Segunda temporada de "Filhos da Pátria" estreia nesta terça-feira (8) com enredo do Brasil de 1930

Série foi criada por Bruno Mazzeo, com Fernanda Torres e Alexandre Nero no elenco

Legenda: O elenco central da série volta para a segunda temporada em uma nova roupagem

Brasil de 1930. Esse é o retrato da nova temporada de “Filhos da Pátria”, que estreia nesta terça-feira (8), na Rede Globo. Criada e escrita por Bruno Mazzeo, a série apresenta a família Bulhosa, quatro personagens caricatos e cômicos. Em uma fase diferente, o clã agora vive no contexto da Era Vargas em uma nova conjuntura econômica, social e política. 

Com claras referências ao momento atual do Brasil no roteiro, a série mostra esse ciclo de formação da sociedade brasileira com muito humor e sobre as esperanças renovadas com um novo Governo. Bruno Mazzeo conta que esse retrato foi feito a partir de muitos estudos aprofundados da história. “Fui mergulhando em livros, documentários, artigos e fiquei muito animado para escrever sobre nossa essência. Nosso jeitinho. O porquê de sermos sempre o país do futuro, de um futuro que nunca chega”.

Produção
 

“Uma vez (bem) definidos os personagens – são hilários e hilariamente representados – a gente pesquisou a época. Os hábitos, os programas, as novidades tecnológicas, sempre fazendo um paralelo com o hoje em dia. Por exemplo, as fake news já existiam. Só não vinham pela internet, mas pelo rádio – a grande novidade da época”, conta Bruno sobre a brincadeira que faz com a atualidade. 

“Contamos a história de uma família que viveu naquela época. Os hábitos, costumes, a própria formação política e acabamos vendo que não mudamos tanto. Para esta segunda temporada, tivemos o desafio de levar os mesmos personagens para outra época”, acrescenta ele sobre a aposta da nova temporada.

A mudança do arco temporal foi o recurso de maior diferença de uma temporada para outra. O criador encara isso como uma novidade na dramaturgia. “Ao mudar a época, tudo já muda. É um novo universo. Por isso foi o grande desafio. Como usar personagens já apresentados, só que recomeçando do zero. Alguns evoluíram, outros nem tanto”.

Elenco

O núcleo central da série é formado pelo clã dos Bulhosa. O casal Geraldo (Alexandre Nero) e Maria Teresa (Fernanda Torres) e os filhos Geraldinho (Johnny Massaro) e Catarina (Lara Tremouroux) compõem uma família típica da classe-média da década de 1930. Se na temporada anterior Lucélia (Jéssica Ellen) era escrava, agora, a figura fundamental para o bom funcionamento da casa é a empregada doméstica. 

Alexandre Nero continua no papel do pacato funcionário público Geraldo. Pai cuidadoso e amoroso, será confrontado com as situações das mais diversas no cotidiano do Palácio do Catete. Nessa temporada, terá de refletir acerca dos princípios éticos. Fernanda Torres encarna o papel da esposa. Com personalidade totalmente oposta da do marido, Maria Teresa só quer um dia poder fazer parte da alta sociedade. 

O galanteador Geraldinho continua tramando na segunda temporada. Subversivo e inconsequente, o personagem terá de lidar com as frustrações de não obter sucesso, especialmente, no campo amoroso. 

No papel da personagem feminista da série, Lara Tremouroux vive a caçula da família. Após retornar de um período de estudos em São Paulo, a jovem tem a difícil missão de contornar a contrariedade dos pais para dar vazão à sua vocação literária.

A série traz ainda nomes de peso no elenco, como Matheus Nachtergaele no papel de Pacheco, funcionário do alto escalão do Catete; Serjão Loroza como o compositor Domingos; e Letícia Isnard como Leonor, a irmã de Maria Teresa. 

Cenário

Com dez episódios, “Filhos da Pátria” incorpora no cenário locações importantes da época. Por isso, utiliza imagens de um Rio de Janeiro que ainda resiste à atualidade. Theatro Municipal, Confeitaria Colombo e o Palácio do Catete foram alguns dos pontos usados nas gravações. 

Para Bruno, “a história serviu como pano de fundo, até para nos situar e trazer fatos que trazem identificação ainda hoje. Talvez pela história do Brasil andar em círculos. Nós falamos sobre uma família, não sobre nossa história. Os personagens reais não aparecem. Nem D. Pedro I na primeira temporada, nem Getúlio nessa”, explica.

Os figurinos e a caracterização dos personagens são outro destaque e fazem esse retorno para remeter à época. Ambientado depois da Belle Époque, traz homens e mulheres sempre bem vestidos. As luvas e os chapéus são adereços quase que obrigatórios nessa fase para as figuras femininas. Além disso, são os responsáveis também por demarcar a distinção social evidente no período. 

As vestimentas também foram pensadas para dar características particulares a cada personagem. O Geraldo, por exemplo, utiliza paletós de tamanhos maiores, o que confere a ele uma postura mais retraída. Já para Maria Isabel, foi feita uma brincadeira com as cores. 

A trilha sonora da série também foi igualmente pensada para dar o ar de ambientação desse contexto histórico. No entanto, não são usadas necessariamente músicas do período. O tema de abertura continua sendo “Quando o morcego doar sangue”, de Bezerra da Silva. A música é atemporal e retrata um pouco das dificuldades enfrentadas pelos brasileiros. Apesar de histórica, “Filhos da Pátria” traz mais uma vez um discurso contestador e atual. 

Você tem interesse em receber mais conteúdo de entretenimento?

Assuntos Relacionados