Perfumes que entraram na moda, na música e no cinema

Nos anos 1950, a moda assume o perfume como grande aliado. Nessa década surgiam ícones, a exemplo de Marlon Brando, Audrey Hepburn, Elvis Presley e Marilyn Monroe

Escrito por Zilda Queiroz,

Verso
Legenda: Marilyn Monroe imortalizou a fragrância francesa Chanel Nº5

A história que retrata a ligação entre a perfumaria e o mundo da alta costura surgia há pouco mais de um século, quando Paul Poiret criou Rosine, o primeiro perfume associado a um costureiro e batizado com o nome de sua filha mais velha.

A época dos anos 1920 era de otimismo, luxo e extravagâncias. Os "loucos anos 20" foram marcados por fragrâncias leves e florais, em contraste dos espartilhos que, de tão justos, faziam com que as mulheres perdessem o ar. Os perfumes usados pelas mulheres da época eram essências de almíscar e jasmim. Segundo Andreia Miron, curadora da mostra Mundo dos Perfumes, no Museu Catavento, em São Paulo, os cheiros mais provocantes eram associados a mulheres "da vida".

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Dentro desse contexto, a estilista Coco Chanel, que viveu a infância em um orfanato cercada de aromas instigantes, percebeu que era hora de criar um perfume que simbolizasse o espírito mais livre dos anos 1920. Das combinações apresentadas por Ernest Beaux, Chanel gostou da quinta. Assim nasceu o icônico Chanel N° 5.

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Durante a II Guerra Mundial, os cuidados pessoais deixam de ser prioridade. Isso não impedia que soldados alemães fizessem fila para se abastecer do perfume, durante a ocupação nazista em Paris. Ao fim do conflito, Christian Dior tenta recuperar o glamour com o estilo "New Look" e o clássico Miss Dior, lançado em 1947.

Evolução do perfume

Nos anos 1950, Hollywood viveu seu apogeu, com estrelas ditando moda como Givenchy, Balmain, Dior e Yves Saint-Laurent. "O mundo vê um crescimento populacional no chamado 'baby boom'. É o momento da geração faminta por novidades", revela Andreia.

Dos anos de 1960 a 1970, o rock se reinventa e o movimento hippie se firma. O fim dos Beatles e a morte prematura de ícones de música marcavam o fim da inocência de uma geração que buscava uma identidade e uma perfumaria marcante.

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Já a fama, o exagero e o videotape dominaram a década de 1980. "Isso acontecia ao lado dos penteados gigantescos, que chegavam a desafiar a gravidade, uma perfumaria opulenta e de longa duração", comenta a curadora da mostra.

A geração de 1990 viveu a década hi-tech: tecnologia e novas fragrâncias. Foram anos mais contidos, menos cores. Angel, de Thierry Mugler, virou marco com notas gourmet, inspiradas na gastronomia.

Dos anos 2000 aos dias atuais, os perfumes se tornam mais acessíveis e responsáveis: a consciência ambiental e social se torna obrigatória para as marcas, com produtos orgânicos e materiais recicláveis.