Mercado de trabalho

Geração de emprego entre os mais jovens sobe 56% no CE

Mesmo beneficiado pelo fluxo maior de vagas, esse público perde em salário, segundo especialista

Trabalhadores homens entre 19 e 24 anos tiveram 1.116 vagas com carteira assinada no último mês de março, segundo o Ministério do Trabalho ( FOTO: MARÍLIA CAMELO )
01:00 · 01.05.2018 por Hugo Renan do Nascimento - Repórter

Os homens com idade entre 18 e 24 anos são a maioria entre os admitidos no mês de março no Ceará, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Foram 1.168 vagas com carteira assinada nesta faixa, incluindo apenas os trabalhadores do sexo masculino. Nesta categoria, entre 18 e 24 anos, englobando por sua vez homens e mulheres o saldo foi positivo em 1.962 empregos gerados, o maior entre todas as faixas etárias pesquisadas, e registrando um crescimento de 56%, em relação ao mesmo período do ano passado.

O saldo também foi positivo para a faixa de até 17 anos, com a geração de 137 postos. A faixa etária entre 25 e 29 anos apresentou saldo de 81 vagas. Em sentido contrário, a categoria de idade entre 30 e 39 anos encerrou 674 postos, de 40 a 49 (-507), de 50 a 64 (-647) e 65 anos ou mais (-114). Em março, juntando todas as faixas, o Ceará obteve saldo positivo de 238 vagas.

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Para o analista de Mercado de Trabalho do Instituto do Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, o resultado demonstra uma forte rotatividade no mercado, uma vez que os mais jovens são os mais prejudicados. "Isso não é um movimento voluntário do jovem. Mais da metade das admissões se dá entre as pessoas que têm um ano de emprego. Os jovens acabam sendo penalizados", afirma.

De acordo com ele, os admitidos ganham em torno de 9% a menos de quem foi demitido em março deste ano. "O salário médio dos contratados é de R$ 1.207,19, enquanto que a média salarial dos demitidos está em R$ 1.307,93. Em março do ano passado, esse percentual era de 7,7% a menos", avalia.

"Isso significa que 2018 segue desfavorável para o mercado de trabalho. O desemprego ainda é bastante expressivo e se segue ao rebaixamento salarial", acrescenta Mesquita. Ele diz ainda que, dessa forma, os trabalhadores mais velhos e experientes são os mais penalizados, uma vez que a maioria dos empregos fica com os jovens.

Dificuldades

Conforme o analista do IDT, outra dificuldade gerada por conta da rotatividade é o custo elevado para os segmentos da economia. "Ao praticar uma rotatividade fica difícil para as empresas ter ganhos de escala de produção". Segundo ele, a rotatividade é utilizada muitas vezes como ajustes com os custos de trabalho. "Os empregadores demitem os trabalhadores com mais experiência para contratar os mais jovens, seja por motivo de renovação e o padrão de remuneração", explica.

Fevereiro

Em fevereiro deste ano, o Estado perdeu 213 vagas de emprego formal. Apesar do número, o resultado foi positivo apenas para duas faixas de idade. Até 17 anos, o Ceará registrou a abertura de 172 postos de trabalho. Na categoria de 18 a 24 anos, o resultado foi mais expressivo. Foram 1.041 vagas criadas (600 no sexo masculino e 441 no feminino). Todas as outras faixas etárias apresentaram resultados negativos. De 25 a 29 anos, foram menos 316 postos. De 30 a 39 anos (-405), de 40 a 49 (-158), de 50 a 64 (-458) e 65 anos ou mais (-89).

Ano passado

Em março de 2017, os resultados do Caged demonstram que o saldo por faixa de idade sofreu alterações, a exemplo da perda de vagas, que ao todo foram menos 4.590 postos de trabalho. Mais uma vez as categorias dos trabalhadores de até 17 anos geraram 199 vagas e a de 18 a 24 anos, 1.257. Todas as outras faixas etárias encerraram postos de emprego. Os trabalhadores de 25 a 29 anos perderam 857 vagas. Já de 30 a 39 (-2.246), de 40 a 49 (-1.520), de 50 a 64 (-1.266) e 65 ou mais (-157).

Brasil

O cenário do mercado de trabalho brasileiro é semelhante ao verificado no Ceará. De acordo com o Caged, durante o mês de março, foram criadas mais de 56 mil postos de trabalho. A faixa de 18 a 24 anos foi a maior beneficiada ao gerar mais de 74 mil empregos no período. Em seguida aparecem a categoria de até 17 anos (20.176) e 25 a 29 anos (6.824). Perderam postos de trabalho formal as faixas de 30 a 39 anos (-4.006), de 40 a 49 (-9.206), de 50 a 64 (-26.196) e 65 anos ou mais (-5.469).

Os números são mais otimistas se comparados a igual período de 2017, segundo o Caged. Em março de 2017, o Brasil fechou mais de 57,5 mil vagas, resultado da criação de 16.310 postos de trabalho na faixa de trabalhadores com até 17 anos e 39.578 de 18 a 24 anos, além do encerramento de 11.384 (25 a 29 anos), 29.871 (de 30 a 39), 25.044 (40 a 49), 41.000 (50 a 64) e 6.183 (65 anos ou mais).

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