Podcast infantil é alternativa diante da maratona de exposição das crianças às telas

O grupo Galhofo (CE) criou uma série na linguagem do rádio, a fim de estimular e entreter a escuta dos pequenos. O primeiro episódio da "Rádio Galhofo" vai ao ar na próxima quarta (10)

Legenda: Fantoche da versão visual da "Rádio Galhofo"
Foto: Tim Oliveira

Com o isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, pais e responsáveis pelas crianças tiveram um grande desafio para que os filhos não "maratonassem" frente às telas digitais. Seja estimulada por desenhos, séries, dentre outros conteúdos infantis, a criançada mergulhou na experiência como espectador, sem que o fôlego de seus cuidadores desse conta de oferecer, em paralelo, algum estímulo presencial aos pequenos.

Ao pensar em tanto tempo exposto às telas, o grupo Galhofo (CE) de teatro infantil criou uma série de quatro episódios, em formato de podcast, para estimular a escuta das crianças. De 10 a 13 de fevereiro, os atores apresentam histórias a partir de temas pertinentes ao confinamento das famílias. O material da "Rádio Galhofo" estará disponível nas principais plataformas digitais de áudio, como o Spotify e o Deezer.  

Na sequência, o podcast apresenta “O Banho e as Aventuras com Água e Sabão” (sobre higiene e saúde), “O Almoço e a Jornada de Legumes e Verduras” (sobre alimentação e natureza), “O Sono e a Jornada de Sonhos e Pesadelos” (sobre o quarto e o sono) e “A Aula e a Escola sem Paredes" (sobre as aulas em plataformas virtuais). 

"A gente queria brincar com a imaginação da criança, sem necessariamente ter aquele monte de cores pulando na tela. Além do mais, o grupo já experimenta bastante a parte musical. E quando a gente pensou em fazer uma adaptação inclusiva, pra que crianças com dificuldade de audição também pudessem usufruir, a rádio ganhou também uma versão visual, com os bonecos", detalha Christian Oliveira, sobre a edição em Libras (Língua Brasileira de Sinais) que irá ao ar, pelo canal do Galhofo no You Tube, nos mesmos dias do podcast.

A cada projeto, o Galhofo tem uma formação diferente de atores e demais colaboradores. Porém, o trio Christian Oliveira, Jupe Vasconcelos e Cosmo Almeida dá conta, hoje, do núcleo de produção do grupo. Nenhum dos integrantes tem filhos. Portanto, eles tiveram de observar seus irmãos e sobrinhos, além de beber da fonte dos trabalhos com a infância, seja dando aula, ou pelos próprios espetáculos, para perceber o que faz sentido às crianças. 

Mudança

"A gente partiu muito de como esses contatos foram modificados, o presencial partir pro online. Se com adultos o home office virou a nova condição, com as crianças as aulas remotas eram o novo desafio. Professores da educação infantil precisaram se virar pra dar aula à distância. E vi também recreadores fazendo aniversários por lives", observa Christian.

Legenda: Trecho da edição da versão visual da "Rádio Galhofo"
Foto: Tim Oliveira

O ator coloca que, embora tanta interação online fosse "o jeito" para a maior parte das famílias na pandemia, as crianças não deixam de apresentar seus rompantes de energia para gastar, seja correndo, pulando, mesmo que seja dentro de casa. "Foi então que pensamos em criar um trabalho que estimulasse o que não foi tirado da criança: a imaginação. E nesse trabalho exploramos a relação dos pequenos com os cômodos da casa, na intenção de tornar essa estadia em casa mais divertida", exemplifica. 

Trajetória

O Galhofo nasceu a partir de uma pesquisa para a monografia de Christian Oliveira, quando o ator cursava Teatro na Universidade Federal do Ceará (UFC), há 3 anos. Ele desenvolvia uma pesquisa sobre criatividade e infância junto ao Iprede (Instituto da Primeira Infância). Com direção dele, o grupo criou o primeiro espetáculo, "O Galinheiro de Bragança", e passou a circular dentre os equipamentos culturais de Fortaleza, a exemplo do Theatro José Alencar, e em eventos como o Festival de Teatro Infantil do Ceará (TIC). 

Dirigido por Jupe Vasconcelos, "O Mistério do Bosque das Floreiras", segundo espetáculo do grupo, teve sua estreia em 2019. Com a peça, o Galhofo circulou por João Pessoa (PB). Já no ano passado, Jupe e Pedro Silva lançaram o EP "Tobias e a Fantástica Aventura de um Dia" de músicas autorais. E, com recursos da Lei Aldir Blanc, o coletivo produziu, online, o Festival Galhofada - realizando rodas de conversa, contação de histórias, dentre outras atividades.

Legenda: A formação do Galhofo para o podcast
Foto: Tim Oliveira

Para além do núcleo de produção, a formação do grupo é flutuante, e ora conta com Juliana Vasconcelos, Pedro de Silva, Guilherme Viana, Will Barros, Andressa Caitano, Di Queiroz, Robert Bernardo, Macla e Matheus Bezerra. "Todos em sintonia quando se diz respeito ao amor pela arte e a paixão por trabalhar com o público infantil", qualifica Christian. 

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