avanços

CE detém maior rede de fibra ótica do Nordeste; celular atende a 94%

Investimentos em tecnologia e mudanças na legislação traçam o caminho para continuar ampliando e modernizando a infraestrutura existente no Estado

01:00 · 07.07.2018 / atualizado às 01:37 por Hugo Renan do Nascimento - Repórter

O futuro das telecomunicações no Brasil e, especificamente, no Ceará indica uma série de transformações que passam por aumento de investimentos e mudanças nas legislações das cidades, com o objetivo de melhorar e modernizar a infraestrutura existente. No ano passado, de acordo com relatório anual da Agência Nacional de Telecomunicações, o Estado ampliou a banda larga, passando de 20,41 acessos por 100 domicílios para 25,40 em 2017.

A cobertura por fibra ótica também ganhou destaque, consolidando o Ceará como a unidade da federação mais fibrada do Nordeste, abrangendo 79,89% dos municípios. Na contramão, a telefonia fixa encolheu, impactada pela crise econômica. O segmento atendia em média 24,08 de 100 domicílios, abaixo dos 25,84 do ano de 2016, resultado muito inferior ao do Brasil (59,01).

LEIA AINDA: 

> Confira perfil do setor de telecomunicações no CE e no Brasil
> 41 cidades do Ceará não possuem tecnologia 4G 
> Número de lares com acesso à banda larga avança 24,4%
> Hub tecnológico: fibra ótica em 80% dos municípios 
> Data Center: Angola Cables inicia pré-venda da 2ª fase
 
Bem difundida no Ceará, a telefonia móvel, que atende cerca de 94% da população cearense, também teve resultado menor de um ano para o outro. Em 2017, foram em média 101,53 acessos por 100 habitantes, enquanto que em 2016, foram 109,49. A média do Brasil é de 113,88 acessos por 100 moradores, o que sinaliza que no Estado ainda existem áreas "descobertas" pela telefonia móvel e que necessitam de investimentos para elevar a quantidade de antenas e melhorar a infraestrutura.

Ainda conforme o relatório da Anatel, em dezembro do ano passado, o Brasil alcançou a marca de 323,6 milhões de acessos em todos os serviços, enquanto que em julho de 1998, momento da transição da exploração dos serviços, o País contava com 28 milhões de acessos. "Foram 236,4 milhões de celulares; 40,7 milhões de telefones fixos; 28,6 milhões de acessos em banda larga fixa e 17,9 milhões de TV por assinatura. Comparando com 2016, ocorreram reduções de 3% no Serviço Móvel Pessoal, 3% no Serviço Telefônico Fixo Comutado e 5% no Serviço de Acesso Condicionado. Destaque para o serviço que continua interessando ao consumidor, o Serviço de Comunicação Multimídia, que manteve crescimento de 7%", avaliou o documento.

Entraves

Além disso, os usuários estão cada dia mais exigentes com os produtos que recebem em casa e nas ruas. Especialistas também apontam que é preciso democratizar o acesso, uma vez que cidades do interior do País ainda não possuem conexão por voz e dados, e descentralizar empresas para tornar a experiência dos consumidores mais justa com o preço pago pelos serviços.

De acordo com o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Carlos Duprat, uma das principais queixas da sociedade é o sinal de telefone e internet que é inconstante em algumas regiões do País. "No que diz respeito à telefonia móvel nós temos dois entraves. O primeiro deles é a dificuldade na instalação de antenas que está sujeita às legislações municipais que são muitas vezes restritivas. Nós estamos fazendo um esforço para mudar essa situação".

Outro ponto citado por Duprat está relacionado às cidades menores. "Temos a questão da interiorização do serviço em distritos, vilas. O que vem acontecendo, de uma forma geral, ao longo dos anos é que os leilões têm um viés arrecadatório. Eles querem menos obrigações para atender esses locais. As empresas de telefonia pagam mais nestes leilões, mas não têm essa obrigação. Você atende áreas de interesse financeiro. O que a sociedade exige é que haja cobertura compatível com o preço que se paga", analisou.

Universalização

Segundo o diretor-executivo, foram criados fundos para a universalização dos serviços de telefonia. Porém, de acordo com ele, o governo está usando estes recursos de forma indevida em outros setores. "Você 'descobre' um santo para cobrir outro. Nós estamos subsidiando o diesel com dinheiro que deveria conectar o brasileiro. É preciso disponibilizar a utilização dos fundos para a internet ser universalizada e isso precisa ser priorizado".

Com a democratização do acesso, Duprat afirmou que haverá sobrecarga no sistema, caso não haja investimentos. "Mesmo o usuário ao trocar o telefone por um smartphone ele impõe à rede um acréscimo de tráfego de mais de 100 vezes e isso faz com que eu tenha que investir se não vai piorar", destacou.

De acordo com ele, as operadoras estão fazendo a parte delas. "Tínhamos que ter uma visão menos arrecadatória e uma visão mais de atendimento. Muitas vezes as autoridades tentam fazer isso, mas perdem a batalha para outros ministérios mais poderosos. É preciso ter um nível de investimento muito maior".

Futuro

O diretor-executivo do Sinditelebrasil afirmou ainda que há um "trabalho grande pela frente". Segundo ele, hoje a telefonia no Brasil é um dos setores mais competitivos do mundo. "É extremamente competitivo, com os preços caindo a cada ano, mas a gente precisa dar passos mais fortes. Existe a questão da tributação que é duas vezes e meia maior que a do segundo colocado". O futuro das telecomunicações, na opinião de Duprat, é um cenário de usuários mais conectados. "As pessoas para terem emprego terão de estar informatizadas. Nós estamos propondo um trabalho de capacitação para as novas tecnologias. Tudo isso precisa ser modernizado. Para a gente mudar a competitividade do País a conectividade é fundamental", afirma.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.