,4% do mercado regional. Empregamos mais de 531 colaboradores diretos e 9.520 indiretos no estado. Para atender os nossos clientes, temos 11 lojas próprias e 10 franquias espalhadas pelo estado e uma estrutura de telemarketing com 6 pontos de atendimento nas cidades de Fortaleza e Aquiraz.

Nos últimos balanços de conexões fixas, a Anatel tem apontado a participação decisiva dos pequenos provedores de internet para o crescimento do número de acessos, principalmente, na região Nordeste e no Ceará. Aqui, esses pequenos provedores começam a ficar grandes, estendendo serviços para mais de três estados, ancorados em malhas de fibra ótica. Como a Oi avalia essa competição? Que ações tem tomado para se tornar mais atraente ao usuário?

O backbone da Oi no Ceará tem 7.650 Km e passa por 90 municípios do Estado, o que nos permite oferecer banda larga fixa em todos os 184 municípios do Ceará. Estamos ampliando o número de novas portas de internet banda larga para atender à demanda dos clientes pelo serviço. Somente no primeiro semestre desse ano implantamos mais de 7,5 mil novas portas. Temos investido fortemente na implantação da tecnologia VDSL para disponibilizar velocidades de até 35 MBPS aos nossos clientes.

E, como mencionei anteriormente, estamos trabalhando num projeto estruturante que vai acelerar a implantação de fibra ótica até a casa do cliente, entregando banda larga de altíssima velocidade aos nossos clientes. Com relação ao crescimento dos pequenos provedores de internet, a partir da nossa estratégia de levar fibra óptica até a casa do cliente, com um produto de alta qualidade, esperamos ter um excelente nível de competitividade e retomar a participação nesses mercados.

O processo de recuperação judicial da Oi completou dois anos de tratativas em junho último. Que análise a empresa faz sobre os desafios vencidos e os que ainda precisam ser superados para equilibrar novamente a companhia?

O processo de Recuperação Judicial da companhia está avançando, e a companhia vem cumprindo todas as etapas previstas. O plano foi aprovado pelos credores e homologado pela Justiça brasileira. Depois, foi reconhecido pela Justiça de outros países, como Estados Unidos e Holanda.

Agora, em julho, concluímos mais uma etapa prevista no plano, que era a conversão da dívida com credores internacionais, os chamados bondholders, em ações da companhia. Com a conversão, a dívida financeira da Oi caiu de R$ 45 bilhões para R$ 14 bilhões. É importante reforçar que, ao longo do processo, a administração da Oi sempre atuou para melhorar o negócio e estabilizar a companhia. As principais prioridades foram: melhoria da qualidade, transformação digital, controle de custos, gestão do caixa e reestruturação da dívida. Iniciamos o ano de 2018 com foco na retomada comercial do Varejo e do Corporativo e é neste sentido que estamos trabalhando.

A imprensa nacional vem falando que a principal intenção dos acionistas da Oi é "arrumar a casa para vender". Como é trabalhar com especulações assim no que diz respeito a planejamento a longo prazo? E qual o objetivo futuro da empresa e como o Ceará está envolvido nesse projeto?

Queremos que a Oi volte a ocupar o lugar de destaque que é dela no cenário nacional. Somos uma companhia presente no país inteiro, que atende de forma exclusiva milhares de municípios, que tem 54.680 empregados diretos, que recolhe bilhões de reais em impostos todos os anos e que investe também bilhões todos os anos.

Ou seja, temos um peso importante na dinâmica econômica do país. Como disse anteriormente, a administração da companhia está focada na retomada comercial da Oi, com foco em melhoria do negócio.

Nesse sentido, adotamos uma abordagem que busca identificar as melhores oportunidades em cada praça, e o mercado do Ceará faz parte dessa nossa estratégia.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.