“O tempo de brincar para a criança é urgente e necessário sempre”, afirma pesquisadora cearense

Professora Dra. Edneia Quinto tem contornado o Estado de modo a mapear diferentes formas de se divertir

Legenda: Tutti Gonçalves contorna o Estado à procura das formas de se divertir das crianças
Foto: Foto: Arquivo Pessoal

O Ceará é o primeiro Estado do Brasil a dispor da Lei nº 122, instituída em 12 de setembro de 2017. Nela, ficou consolidado o Plano Cultura Infância, que legitima o brincar como principal linguagem da criança. Um marco histórico do diálogo entre sociedade civil, artistas, produtores culturais e gestores públicos com vistas a priorizar a abrangência da primeira fase da vida nas diferentes formas de expressar suas características.

No rastro da iniciativa, a professora e atriz-pesquisadora Edneia Quinto, ou Tutti, por meio do I Edital Cultura Infância, tem contornado vários lugares daqui entrando em contato direto com crianças, pais, professores, produtores/gestores culturais e artistas de municípios como Sobral, Itapipoca, Limoeiro do Norte e Crateús, de modo a dar dimensão da complexidade de atividades importantes, a exemplo do divertir-se. Em sua ótica, o que prevalece, em muitos casos, é a resistência.

“De forma geral, os adultos relatam que, assim como nos espaços urbanos, há escassez de ambientes para as crianças brincarem. Mas ainda existe o alento de que é possível que elas se juntem para montar casinhas, fazer guisado em panelinhas de barro, brincar de pedrinhas, de pega-pega, pular corda e elástico e outros jogos tradicionais por disporem ainda de áreas verdes, não tomadas por prédios”, afirma.

Em outra perspectiva, ela chama atenção, na pesquisa que está desenvolvendo, para o espaço de fala da criança. Observa que, depois de apreciarem alguma expressão artística ou brincarem, elas sentem necessidade de dividir conosco as impressões do vivido. “De falar do que viram e sentiram, do que imaginaram. Para nós, adultos, esse é um exercício desafiador, pois, agarrados ao mundo concreto, achamos que o que os pequenos trazem nesses mundos imaginados é ‘coisa de criança’”, afirma.

Daí que um graveto não pode ser uma cobra imensa e venenosa e uma vassoura jamais será um cavalinho. E nem se pode quebrar o brinquedo para saber o que tem dentro, atitudes que minam as possibilidades de criação e novidade.

Clareza

No que toca a brincar junto, Edineia elucida que o ato estabelece um pacto cuja regra exige adulto e criança presentes ali, naquele momento único. Quando sincero, é oportunidade de suspensão da vida rotineira para entrar no mundo do faz-de-conta, do pulo, da dança, do desafio. 

“Há, portanto, uma necessidade de clareza de papéis. Para a criança não há dúvidas, ela assume verdadeiramente os riscos, as regras e entra para se divertir. Pula, gira, canta, fantasia… O tempo de brincar para ela é urgente e necessário sempre”, reitera a estudiosa.

E quanto aos pais? Assumindo o desafio de acompanhar as peculiaridades das novas gerações, o mais seguro é traduzir, facilitar, explicar para os pimpolhos como se brinca, e ficar ali, de espectador, torcendo para que ela não se machuque. Também há a possibilidade do descanso. Isso quando não se transforma a brincadeira em recompensa do “depois”: de escovar os dentes, fazer a tarefa, tomar banho etc.

“Esquecemos que, para a criança, brincar permite-lhe expressar sentimentos, compreender papéis sociais, compartilhar espaços e limites para melhor viver com o outro. Mas de nada vale isso se a brincadeira verdadeiramente não divertir. Vida e aprendizagem devem ter um gosto bom de diversão mesmo quando aparece um joelho ralado. Portanto, segure firme na mão da sua criança e convide-a para brincar agora!”.

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