Reflexo pequeno na economia

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Especialistas acreditam que as medidas do BC devem melhorar o funcionamento do Sistema Financeiro

Rio/São Paulo. As medidas anunciadas ontem pelo Banco Central (BC) devem melhorar o funcionamento do sistema financeiro nacional, mas terão pouco impacto na economia. Na avaliação de analistas, elas representam mais uma carta de intenções da autoridade monetária, mas que não detalham, por exemplo, os caminhos para reduzir os juros para famílias e empresas.

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"Não é nada que mude a avaliação do cenário econômico. São medidas de caráter estruturante e que vão simplificar e reduzir os custos, mas nada de curto prazo", afirma Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

Como exemplo de medida que é positiva, mas não terá efeito imediato, ele cita a unificação das regras dos compulsórios bancários (recursos dos bancos que ficam depositados no BC), que atualmente têm prazos e alíquotas de recolhimento diferentes.

Outro ponto que chamou atenção de economistas foi a proposta de criação do depósito remunerado. Hoje, o BC vende títulos do Tesouro Nacional que tem em carteira para diminuir o excesso de dinheiro no mercado - as chamadas operações compromissadas. O mecanismo seria uma alternativa a esse tipo de operação. Em vez de comprar os papéis, as instituições financeiras poderiam deixar dinheiro rendendo no próprio BC.

Na prática, o principal ganho seria uma redução da dívida pública, explica Luiz Eduardo Portella, economista e sócio do Modal Asset. Isso porque as operações compromissadas aumentam a quantidade de títulos no mercado e, com isso, elevam o estoque da dívida. Como o depósito remunerado seria uma operação realizada diretamente com o BC, sem papéis do Tesouro envolvidos, o custo de financiamento seria menor.

Portella destaca, no entanto, que muitos analistas e até agências de classificação de risco já excluem de seus cálculos o peso das operações compromissadas, portanto, o efeito sobre as estatísticas deve ser limitado.

Ex-diretor do BC, o economista Carlos Thadeu de Freitas lembra que o mecanismo proposto é muito semelhante à extinta Letra do Banco Central, título que era emitido pela própria autarquia até o início dos anos 2000.

Ausências

Também foram notadas algumas ausências do pacote. Freitas defende, por exemplo, o uso de compulsórios para estimular a reestruturação de dívidas. Já Campos Neto, da Tendências, destaca o que chama de "não medida": havia o rumor de que o Banco Central reduziria o prazo que as administradoras de cartões de crédito têm para pagar os lojistas, dos cerca de 30 dias hoje para dois dias.

Embora benéfica para quem vende, a medida poderia prejudicar emissores de cartões com menor capacidade financeira. "A medida do cartão não veio provavelmente devido às repercussões negativas dos últimos dias, quando a ideia foi ventilada. Há necessidade de uma análise mais criteriosa e talvez isso fique para um próximo anúncio", avalia o economista da Tendências.

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