Questão com os EUA

Retaliação do Brasil à taxa do aço pode incluir Embraer

01:00 · 14.03.2018
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A parceria entre as empresas brasileira e estadunidense pode sofrer impactos caso os governos dos dois países não consigam entrar em consenso ( FOTO: AFP )

Brasília/Genebra. A área técnica do governo discute, de forma preliminar, uma lista de itens que podem ser eventualmente levados a uma negociação de país a país com os Estados Unidos na questão do aço. Entre eles, está a elevação das tarifas de importação do etanol de milho produzido lá, o adiamento da sanção do acordo de céus abertos e a parceria entre Embraer e Boeing.

Uma fonte disse que "tudo" está em discussão. Porém, não há decisão alguma sobre como esses itens serão usados na negociação - e nem se serão de fato levados à mesa. Até porque, concretamente, ainda não começou a negociação entre os governos de Brasil e EUA sobre o tema.

A estratégia brasileira é, primeiro, esperar os resultados dos entendimentos entre as empresas estadunidenses que serão prejudicadas com a aplicação da sobretaxa ao aço importado e a administração do presidente Donald Trump. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, disse que o Brasil vai dar apoio a essas empresas.

Exigências

O governo dos Estados Unidos apresentou cinco exigências aos países que querem ser isentos da taxa para as importações de aço e alumínio. O detalhamento foi já apresentado a diplomatas japoneses, europeus e coreanos. Na avaliação de alguns negociadores, os critérios, no entanto, são mais políticos do que comerciais. E não ficou claro como os EUA vão controlar o cumprimento dessas exigências.

A mais polêmica estabelece que os governos que querem evitar a taxação do aço precisam apoiar as disputas lideradas pelos Estados Unidos nos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC). A exigência deve criar uma saia-justa para várias chancelarias que ensaiaram levar os EUA a julgamento na entidade. Também seria complicado para países que não têm interesse de atacar o governo chinês.

Trump também quer que os governos sejam "parceiros" dos EUA em termos de segurança, condicionando aspectos comerciais. Por fim, o governo também passaria a monitorar o volume das exportações de aço para o mercado americano.

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