EM 2017

Fortaleza é a capital brasileira que mais recuou na extrema pobreza

A queda de 52,3% foi destaque na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual, do IBGE

A queda foi a maior do País em números absolutos e a quinta em dados relativos entre os estados brasileiros. ( José Leomar )
12:03 · 02.06.2018 / atualizado às 12:13

Fortaleza foi a Capital brasileira que mais reduziu o número de pessoas na extrema pobreza, em 2017. A queda de 52,3% foi destaque na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme o estudo, 60.579 pessoas, do total de 115.617 registradas no ano anterior, passaram a ter rendimento mensal per capta acima de R$ 85,00. A análise comparou a redução segundo os parâmetros do Programa Bolsa Família.

A segunda capital com maior taxa de redução foi Vitória, no Espírito Santo. Lá foi registrado um número 36% menor do que o verificado no ano anterior, entre aquela população que tinha renda per capta igual ou inferior a R$ 85,00, comparando 2017 com 2016. 

Também registraram queda as cidades de Cuiabá (27,3%); Goiânia (26,3%) e Belo Horizonte 22,2%). Na sequência, três capitais da região Nordeste também se destacaram na diminuição da extrema pobreza. João Pessoa recuou 17,6%; Teresina, perdeu 15,8% de pessoas naquela situação; e Recife recuou 2,7% no índice. 

Todas as demais capitais do País tiveram aumento de pessoas com renda inferior a R$ 85. O destaque negativo ficou por conta de Natal. A Capital Potiguar foi a que teve o maior aumento percentual do Brasil, com 123,1% a mais. Em seguida ficou Manaus, com acréscimo de 68.255 pessoas na faixa de renda per capita até R$ 85, representando avanço de 114,3% na condição, segundo a PNAD.

Já em números absolutos, o pior cenário percebido em todo o País foi em Salvador, na Bahia. Lá, o estudo percebeu que  86.672 pessoas caíram para a situação de extrema pobreza em 2017. Percentualmente, o avanço foi de 90,9%. 

ARTE

O fato de a Capital Cearense puxar a fila dos recuos do País animou o prefeito, Roberto Cláudio. “A conquista de Fortaleza neste campo torna-se ainda mais significativa porque somente oito das 27 capitais brasileiras conseguiram redução no número de pessoas que saíram da extrema pobreza. A PNAD revelou que cidades até mais ricas que Fortaleza, como São Paulo, Rio de Janeiro e até mesmo Brasília, registraram dados de crescimento no número em situação de extrema miséria”, afirmou o prefeito.

Conforme o gestor, o bom desempenho de Fortaleza é o resultado de “ações planejadas de governança, aliadas com investimentos públicos e privados que garantem geração de emprego e renda para a população”.

Estados

O resultado de Fortaleza ajudou o Estado do Ceará a apresentar a maior redução da extrema pobreza entre todas as unidades da Federação. Em 2017, conforme a PNAD, 730.794 pessoas viviam com renda per capita de até R$ 85 por mês. O número representa 3,57% (24.887) a menos em comparação com o ano de 2016, quando eram 755.681 miseráveis.

A queda foi a maior do País em números absolutos e a quinta em dados relativos entre os estados brasileiros. Apesar da redução, o Ceará ainda é o sexto Estado do País com maior número de pessoas vivendo com renda domiciliar per capita menor ou igual a R$ 85. 

Na região Nordeste, o Ceará foi o único Estado a apresentar redução no índice da extrema pobreza. Todos os outros registraram aumento. Percentualmente falando, as maiores altas da região foram nos estados do Piauí (36,36%), Bahia (31,58%), Sergipe (28,38%), Rio Grande do Norte (20,63%) e Pernambuco (19,18%).

Os estados com os maiores crescimentos da população em extrema pobreza estão localizados na região Centro-Oeste do País. No Distrito Federal, o aumento foi de 56,25%. Já no Mato Grosso, o avanço atingiu 53,33%. Já o estado do Paraná, representante da região Sul, apresentou a terceira maior alta do Brasil, com 43,75%.

O Estado do Ceará apresenta ainda o sétimo maior índice de Gini – que mede a concentração de renda – do País (0,560). Quanto mais próximo de um, maior é a concentração da renda. Ainda segundo a PNAD, 1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado, com média de R$ 19.935 ao mês, ano passado.  

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