recuo de 0,48%

Dólar interrompe 7 altas, mas segue acima de R$ 4

A Bolsa de Valores encerrou a sexta-feira com ganhos de 0,83%. Na semana, o indicador sustenta alta de 0,33%.

01:00 · 25.08.2018
DOLAR
O dólar comercial fechou cotado a R$ 4,104. A sexta-feira, no entanto, foi de oscilação e, na máxima, a moeda chegou a R$ 4,133

São Paulo. O dólar interrompeu uma escalada de sete pregões e fechou em baixa ante o real nessa sexta-feira (24), num movimento de correção e também conforme a aversão global a risco perdeu força, mas sem abandonar o patamar de R$ 4.

O dólar comercial recuou 0,48%, para R$ 4,104. O dia, no entanto, foi de oscilação e, na máxima, a moeda chegou a R$ 4,133. O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa brasileira, avançou 0,83%, para 76.262 pontos. Na semana, o indicador sustenta alta de 0,33%.

Pela manhã, o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Jerome Powell, trouxe tranquilidade ao mercado ao reforçar o gradualismo na alta de juros por lá. Taxas de juros mais elevadas nos Estados Unidos fortalecem o dólar e atraem, para a maior economia do mundo, fluxo de capital alocado em outros países, como o Brasil. Powell disse que espera uma gradual, porém firme, política de aumento de juros enquanto o Fed busca equilibrar o crescimento econômico com pressões inflacionárias e eventuais efeitos colaterais decorrentes da expansão americana.

“Eu vejo o caminho atual de aumentar as taxas de juros gradualmente como a abordagem de levar a sério os dois riscos”, afirmou. A fala de Powell pode ser entendida como um recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já atacou publicamente a política monetária do Fed. Em julho, afirmou que a alta feria a economia americana e conflitava com os esforços do governo para impulsionar o crescimento dos EUA.

Repercussão positiva

Segundo Fabrício Stagliano, analista-chefe da Walpires Corretora, embora o discurso de Powell não traga novidades sobre os rumos da política monetária do país, a repercussão foi positiva para o mercado. Lá fora, 27 das 31 principais divisas do mundo avançaram em relação à moeda americana. “Ele não disse nada de novo, mas também não sinalizou um aumento de juros mais acelerado, e havia essa expectativa por parte do mercado”, diz Fabrício Stagliano.

Desde dezembro de 2015, o Fed já elevou sete vezes os juros nos EUA. Neste ano, foram duas altas, e mais duas são esperadas –uma na reunião de setembro e outra na de dezembro.

Acumulado

Na semana, o dólar acumula alta de 4,8%, após uma bateria de pesquisas eleitorais mostrarem Geraldo Alckmin (PSDB) – candidato à Presidência preferido pelo mercado por ser visto como um nome reformista – ainda sem tração significativa, ao mesmo tempo em que investidores começaram a precificar a possibilidade de um candidato do PT chegar ao segundo turno.

“Essa semana foi um resumo do que podem ser as próximas até a eleição. A Bolsa, por exemplo, subiu muito num dia, caiu muito no outro e, no fim, ficou quase estável”, diz Alvaro Frasson, analista da Spinelli. O Ibovespa chegou a subir 2,29% na quarta e cedeu 1,65% na quinta – na semana, acumulou 0,33%.

Ações

Os mercados acionários europeus e nos Estados Unidos encerraram seus pregões em alta, influenciados positivamente pelas declarações do presidente de Powell em Jackson Hole. 

Por aqui, as ações da Petrobras fecharam em alta de 0,57% (ON) e de 1,95% (PN) e da Vale ON, 1,50%. Ainda entre as blue chips, no bloco financeiro, Banco do Brasil ON avançou 1,37%, Bradesco, 0,89% e Itaú Unibanco, 0,75%. Já as Units do Santander recuaram 0,03%. 

Com a valorização contínua da divisa americana nas negociações locais, o mercado acionário brasileiro segue atrativo aos olhos dos não-residentes.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.