Carne bovina chega 100% mais cara

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: O governo brasileiro já tinha anunciado na terça-feira a suspensão das exportações da proteína animal de cinco frigoríficos brasileiros para os EUA
Foto: Foto: João Luis

O quilo da carne bovina que vem do Mato Grosso para o Ceará chega ao consumidor final, no mínimo, 100% mais caro. E um dos fatores responsáveis por encarecer o produto no mercado local é o frete, cujo preço está sendo elevado devido aos impactos das estradas inadequadas nos custos das transportadoras.

>Carga se estraga, qualidade cai e  os preços sobem 

A informação é do presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Estado do Ceará (Sindicam-CE), José Tavares Filho. "Fizemos um levantamento e verificamos que o quilo está sendo comprado lá por cerca de R$ 11 reais. Em Fortaleza, o consumidor compra o produto por um preço médio de R$ 22", afirma.

Atualmente, a arroba (15 Kg de carne) é vendida em Mato Grosso por aproximadamente R$ 160, valor que dividido por 15 totaliza R$ 10,66.

"Isso é quanto se pagar pelo quilo da carne na fonte, mas o preço muda completamente até chegar ao consumidor final", destaca Tavares. Uma empresa cearense que compra 30 toneladas (30 mil Kg) de carne bovina de um fornecedor de Mato Grosso paga hoje R$ 319.800 pelo produto. Acrescido ao valor médio do frete (R$ 35 mil) e à alíquota de 17% (R$ 54.400) do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), a despesa salta para R$ 409.200. "Aí, só para o comprador, o quilo da carne já fica 28% mais caro. Basta dividir os R$ 409.200 pelas 30 toneladas e observamos o preço de R$ 13,64 - um aumento de R$ 2,98 em relação ao valor inicial (R$ 10,66). Considerando outros tributos e os custos operacionais até o produto chegar na gôndola, o quilo chega aos preços atuais", diz.

Acidente

Com 40 anos de profissão, o presidente do Sindicam-CE conta que já teve diversos prejuízos devido problemas nas estradas. Ele lamenta o fato de o Ceará possuir a pior malha viária do Nordeste e cobra mais investimentos do poder público para modernizar o setor rodoviário.

Há cerca de três meses, Tavares foi novamente vítima de um buraco, desta vez na BR-116, próximo à Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). "Estava voltando de Limoeiro do Norte (CE) por volta das 19 horas quando, de repente, fui surpreendido por um buraco e perdi dois pneus, além de amassar as rodas", lembra, dizendo que o prejuízo foi de R$ quase 800.

Segundo afirma, o automóvel só não capotou porque ele utilizou técnicas de direção defensiva no momento do acidente. "Tive a sorte de estar numa pista simples e em horário em que o fluxo de veículos não era intenso", finaliza. (RS)

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