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Greve gera perda de R$ 5 bi à agropecuária, afirma Ipea

01:00 · 06.06.2018
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Durante a paralisação dos caminhoneiros, os produtores de leite do Brasil descartaram 280 milhões de litros do alimento ( FOTO: HONÓRIO BARBOSA )

São Paulo. A paralisação dos caminhoneiros gerou prejuízos de mais de R$ 5 bilhões ao setor agropecuário, exigirá em alguns casos mais de um mês para regularização do abastecimento e causará aumentos de preços para os consumidores nas próximas semanas, segundo nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

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Produtores de leite, frango, suínos, bovinos e frutas contabilizaram um impacto negativo de mais de R$ 4 bilhões, deixando embarcar o equivalente a US$ 520 milhões, considerando somente o setor de carnes, um dos mais afetados, aponta nota técnica elaborada pelo órgão, que é vinculado ao Ministério do Planejamento.

Exportadores de soja, café, suco de laranja e açúcar - produtos que o Brasil lidera no mercado global- também sofreram com a greve, gerando preocupações sobre a capacidade de honrar os embarques. "O que se observou durante a greve é que, em quase todos os segmentos, o produtor assumiu o prejuízo", diz um trecho do documento.

"O que se percebeu foi a dificuldade de se manterem os estoques e os níveis de insumos, o que acabou gerando pressão de custos para o produtor, que teve prejuízos líquidos", avalia, em nota, o Ipea.

Com a regularização na distribuição de alimentos, combustíveis e produtos regularizada, o governo reduzirá benefícios para levantar aproximadamente R$ 4 bilhões para manter a saúde das contas públicas ao mesmo tempo em que reduz impostos sobre o óleo diesel.

Consumidor

A análise do Ipea mostra que nas próximas semanas o consumidor vai arcar com os prejuízos absorvidos até o momento pelos produtores agrícolas, com pequeno impacto de alta na inflação que deve ser revertido ao longo dos próximos meses.

Os produtores de leite descartaram 280 milhões de litros do alimento, ao mesmo tempo em que reduziram a quantidade de ração para as vacas, o que vai exigir de um a dois meses para normalização, diz o texto do Ipea. "Esse manejo implicará problemas para a retomada da produção nos mesmos patamares anteriores à paralisação", diz o documento, citando a retirada da produção de animais com mais de 200 dias pós-parto.

"Dentro da indústria, o processo de fabricação de derivados lácteos pode ser comprometido por um tempo maior", afirma o Ipea, ressaltando que o cenário "deverá afetar diretamente os preços do leite e derivados no mercado doméstico".

O setor de aves e suínos registrou prejuízo de R$ 3 bilhões com a morte de 64 milhões de aves adultas e pintinhos.

Os prejuízos de frutas e hortaliças totalizam R$ 920 milhões, com o descarte de mercadorias. "Como o ciclo das hortaliças é curto, em termos de abastecimento, já na próxima semana o consumidor terá o produto nos mercados na maior parte das cidades". As frutas mais atingidas foram mamão, uva, manga, goiaba e acerola. O setor de carne bovina, por outro lado, deixou de embarcar US$ 170 milhões, segundo o Ipea.

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