'Sonic 2' chega aos cinemas e conversamos com Manolo Rey, dublador oficial do herói

Produção promete consolidar franquia dos games nas telonas e reúne uma série de novos personagens

Escrito por Antonio Laudenir, laudenir.oliveira@svm.com.br

Verso
Criado para os games em 1991, Sonic continua popular com a franquia para o cinema
Legenda: Criado para os games em 1991, Sonic continua popular com a franquia para o cinema

Um dos personagens mais populares dos games retorna aos cinemas. "Sonic 2: O Filme" estreia no Brasil e o amado ouriço azul encara novos desafios. Sucesso de bilheteria em 2020, a franquia ganha continuação que promete ainda mais elementos de comédia, ação e aventura.  

Impossível falar do herói supersônico no Brasil sem conversar com o ator, dublador e diretor Manolo Rey. Responsável por dar vida e dublar inúmeros sucessos do cinema no País, o carioca trabalha com o ouriço da Sega desde a série animada "Sonic the Hedgehog" (1993) e continuou nos desenhos "Sonic Underground" (1999) e "Sonic X" (2003).

"É um personagem que atravessa gerações. As crianças de agora estão se apaixonando pelo Sonic, mas muito adulto jogou os games de 8 Bits (os mais modernos, também) e assistiu às séries animadas. É meio que um resgate". 

Sonic brasileiro

A voz inconfundível de Manolo Rey faz parte da memória afetiva de inúmeros brasileiros. Com quase quatro décadas de dedicação ao ofício, este profissional imortalizou a trilogia Homem-Aranha com Tobey Maguire, Will Smith ("Um Maluco no Pedaço"), "As Tartarugas Ninja" (Leornardo), Michael J. Fox (na redublagem de "De Volta Para o Futuro"), Gaguinho (Looney Toones) e muitos outros.

O primeiro trabalho de Manolo Rey aconteceu em "Aventureiros do Bairro Proibido" (1986), sucesso das Sessões da Tarde. Veio "Goonies" (1985) e o profissional não parou mais. Ser a voz oficial de Sonic no Brasil é motivo de orgulho e um grande destaque em sua carreira.   

Manolo Rey explica que a magia do personagem atravessa diferentes gerações
Legenda: Dublador oficial de Sonic no Brasil, Manolo Rey explica que a magia do personagem atravessa diferentes gerações

Manolo Rey explica que durante a quarentena, necessária para evitar a propagação da Covid-19, recebeu inúmeros pedidos de áudio de pais e mães. Sem poder ir para a escola, os pequenos tiveram a rotina alterada. Com isso, os pedidos eram de que Sonic orientasse a turminha a usar máscara, se alimentar e acompanhar as aulas online. 

"Me senti pai de cada criança, sabe. Fiquei amigo de vários desses pais, falam comigo até hoje no Instagram. Senti-me realizado com esses pedidos, por mais singelos e simples que fossem, para eu sentir a importância do Sonic na vida dessas crianças e desses adultos, pois os pais também eram fãs". 

Aventura acelerada

Em "Sonic 2: O Filme", a magia dos jogos será expandida nas telonas. Diretor do primeiro filme, Jeff Fowler volta ao universo do herói. Do elenco original, Jim Carrey reprisa o papel do infame Dr. Robotnik e James Marsden ("X-Men") segue como Tom, o grande parceiro humano de Sonic. Desta vez, os planos do vilão bigodudo passam por achar uma esmeralda capaz de destruir civilizações. 

Sonic (voz original de Ben Schwartz, de "Parks and Recreation") terá a companhia de amigos conhecidos pelos fãs. Knuckles (voz de Idris Elba) e a raposa Tails (Colleen O'Shaughnessey) embarcam nessa batalha contra o mal. 

Assim, o longa adiciona referências diretas ao segundo jogo de Sonic e as sequências "Sonic 3" e "Sonic & Knuckles". Para quem conheceu o personagem na era nos 16 bits, o longa-metragem consolida o universo do herói da Sega para antigas e novas gerações. 

Knuckles e Tails
Legenda: Knuckles e Tails

Em 1991, ano que marca o lançamento do primeiro jogo, Sonic dominou as atenções da criançada. A partir dali, surgia uma franquia que avançou dos consoles para TV, quadrinhos e agora o cinema. A história por detrás da criação do ouriço azul integra uma das maiores disputas de mercado no ramo de jogos eletrônicos. 

Mario x Sonic

A ideia nasceu das pranchetas do artista Naoto Ohshima e do programador Yuji Naka. No final dos anos 1980, a indústria de games testemunhava o domínio soberano da Nintendo. A missão dada aos futuros criadores era idealizar um personagem capaz de rivalizar com o sucesso de Mário Bros. 

A Sega queria a fatia do bolo e a concorrência com a Nintendo marcou os anos 1990. O desenho simples e acessível de Sonic se aliavam à jogabilidade frenética do game. Com Sonic, os consoles Mega Drive ganharam uma mascote que era símbolo de velocidade e dinamismo. Pela primeira vez, Mario entrava literalmente pelo cano. 

Pôster oficial da produção
Legenda: Pôster oficial da produção

Essa acirrada disputa entre gigantes do entretenimento foi contada no livro "A Guerra dos Consoles. Sega, Nintendo e a Batalha que Definiu Uma Geração", de Blake J. Harris. A obra ganhou filme documentário que está disponível no Brasil pela HBO. Trailer abaixo.

A popularidade e carisma de Sonic continua ao longo das décadas. Antes de estrear em 2020, o primeiro filme encarou uma grande polêmica entre os fãs. As primeiras imagens da versão para os cinemas foram bastante criticadas pelo público. Após as manifestações, o estúdio precisou refazer todo o visual do herói.

Mesmo com a desconfiança inicial, a produção chegou aos cinemas em fevereiro de 2020 e arrecadou cifras superiores a US$ 306 milhões. Foi a segunda maior bilheteria daquele ano. A segunda parte dessa história vem por aí e a julgar pela espera, Sonic ainda tem muita estrada dourada para correr. 

"Quando lançaram o primeiro filme, a expectativa era tão grande que aquele contexto do visual dele foi importante como termômetro. As pessoas reclamaram muito. Tendo a expectativa é porque muita gente quer ver. A ansiedade por esse segundo é maior ainda e correspondendo a isso, posso afirmar que o filme tem muito mais coisas. Mais diversão, personagens, mais história para agradar os fãs de todos os tempos e todas as gerações", finaliza Manolo Rey.

 

 

 

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