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Idas ao supermercado diminuem com inflação

Compras estão sendo feitas com mais frequência no início do mês, quando há mais dinheiro na conta

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 00:00, em 07 de Junho de 2015)
Legenda: Uma das vantagens de ir aos supermercados semanalmente ou diariamente seria a possibilidade de se deparar mais com promoções
Foto: Foto: Kiko Silva

Com o salário corroído pelas altas de preços da gasolina e da energia elétrica, para citar apenas dois exemplos, o setor de supermercados do Ceará têm sentido uma mudança de postura dos consumidores neste ano: eles estão indo com menos frequência aos supermercados. Ou seja, é crescente a preferência pelas compras no início do mês, quando os clientes estão com mais dinheiro no bolso, segundo o presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Gerardo Vieira.

"Como as compras dos clientes, em grande parte dos casos, são compulsivas, eles preferem ir menos vezes ao supermercado", destaca. "A minha meta de vendas é 100%. O cliente vem no começo do mês e compra o que pode. Quando está na metade do mês, no dia 15, se eu não fizer pelo menos 55% fica muito difícil nos outros 15 dias completar os 45%", exemplifica.

Vieira afirma que isso faz com que o varejista tenha que estar mais preparado para essas visitas menos frequentes do consumidores. "Não podemos ter ruptura, isso nos faz perder vendas. O supermercadista tem que se esforçar mais para atrair esse consumidor que diminui a sua frequência, mas aumenta o valor da compra". Entretanto, ele ressalta que esse tipo de comportamento é mais facilmente constatado para consumidores com rendas mensais mais baixas, que têm mais necessidade controlar seus gastos. Em estabelecimentos localizados em bairros nobres, que atendem principalmente clientes com salários maiores, a situação é diferente.

Clientes A e B

Com foco nas classes A e B, os Mercadinhos São Luiz não vem registrando essa mudança de frequência por parte do consumidor. "Isso não foi percebido no nosso público. Não vejo necessidade nenhuma dessa mudança de comportamento, até porque a inflação de alimentos, de um modo geral, vem baixando. Nós continuamos apenas com aqueles picos de inflação. Você tem, por exemplo, o vilão de toda vida, que é o tomate. A inflação é localizada", defende o diretor da rede cearense de supermercados, Severino Neto.

Ele destaca, entretanto, que os clientes dos Mercadinhos São Luiz estão mais exigentes por preços mais compensatórios, sendo essa a principal mudança de comportamento constatada. "Onde tem alta de preços, tem rejeição do consumidor e ele não compra. Ele tem percebido cada vez mais que o dinheiro dele é importante", defende.

Como economizar

E qual seria, então, a maneira mais econômica de fazer as compras? Segundo a coordenadora institucional da Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Maria Inês Dolci, não existe uma receita a ser seguida por todos.

Fazer as compras mensais, semanais ou diárias podem ser compensatórias. "Isso vai depender do que você necessita. Para você comprar a longo prazo, precisa saber quanto você gasta de casa para não comprar mais do que o necessário. O cuidado é mais severo. Se você compra de 15 em 15 dias, pode ser que você compre mais dentro do seu perfil de gastos", defende.

Uma das vantagens de ir aos supermercados semanalmente ou diariamente seria a possibilidade de se deparar mais com promoções. Mas a coordenadora institucional da Proteste ressalta que nem sempre os valores promocionais são vantajosos, pois os consumidores podem acabar adquirindo os itens apenas por estarem mais baratos e não por necessitarem dos produtos de fato.

Maria Inês Dolci também faz um alerta: os itens promocionais podem estar com prazo de validade curto, o que pode fazer com que o consumidor compre o produto, mas não consiga consumi-lo antes do vencimento.

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