Ceará perde central de recebimento de embalagens de agrotóxicos
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Redação
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O InpEV promete a construção de quatro postos e coletas itinerantes para recolher as embalagens
A única central de recebimento de embalagens de agrotóxicos existente no Ceará, localizada no município de Ubajara, na região da Serra da Ibiapaba, está sendo desativada. Após 12 anos de funcionamento, vai virar um mero posto de recebimento. A partir de agora, os recipientes vazios serão encaminhados para o vizinho estado do Piauí. O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazia (inpEV), no entanto, assegura que não haverá retrocesso.
Embalagens de agrotóxicos usadas para pegar água em Independência-CE Foto Waleska Santiago
De acordo com o gerente da central de recebimento, Inácio Parente, a desativação da central e transformação em posto se devem à falta de compromisso por parte de revendedores de outras regiões do Estado. "De acordo com a lei, o frete do transporte do material do posto para a central é custeado pela indústria. O problema é que, sem postos, os agricultores têm que pagar para devolver as embalagens à central e o custo é muito alto. Deveriam ter sido criados, pelas associações de revendedores locais, nos últimos dez anos, postos nas regiões do Cariri, Sertão Central, Baixo Acaraú e Metropolitana, o que não foi feito até hoje", denuncia Inácio Parente, que é também vice-presidente regional da Federação e Agricultura Pecuária do Ceará (Faec).
Parceria
No caso da Ibiapaba, a central é gerenciada pela Associação do Comércio Agropecuário da Ibiapaba (Acai) em parceria com o inpEV, entidade sem fins lucrativos criada pela indústria fabricante de agrotóxicos para realizar a gestão pós-consumo das embalagens vazias de seus produtos de acordo com a lei federal nº9.974/2000 e o decreto federal nº4.074/2002.
A legislação estabelece a cada elo da cadeia (agricultores, fabricantes e canais de distribuição) responsabilidades. É a chamada A logística reversa: "instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação".
Conforme Inácio Parente, enquanto a central possui uma área de 500 metros quadrados construídos, uma aparelhagem para prensar o material, um gerente, um auxiliar administrativo e um vigilante, o posto é bem mais modesto, funcionando em apenas cem metros quadrados e contando apenas com um vigia que, em determinados dias pré-estabelecidos na semana, comparece ao local para receber as embalagens vazias.
"Além disso, a central separa as embalagens por tipo de plástico ou papel antes de proceder a compactação. Com o fim da nossa central, o que for recolhido no posto será encaminhado para a central existente no Piauí e, após o tratamento adequado, será encaminhado para a indústria em São Paulo", conta Inácio. O gerente revela que, em 2011, nada foi encaminhado para a capital paulista. "Pelas normas legais, somente quando se atinge a quantidade de 12 toneladas de um tipo de material, papel, plástico do tipo a ou b, é que a indústria manda recolher. Como o máximo que arrecadamos foram dez toneladas, as embalagens ficaram por aqui mesmo. Juntamos com o montante de 2012 e remetemos 24 toneladas".
Perigo
Sem a possibilidade de aplicar a logística reversa, os agricultores incineram ou enterram as embalagens, causando malefícios ao meio ambiente. Muitos acabam por optar por uma utilização mais perigosa ainda: usam os recipientes para armazenar água, prática muito comum no interior, sobretudo nos períodos de estiagem.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ubajara, José da Luz Mesquita, diz que é preciso tomar algum atitude. "Estamos tomando a iniciativa de reunir os órgãos públicos e as entidades civis para debater o assunto, que é dos mais graves. É preciso que cada município tenha um posto para receber esse material e não que a central existente desapareça".
O gerente de operações do InpEV, Paulo Ely do Nascimento, promete a construção de quatro postos de recebimento de embalagens até 2014 e garante que, com isso, ao contrário do que pode parecer, o Ceará terá uma coleta mais eficiente. "Não se justifica a existência de uma central no Ceará, que é responsável por apenas por 0,2% de participação no mercado nacional de consumo de embalagens no País. Além disso, a central fica muito distante das demais regiões. Nós estamos criados dois postos, um em Quixeré e outro na Serra da Ibiapaba, em Ubajara ou Tianguá. Além do mais, a desativação da central foi exigida pela Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Semace), pois a mesma está localizada na zona urbana do município".
