Desafio é gerir e ampliar as aplicações do Banco

Em um ano difícil para a economia do País, o BNB deve manter seu papel no desenvolvimento da região Nordeste

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
05 de Maio de 2015 - 00:00
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Legenda: Neste ano, o BNB deve aplicar R$ 27,2 bilhões, 7,3% a mais que no ano passado
Foto: FOTO: ALEX COSTA

Depois de registrar, em 2014, o maior resultado financeiro de sua história, o Banco do Nordeste (BNB) terá mudança em sua gestão. O economista Marcos Holanda, que é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), teve seu nome confirmado para assumir a presidência da instituição de fomento, através de sua nomeação publicada ontem no Diário Oficial da União (DOU). Holanda terá o desafio de, em um ano difícil para a economia nacional, gerir e ainda ampliar as aplicações do banco no desenvolvimento da região. Ainda não está definida a data exata em que Holanda assumirá o novo cargo, mas a previsão segundo ele próprio é até o fim da próxima semana. Ele precisa, antes disso, receber a cessão por parte da UFC. A indicação de Holanda para presidir o BNB já vinha sendo cogitada desde meados do mês passado.

> Desenvolvimento será foco da nova gestão do BNB

Informações publicadas pela imprensa nacional à época davam conta de que o seu nome havia sido levado ao Palácio do Planalto por Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado - o que este confirmou, ponderando que a indicação era para que Holanda atuasse no governo, não necessariamente à frente do banco. Marcos Holanda trabalhou junto a Eunício na campanha do senador para o Governo do Ceará, no ano passado.

A confirmação do novo presidente indica uma possível mudança no direcionamento da instituição de fomento. Eunício já declarou à imprensa local que o papel do BNB não é fazer lucro, mas gerar desenvolvimento para a região. O posicionamento veio após o banco anunciar que havia registrado, no ano passado - na gestão do atual presidente, Nelson de Souza (ligado ao PT do Piauí) -, o maior resultado financeiro de sua história, com um lucro líquido de R$ 747,4 milhões, que representa um crescimento de 107% sobre 2013.

O resultado operacional seguiu a mesma toada, alcançando um montante de R$ 1,13 bilhão, em um incremento de 105% sobre o ano anterior.

Marcos Holanda já trabalhou para o Governo do Estado através do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceara (Ipece), do qual foi fundador e primeiro diretor-geral. O atual diretor-geral do órgão, Flávio Ataliba, vê positivamente a nomeação. "Holanda é muito bom técnico, especialmente nas áreas de câmbio e finanças internacionais. E, com a experiência que teve no Ipece, poderá contribuir muito ao banco, principalmente através do fortalecimento na área de estudos e pesquisas sobre o Nordeste. Como professor, ele tem a percepção da importância disso para o entendimento da região e para o planejamento regional", analisa.

Ataliba também reforça que o BNB precisa focar mais em seu aspecto de desenvolvimento regional. "Não é só um banco comercial. O gestor maior do banco tem que garantir o equilíbrio financeiro da instituição, a lucratividade, porque é um banco e os acionistas esperam isso, mas precisa fortalecer esse papel de buscar o desenvolvimento do Nordeste, a redução nos desequilíbrios regionais", disse, considerando ainda, o desafio de Holanda em fazer o BNB atravessar este período mais complicado da economia brasileira com a intensificação de politicas sociais. "O microcrédito, o Crediamigo, é uma política importante para a região que deve ser ampliada", defende Ataliba.

Investimento

Em fevereiro, o atual presidente do banco divulgou que o BNB aplicará R$ 27,2 bilhões neste ano nos vários segmentos produtivos de sua área de atuação. O valor anunciado é 7,3% superior ao do ano passado.

Neste ano, o BNB deve aplicar R$ 27,2 bilhões, 7,3% a mais que no ano passado FOTO: ALEX COSTA

Sérgio de Sousa
Repórter