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Mercado de seguros salta 85,1% no CE em cinco anos

Com maior consciência dos riscos do cotidiano e de como reduzí-los, cearenses estão mais precavidos

01:00 · 07.10.2017 por Yohanna Pinheiro - Repórter

O dito popular de que o sábio pensa a longo prazo se materializa quando a questão é sobre seguros - afinal, desembolsar valores altos na esperança de não precisar sequer utilizar a garantia que está sendo paga parece um mau negócio a um olhar menos cuidadoso. No entanto, somente quem pensa no longo prazo vai conseguir resguardar a si próprio e à família com estabilidade financeira no caso de algum imprevisto.

Seja para proteger o veículo de batidas ou roubos, a residência de incêndios, ou os dependentes de ficarem sem parte da renda no caso de morte do provedor da casa, os cearenses estão cada vez mais preocupados em se prevenir dos riscos que cercam a vida cotidiana. O mercado de seguros cresceu 85,1% no Ceará em cinco anos, de 2012 a 2016, o correspondente à terceira maior ampliação do País, depois de Tocantins (134%) e do Distrito Federal (101,3%).

> Seguros de automóvel são os mais populares 
> Cresce adesão a planos de saúde
> Consumidores procuram seguros após terem prejuízos 
> Cresce interesse em proteger equipamentos
 
O dado é da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). Sem contar com a saúde suplementar, a arrecadação foi de R$ 6 bilhões em 2016 no Estado, sendo os maiores arrecadadores os ramos da previdência privada Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e os seguros de automóveis com, respectivamente, 1,4 bilhão e R$ 338,8 milhões no primeiro semestre do ano.

No País, esse mercado movimenta 6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e, conforme pesquisa do Centro de Serviços de Estudos da MAPFRE, cresceu 11,6% nominalmente no ano passado, chegando ao patamar de R$ 205,5 bilhões. De acordo com dados da CNseg, o mercado brasileiro de seguros, sem contar com o segmento de saúde suplementar, cresceu 49,2% de 2012 a 2016.

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Prevenção

De acordo com o professor José Varanda, da Escola Nacional de Seguros, a base desse mercado é a prevenção para casos de necessidade de aportes financeiros significativos, sejam para pessoas físicas ou jurídicas. "É realmente algo que para ser adquirido pensando em não usar, apenas quando for de fato necessário, para então ter uma segurança de que o problema, caso venha a acontecer, será coberto pela seguradora", explica. Entre as principais tendências do mercado, segundo Varanda, está o seguro de vida. Ele aponta que a sociedade está se conscientizando, aos poucos, considerando os altos riscos de se adquirir uma doença grave ou de ser vítima da violência urbana, em assegurar que os familiares não fiquem desprovidos caso algo aconteça com alguém que contribui de forma relevante para a renda familiar.

Outro segmento em alta, de acordo com o professor, é a previdência privada, principalmente o regime VGBL. "Com as movimentações para aprovar a Reforma da Previdência, a tendência é que o valor a ser recebido pelo regime geral da aposentadoria seja cada vez menor. Com isso, o brasileiro tem se preocupado em complementar essa renda, conscientização essa que tende a crescer", avalia Varanda.

Retomada

Com a crescente recuperação do mercado nos últimos meses, outro segmento que deve avançar é o seguro de automóveis. "Além do crescimento das vendas dos carros, é mesmo uma questão de necessidade por conta da alta taxa de sinistralidade", aponta o professor, destacando que o seguro veicular costuma ser frequentemente acionado por conta de batidas, roubos e outros serviços pelos clientes.

Além dos seguros mais convencionais, também têm surgido opções um tanto inusitadas, como de pernas de jogadores de futebol e mãos de cirurgiões. "É um tipo de seguro não muito frequente, que cobre acidentes pessoais que impeçam a pessoa de exercer seu trabalho e de ganhar seu salário", pontua Varanda, destacando que os valores dessas modalidades costumam ser altos por ainda não haver muitos contratantes.

Com isso, os seguros, se utilizados corretamente, podem minimizar os prejuízos decorrentes de danos a patrimônios duramente construídos, à saúde de pessoas e à estabilidade financeira de empresas.

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