Economia local

Ciclo de oportunidades para emprego e serviços surge com eleição

A maior quantidade de pessoas trabalhando e o crescimento registrado pelas empresas diretamente ligadas às eleições ajudam a aquecer a economia

01:00 · 01.09.2018

Iniciada oficialmente no último dia 16 de agosto, com previsão de encerramento em 6 de outubro, a campanha eleitoral de rua já reverbera em Fortaleza, gerando empregos temporários e induzindo, por consequência, uma movimentação sazonal favorável na economia local.

No período, muitas pessoas partem à procura de uma oportunidade de trabalho, seja para ganhar algum dinheiro no período e driblar o desemprego, ou mesmo para contar com mais um "bico" que venha a complementar a renda.

O período aumenta, em especial, a demanda por várias atividades ligadas ao setor de serviços, seja para empunhar bandeiras, entregar santinhos (pesca na urna) dos candidatos ou dirigir carros de som, dentre outras.

Leia também:
 
> Gráficas têm incremento de até 30% no período 
> Ganhos 60% maiores com a produção de jingles
 
> Locadoras faturam mais na campanha
 
O total dos montantes destinados à confecção de materiais para propaganda de rua no Ceará, bem como em todo o Brasil, entretanto, ainda não foi contabilizado, tendo em vista que os candidatos deverão realizar a declaração de contas parcial junto à Justiça eleitoral, no prazo de 9 a 13 de setembro, informa o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).

Perfil

Entretanto, de acordo com o analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) e cientista político, Erle Mesquita, as pessoas engajadas em prestar serviços nas campanhas são, em alguns casos, aquelas que também atuam em outras atividades. E que sempre aproveitam "ciclos de oportunidade", como as eleições, festas juninas ou Natal. "Esse ano foi modificado o processo de financiamento das campanhas, com maior controle dos materiais (colocados na rua)", o que pode reduzir o número de contratações. "Mas tem de tudo: tanto pessoas que trabalham integralmente, como pessoas que trabalham parcialmente e voluntariamente nessas campanhas", detalha Mesquita.

O especialista lembra que, embora haja controvérsias, a literatura já afirma que o período de campanha eleitoral desenvolve uma dinâmica econômica mais positiva. "Há um impacto (de movimentação na economia), mas está cada vez mais difícil fazer uma análise precisa disso. É possível dizer que o processo eleitoral movimenta diferentes cadeias e que estabilizou a queda do emprego. Sem o processo eleitoral 2018 a gente poderia estar numa situação mais crítica", afirma.

Efeito temporário

Supervisor técnico regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Ceará, Reginaldo Aguiar corrobora com a informação de que o processo eleitoral injeta dinheiro na economia cearense, porém sem representar algo duradouro. "Os empregos eleitorais não têm um peso tão significativo porque são ofertados em um pequeno período; é muito limitado. Mas tudo o que vier para melhorar a economia é (bom) negócio", avalia.

Jovens em destaque

Segundo Aguiar, os jovens são aqueles que mais procuram por vagas temporárias durante as eleições, tendo em vista que também fazem parte de um grupo cuja taxa de desemprego é maior. É o caso da estudante, Dilceane Landim Rodrigues. Com 23 anos, integra um grupo de 32 pessoas que fazem bandeiraços em Fortaleza. Os R$ 1.500 que ganha para adesivar carros e pessoas é uma "boa renda extra" para ela que parou os estudos por motivo de doença e ainda está desempregada.

Com 42 anos e desempregado há quase 3 meses, o confeiteiro Fernando Lima também encontrou nas eleições uma oportunidade para ganhar dignamente algum dinheiro. Foi para a rua balançar bandeira na expectativa de, em breve, conseguir um novo trabalho. Apesar de ter que encarar o sol e chuva durante 45 dias, se declara satisfeito com a remuneração de um salário mínimo. Sem contar com os outros benefícios que recebe: lanches e vale transporte.

Precarização

Para o supervisor técnico do Dieese, a Reforma Trabalhista está hoje entre os principais motivos de elevação da taxa de desemprego no Brasil, fator que contribui para a precarização da mão de obra. "Com o bico institucionalizado, a economia sofre um efeito mais danoso porque a produtividade cai muito. E isso não se sustenta a médio prazo".

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.