NEGOCIAÇÕES COM CHINESES

Camilo quer Petrobras como sócia em refinaria

Governador afirma que o objetivo de envolver a estatal é obter estudos já desenvolvidos para o projeto da Premium II

Governador revelou convite feito à Petrobras em cerimônia de assinatura de termo de cooperação técnica com Banco do Brasil e a Fiec ( Foto: Helene Santos )
00:00 · 21.04.2017 por Armando de Oliveira Lima - Repórter

A Petrobras poderá se envolver novamente com o projeto para uma refinaria de petróleo no Ceará. O convite foi feito pelo próprio governador Camilo Santana, que busca, nesta nova relação, obter os estudos já desenvolvidos pela estatal durante a instalação da Premium II - planejada para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) e abortada em 2015. Os documentos e, principalmente as licenças emitidas, devem agilizar em dois anos o processo da nova planta, fruto de negociações entre governo estadual com a empresa chinesa Guangdong Zherong Energy.

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"Estamos trabalhando há mais de dois anos uma refinaria com os chineses. Fui solicitar pessoalmente para que a Petrobras disponibilizasse todo o acervo técnico feito para a refinaria no Ceará a esta empresa interessada. É um projeto que está totalmente licenciado ambientalmente e teve um grande investimento da Petrobras. Inclusive, eu coloquei que se a Petrobras quiser entrar como sócio no projeto com valor que investiu no projeto, não teria problema nenhum", contou o governador na tarde de ontem (20) durante assinatura de termo de cooperação técnica com o Banco do Brasil e a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

O governador referia-se à visita que fez ao presidente da estatal, Pedro Parente, na semana passada no Rio de Janeiro.

Proposta bem recebida

Camilo Santana ainda afirmou que a proposta foi bem recebida pelo executivo, o qual "se colocou totalmente a disposição" e se comprometeu de montar uma agenda entre técnicos da Petrobras com representantes da empresa chinesa. "O presidente da Petrobras não falou nem que sim nem que não, mas colocou como objeto de estudo. Ele, prontamente, pediu para uma equipe começar a averiguar", revelou o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Cesar Ribeiro, que também esteve no encontro com a estatal.

Ribeiro, assim como sinalizou o governador, ressaltou que, independente da resposta da Petrobras à proposta feita por Camilo de sociedade no projeto, o valorizado neste momento é o canal de diálogo que foi aberto com a empresa.

Negócios estratégicos

"A Petrobras, na realidade, tem interesse de fazer qualquer parceria", afirmou Camilo, endossado pelo assessor de Assuntos Internacionais do governo cearense e principal articulador do projeto da refinaria, Antônio Balhmann. Isso porque a nova estratégia da estatal direciona a empresa apenas para a principal atividade: produção de petróleo. Para as demais, o direcionamento é se desfazer ou ter participação mínima em projetos.

"Um outro diferencial importante é que a refinaria, agora, está dentro da ZPE (Zona de Processamento de Exportação)", destacou o assessor, sinalizando o caráter exportador do empreendimento.

Liderança

Sobre a proposta de Camilo ao chamar a Petrobras, Balhmann observou que isso não muda a negociação do governo com a Guangdong Zherong Energy. A empresa chinesa deve capitanear o projeto e já tem uma equipe com executivos de alto escalão tratando exclusivamente do projeto do Ceará.

Outra articulação feita pelo assessor de Assuntos Internacionais e que se configura consolidada agora é a parceria com a empresa iraniana Nioc (National Iranian Oil Corporation), a qual será a principal fornecedora de óleo para a refinaria cearense. "Hoje (ontem), por sinal, estamos levando para o governador assinar a oficialização de interesse do Ceará na participação do Irã no projeto", contou.

Se o cronograma correr como o previsto e o projeto for apresentado à NDRC (comissão chinesa do Ministério do Comércio) e obtiver aprovação até dezembro deste ano, Balhmann prevê que, em junho de 2018, o Ceará e a chinesa Zherong já poderão solicitar financiamento pelo fundo que apoia o acordo Brasil-China. Ao todo, o projeto da refinaria é estimado entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões.

"Certamente, a maior parte será financiada por agentes financeiros chineses. Pelo menos uns 60 a 70%. A outra parte acredito que possa ser financiada pelos iranianos e, de repente, de um agente financeiro brasileiro. O Banco do Brasil, que é signatário do acordo ou BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social). E uma parte pequena que pode ser feita pelo governo estadual", estimou.

Mucuripe

Cesar Ribeiro ainda informou que está "recebendo um dos investidores que estão interessados na tancagem do Porto do Mucuripe - a holandesa Vopak - e solicitamos a Petrobras que enviasse um diretor também para acompanhar".

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