EM 2016

Preço médio das passagens aéreas recua 5,1% no Ceará

Estudo divulgado recentemente pela Anac mostra que o valor médio dos bilhetes ficou em R$ 408,56

O custo médio das passagens aéreas no Ceará ficou acima da média nacional (R$ 349,14). Na região Nordeste, o valor foi o quarto menor, à frente apenas de Pernambuco (R$ 385,26), Sergipe (376,50) e Bahia (R$ 365,70) ( Foto: KidJúnior )
01:00 · 17.07.2017

Os passageiros com origem ou destino no Ceará, nos aeroportos de Fortaleza e Juazeiro do Norte, pagaram tarifa aérea média de R$ 408,56 em 2016, acima da média nacional, que fechou em R$ 349,14. Este foi o quarto menor valor entre os estados da região Nordeste, de acordo com dados do Anuário do Transporte Aéreo, divulgado recentemente pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na comparação com 2015, o preço médio dos bilhetes registrou queda de 5,1%.

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No Nordeste, o Ceará só aparece à frente de Pernambuco (R$ 385,26), Sergipe (376,50) e da Bahia (R$ 365,70). As tarifas médias mais altas da região foram observadas no Rio Grande do Norte (R$ 481,20), Paraíba (R$ 466,39) e Piauí (R$ 459,92). Já o Maranhão atingiu R$ 430,35.

No caso do Ceará, o valor médio de R$ 408,56 corresponde a uma distância direta média entre a origem e o destino do passageiro de 1.712 quilômetros (km), independentemente de escalas ou conexões.

A tarifa do Estado ficou acima da média nacional, que fechou em R$ 349,14 para 1.132 quilômetros de distância. Considerando todas as unidades federativas, os maiores valores foram observados em Rondônia (R$ 567,03), Roraima (R$ 562,05) e Acre (R$ 535,49). Já os menores foram identificados no Espírito Santo (R$ 277,04), Rio de Janeiro (R$ 298,97) e Santa Catarina (R$ 308,33).

Cenário econômico

De acordo com o levantamento da Anac, o preço médio do bilhete aéreo caiu em 14 estados, subiu em 12 e permaneceu estável em um. De 2015 para 2016, as maiores altas ocorreram no Mato Grosso (14,5%), Roraima (9%) e Minas Gerais (7,8%). Por outro lado, as quedas mais representativas foram observadas em Sergipe (-8,9%), Acre (-8,7%) e Santa Catarina (-7%). No País, a queda média foi de 1,8%.

Para o economista Alex Araújo, a redução no preço médio da tarifa aérea em grande parte dos estados reflete o cenário econômico nacional, cuja situação era ainda mais crítica no ano passado. Segundo ele, o número de viagens a lazer e a negócios caíram consideravelmente. Isso levou as empresas aéreas a baixar os preços das passagens por um determinado período para atrair os clientes.

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"No entanto, do fim de 2016 para cá, diante da capacidade ociosa das aeronaves, as companhias começaram a reduzir a oferta de voos em todo o Brasil. Os valores também subiram. Provavelmente, no próximo anuário, teremos aumento no preço médio dos bilhetes", estima.

Em 2016, o valor médio da tarifa nacional (R$ 349,14) recuou 1,8% em relação a 2015, cuja distância direta média foi de 1.105 km. Os meses de fevereiro, março, abril e novembro registraram alta real em relação aos mesmos meses de 2015, de 3,6%, 8,3%, 8,3% e 5,5%, respectivamente. Todos os demais meses do ano apresentaram redução real da tarifa aérea média doméstica, sendo a maior baixa em julho (-10,6%).

A maioria dos assentos das aeronaves comercializados em 2016 (53,5%) correspondeu a tarifas aéreas domésticas inferiores a R$ 300. Em 2015, essa proporção foi de 54,5%. O anuário destaca, ainda, que assentos comercializados com tarifas inferiores a R$ 100 representaram 7,7% do total em 2016, enquanto elas representaram 9,1% no ano anterior. Tarifas acima de R$ 1.500 somaram 0,5% em 2016, contra 0,9% em 2015.

Custo por quilômetro

Em 2016, o yield (valor médio que o passageiro paga por quilômetro voado em território brasileiro) fechou em R$ 0,308, em termos reais, uma queda real de 4,1% em relação a 2015. Nove meses tiveram redução no yield, tendo o mês de agosto apresentado a maior variação negativa (-12,3%). A maior alta foi registrada no mês de março (11,4%).

A maioria dos assentos comercializados em 2016 (55,8%) correspondeu a valores de yield inferiores a R$ 0,30 por quilômetro. Em 2015, 53,5% dos assentos foram comercializados abaixo desse valor. Já os assentos vendidos com valores inferiores a R$ 0,10 por quilômetro representaram 3,5% do total em 2016, ante 5,3% em 2015. Em contrapartida, 2,7% dos assentos foram comercializados com valores superiores a R$ 1,50 por quilômetro no País, proporção inferior a 2015 (2,9%).

A análise das 27 unidades da federação revela que o menor yield em 2016 foi identificado na Paraíba (R$ 0,231 por km), seguida do Amazonas (R$ 0,237) e do Ceará (R$ 0,239). Os maiores valores foram registrados em Minas Gerais (R$ 0,416), Goiás (R$ 0,365) e Mato Grosso (R$ 0,346).

Na comparação com o ano passado, porém, a variação do yield foi negativa em 24 unidades da Federação e positiva em apenas três estados. Os maiores recuos foram observados em Sergipe (-17%), Amapá (-15,8) e Santa Catarina (-8,9). No Ceará, o recuo foi de -6,4%.

Análise

Segundo a Anac, a retração econômica nacional afetou diretamente a demanda por voos nos últimos anos. O anuário mostra que, em 2016, foram transportados 109,6 milhões de passageiros pagos no País, sendo 88,7 milhões em voos domésticos e 20,9 milhões em voos internacionais. O número representa um recuo de 6,9%, após 13 anos de crescimento da demanda.

A demanda doméstica do transporte aéreo de passageiros apresentou, no ano passado, sua primeira baixa após mais de dez anos de crescimento, tendo reduzido 5,7% no ano em termos de passageiros-quilômetros pagos transportados.

"Ainda assim, este indicador praticamente duplicou nos últimos dez anos, com alta de 95% entre os anos de 2007 e 2016 e com crescimento médio de 7,7% ao ano. Esse crescimento representou praticamente cinco vezes o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e mais de oito vezes o da população nacional", informa a Anac.

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