Transplantados assistem ao filme “Bate Coração” no Dia Nacional da Doação de Órgãos

Cerca de 100 pessoas conferiram com exclusividade o longa-metragem que só estreia nos cinemas dia 7 de novembro

Legenda: Diógenes agora, mais do que nunca se sente um felizardo com o amor da mãe de coração, dona Edileuda Oliveira e a biológica, Wanda de Castro
Foto: Zilda Queiroz

A sessão especial do filme "Bate Coração" realizada na manhã desta sexta-feira (27), Dia Nacional da Doação de Órgãos, no auditório da Livraria Cultura, em Fortaleza, contemplou transplantados, doadores, familiares, amigos e representantes de Associações de Transplantados de coração, rins, medula, fígado e outros.

O filme com direção de Glauber Filho, que tem como produtor associado, o cineasta Halder Gomes, conta a história de um publicitário conquistador e preconceituoso que muda de vida depois de receber o coração de uma travesti, dona de um salão de beleza da periferia, morta em um acidente.

A ansiedade pelo desfecho da história estava visivelmente aparente na expressão de cada um dos convidados. Eles dividiam  olhares e sorrisos nos cumprimentos, mas os ouvidos estavam atentos ao som do abrir de porta e cortinas, as quais separavam histórias da vida real e da ficção, narradas em seguida com muita sensibilidade e emoção.

Enfim, as luzes se apagam e o coração de cada um dos presentes pulsava acelerado ao surgir na tela o título do filme. Para o administrador de empresas Adriano Costa, 37 anos,  há  sete meses submetido a um transplantado autólogo de medula, o longa metragem retratou exatamente a angústia dele e da família na espera por um tecido compatível. 

Relatos

Para além da ficção, Adriano, pai de quatro filhos, relembra os momentos dificeis  que enfrentou no agravamento da doença e com o tratamento agressivo, percorridos até o transplante. Segundo o administrador, a ajuda da família e dos amigos foi fundamental na superação dessa fase.

Legenda: Para Adriano, o filme aborda claramente as experiências de um transplantado
Foto: Zilda Queiroz

"Vivi um período de isolamento e limitação. Nesse momento, o carinho das pessoas queridas era o que confortava. Olhar para meus filhos me dava esperança de acreditar na recuperação e conseguir vencer a doença". Emocionado, Adriano afirma, "O filme aborda claramente que,  um paciente transplantado é a experiência de um renascimento. Agradeço diariamente  por estar vivo", destaca.

Outra que não desgrudou os olhos da tela foi a costureira Edileuda Oliveira, 56 anos. Dona Edileuda perdeu  o filho Murilo de Oliveira, 25 anos, há três anos, em um acidente de moto. A primeira atitude da mãe, após tomar conhecimento da morte do filho, foi doar todos os órgãos, a exemplo  do coração, rins, figado e córneas. 

"Seis pessoas receberam os órgãos que precisavam. Não tive dúvidas de que o acidente com meu filho teve a mão de Deus, obtive todas as respostas da parte de Deus para ter a certeza da doação. Tenho a sensação de dever cumprido, porque essa decisão não foi forçada. Enfim, ganhei seis filhos".
Dona Edileuda tem uma convivência muito próxima com o Diógenes de Castro, 48 anos, que recebeu o coração de Murilo. "Assim como o filme mostra, eu sinto a presença do meu filho quando estou com Diógenes", afirma a mãe.

Conforme  o transplantado, a cirurgia foi um sucesso, mas permanece ativo e atento com a alimentação. "

Agora tenho uma sobrevida. Os rémedios são eternos, por isso tenho que preservar esse orgão. Estar vivo é uma dádiva de Deus. 

Em relação ao que mais o sensibilizou na apresentação do filme, Diógenes diz que, "é amor, esperança e renascimento.  Sempre me emociono ao ver o acidente,  o resgate do coração e o cooler passando,  isso é uma história real. Tem os que ficam no coração artificial, os que ficam em coma após a troca do órgão, os que rejeitam de imediato, os que, assim  como eu, rejeitam um ano após. Mas isso não é problema, é a solução, porque Deus dá o frio e nós temos o cobertor, que são a medicina e os rémedios", relata Diógenes com lágrimas nos olhos.

Legenda: Dona Edileuda sente a presença do filho Murilo quando estar com Diógenes
Foto: Zilda Queiroz

Devolutiva
De acordo com o diretor, Glauber Gomes, hoje, no Dia Nacional da Doação de Órgãos, é uma data bem importante para o lançamento do filme que trata disso, mas que só estará no cinema no dia 7 de novembro. "

Na verdade, a obra é uma devolutiva que a gente dá, trazendo uma quantidade de transplantados, por gestos de empatia de outros. Essas pessoas inclusive participaram do filme em depoimentos e estão aqui. Fazer essa exibição exclusiva para todos que participaram desse trabalho é uma honra".

O filme "Bate Coração", exibido  em sessão especial,  estreia em circuito nacional, no dia 7 de novembro. O longa metragem, primeira comédia transcendental da Estação Luz Filmes, promete divertir quem já passou por muitas emoções para ter sua vida salva e aqueles que demonstraram amor e grandeza ao permitir que outras vidas fossem salvas.
 

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