Itinerante
Segundo Paulo Ely, além dos postos de Quixeré e na Serra da Ibiapaba, dois outros serão construídos em 2014, em Juazeiro do Norte e Missão Velha. "Afora isso, vamos implantar o recebimento itinerante. Marcaremos o dia, local e o horário para pegar o material, ou seja, sairemos da central e do posto e iremos ao encontro do agricultor com caminhão e o material necessário para recolher as embalagens"
FERNANDO MAIA
REPÓRTER
A única central de recebimento de embalagens de agrotóxicos existente no Ceará, localizada no município de Ubajara, na região da Serra da Ibiapaba, está sendo desativada. Após 12 anos de funcionamento, vai virar um mero posto de recebimento. A partir de agora, os recipientes vazios serão encaminhados para o vizinho estado do Piauí. O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazia (inpEV), no entanto, assegura que não haverá retrocesso.

De acordo com o gerente da central de recebimento, Inácio Parente, a desativação da central e transformação em posto se devem à falta de compromisso por parte de revendedores de outras regiões do Estado. "De acordo com a lei, o frete do transporte do material do posto para a central é custeado pela indústria. O problema é que, sem postos, os agricultores têm que pagar para devolver as embalagens à central e o custo é muito alto. Deveriam ter sido criados, pelas associações de revendedores locais, nos últimos dez anos, postos nas regiões do Cariri, Sertão Central, Baixo Acaraú e Metropolitana, o que não foi feito até hoje", denuncia Inácio Parente, que é também vice-presidente regional da Federação e Agricultura Pecuária do Ceará (Faec).
Parceria
No caso da Ibiapaba, a central é gerenciada pela Associação do Comércio Agropecuário da Ibiapaba (Acai) em parceria com o inpEV, entidade sem fins lucrativos criada pela indústria fabricante de agrotóxicos para realizar a gestão pós-consumo das embalagens vazias de seus produtos de acordo com a lei federal nº9.974/2000 e o decreto federal nº4.074/2002.
A legislação estabelece a cada elo da cadeia (agricultores, fabricantes e canais de distribuição) responsabilidades. É a chamada A logística reversa: "instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação".
Conforme Inácio Parente, enquanto a central possui uma área de 500 metros quadrados construídos, uma aparelhagem para prensar o material, um gerente, um auxiliar administrativo e um vigilante, o posto é bem mais modesto, funcionando em apenas cem metros quadrados e contando apenas com um vigia que, em determinados dias pré-estabelecidos na semana, comparece ao local para receber as embalagens vazias.
"Além disso, a central separa as embalagens por tipo de plástico ou papel antes de proceder a compactação. Com o fim da nossa central, o que for recolhido no posto será encaminhado para a central existente no Piauí e, após o tratamento adequado, será encaminhado para a indústria em São Paulo", conta Inácio. O gerente revela que, em 2011, nada foi encaminhado para a capital paulista. "Pelas normas legais, somente quando se atinge a quantidade de 12 toneladas de um tipo de material, papel, plástico do tipo a ou b, é que a indústria manda recolher. Como o máximo que arrecadamos foram dez toneladas, as embalagens ficaram por aqui mesmo. Juntamos com o montante de 2012 e remetemos 24 toneladas".
Perigo
Sem a possibilidade de aplicar a logística reversa, os agricultores incineram ou enterram as embalagens, causando malefícios ao meio ambiente. Muitos acabam por optar por uma utilização mais perigosa ainda: usam os recipientes para armazenar água, prática muito comum no interior, sobretudo nos períodos de estiagem.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ubajara, José da Luz Mesquita, diz que é preciso tomar algum atitude. "Estamos tomando a iniciativa de reunir os órgãos públicos e as entidades civis para debater o assunto, que é dos mais graves. É preciso que cada município tenha um posto para receber esse material e não que a central existente desapareça".
O gerente de operações do InpEV, Paulo Ely do Nascimento, promete a construção de quatro postos de recebimento de embalagens até 2014 e garante que, com isso, ao contrário do que pode parecer, o Ceará terá uma coleta mais eficiente. "Não se justifica a existência de uma central no Ceará, que é responsável por apenas por 0,2% de participação no mercado nacional de consumo de embalagens no País. Além disso, a central fica muito distante das demais regiões. Nós estamos criados dois postos, um em Quixeré e outro na Serra da Ibiapaba, em Ubajara ou Tianguá. Além do mais, a desativação da central foi exigida pela Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Semace), pois a mesma está localizada na zona urbana do município".
Itinerante
Segundo Paulo Ely, além dos postos de Quixeré e na Serra da Ibiapaba, dois outros serão construídos em 2014, em Juazeiro do Norte e Missão Velha. "Afora isso, vamos implantar o recebimento itinerante. Marcaremos o dia, local e o horário para pegar o material, ou seja, sairemos da central e do posto e iremos ao encontro do agricultor com caminhão e o material necessário para recolher as embalagens"
FERNANDO MAIA
REPÓRTER