O que me interessa o batom da Marta?

Legenda: Após o jogo, Marta foi questionada pela escolha do batom escuro e citou que se tratava de um lançamento de uma marca de maquiagem brasileira
Foto: Philippe HUGUEN / AFP

No último jogo da Copa do Mundo 2019, a jogadora do Brasil Marta chamou a atenção para além dos dribles e do gol que garantiu a vitória do Brasil contra a Itália e a tornou a maior artilheira de Copas do Mundo. Muito se falou da cor do batom que a atleta escolheu para o jogo. Um tom de vinho bem forte deixou em evidência a preocupação estética de Marta para a partida. E tá errada? Jamais! 

Na luta para adentrar ambientes predominantemente masculinos, mulheres muitas vezes deixaram de lado qualquer sinal de feminilidade, seja para não parecerem frágeis ou para uma falsa sensação de evitar assédio. O fato é que usar ou não maquiagem hoje é - ou pelo menos deveria ser - uma questão de escolha. Uma atleta não precisa deixar de lado seu desejo de maquiar-se para um evento importante (ou um jogo da Copa do Mundo não é o evento mais importante de uma jogadora de futebol?). Bem como não precisa usar qualquer item de maquiagem caso não seja a sua vontade. 

Jogadoras não estão em campo para agradar o olhar masculino. Estão para jogar. Sendo assim, usar ou não maquiagem, fazer ou não um penteado diferente, pintar ou não as unhas é uma escolha única e exclusivamente delas, por um gosto e um desejo pessoal. Há quem se sinta à vontade de investir no visual, há quem não se importe com a estética. Ambas as decisões precisam ser respeitadas.

Mas, no caso da Marta, outro detalhe fez diferença. Após o jogo, ela foi questionada pela escolha do batom escuro e citou que se tratava de um lançamento de uma marca de maquiagem brasileira. Ora, se por tantos anos as propagandas de maquiagem sugeriam que mulheres se arrumavam para chamar a atenção de homens, testar a resistência de um batom de longa duração em um jogo de futebol implica um novo olhar da publicidade para a mulher contemporânea. Em 2019, ela quer saber se o batom escuro aguenta uma partida inteira correndo no campo, se transfere naquele copo de cerveja enquanto assiste ao jogo ou não 'craquela' enquanto grita gol em alto e bom som. 

Além disso, numa indústria que sempre buscou colocar mulheres em um padrão de beleza, em sua maioria evidenciando traços europeus e imagens irreais retocadas, ter uma atleta como referencial para uso de maquiagem aproxima a consumidora que não costumava se ver representada em campanhas dessa categoria de produtos.  

“Eu sempre uso batom. Não essa cor, mas aí eu ousei, falei: hoje eu vou ousar. Aí eu provei antes e acho que foi legal, a cor é sangria, tem que dar o sangue, tem que estar junto. Todos os jogos eu vou usar“, disse a rainha Marta.

Sendo assim, seguimos na máxima: Dentro ou fora de campo, com ou sem maquiagem, mulher pode usar o que quiser e onde ela quiser.

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