Novo filme de Miguel Falabella, 'Veneza' reforça a importância de sonhar em tempos difíceis

Adaptação de peça teatral argentina une drama e comédia para desenvolver um "faz de conta". Após premiações por festivais, produção estreia nos cinemas brasileiros com Carmem Maura, Dira Paes, Eduardo Moscovis e Carol Castro

Dira Paes, Carmem Maura e Eduardo Moscovis no filme Veneza, de Miguel Falabella.
Legenda: Rita (Dira Paes), Gringa (Carmem Maura) e Tonho (Eduardo Moscovis): a luta por redenção destas personagens explica que uma família é feita de amor
Foto: Mariana Vianna

Mais de uma década depois de "Polaroides Urbanas" (2008), Miguel Falabella retorna ao universo cinematográfico. Segundo filme na carreira do realizador, "Veneza" estreia nas salas do País nessa quinta-feira (17). A obra é uma adaptação da peça
 “Venecia”, assinada pelo dramaturgo argentino Jorge Accame.

Unindo drama e comédia, o cineasta se mune de referências a Frederico Fellini (1920-1993) para contar um "faz de conta". A trama nos apresenta uma série de personagens marginalizados, unidos apenas por um fio de esperança de encontrar redenção na vida. O centro dessa história é movida pela busca de um amor perdido. 

Reencontrar o único homem que amou é o sonho de Gringa (Carmen Maura), dona de um bordel no interior do Brasil. Mesmo cega e doente, a ex cafetina insiste em realizar o último desejo. Ela quer ir até Veneza para pedir perdão ao antigo amante, que abandonou décadas atrás.

A partir desse objetivo inalcançável, Falabella move o núcleo que orbita a casa da espanhola. Para levá-la à cidade italiana, Tonho (Eduardo Moscovis), Rita (Dira Paes), Madalena (Carol Castro) e as outras moças que trabalham para Gringa idealizam um fantástico plano para concretizar esse feito. 

Estrela em trabalhos de Pedro Almodóvar como "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" (1988) e "Volver" (2006), Carmem Maura descobriu que seguir a orientação médica de se vacinar contra a febre amarela seria perigoso demais a sua saúde. Por conta desse fato, as filmagens precisaram mudar do Brasil para o Uruguai.

Tempo de sonhar

Onírico, o trabalho de Falabella alerta da necessidade de sonhar. Diante de tempos retrógrados e tristes, o direito de imaginar uma melhor condição precisa se manter intacto. A partir do anseio final de Gringa, a complicada situação de pobreza e abandono destas criaturas pode ganhar algum alento.

Encarar adversidades une as garotas da casa erguida por Gringa
Legenda: Encarar adversidades une as garotas da casa erguida por Gringa
Foto: Mariana Vianna

Uma trupe de circenses também se envolve nessa luta pelo amor. Em certa medida, "Veneza" nos apresenta núcleos familiares bem diferentes do padrão imposto pela sociedade. O circo e o prostíbulo situam bem esse aspecto. Ambos reúnem pessoas com diferentes vivências e origens.

Em comum, mesmo com seus equívocos, esta gente busca sobreviver unidos. Não importa o modelo ou formato, o que afirma a existência de uma família é apenas o amor. Um recado bastante atual para o momento do Brasil.

Premiado

A busca para levar Gringa até a cidade italiana permite a Falabella desenvolver o componente "fantástico" do filme. A fragilidade e a dura vida dos personagens expõe o quanto o cotidiano é marcado por ódio e velhos preconceitos. É triste, mas muitos que lutam para mudar esse contexto são ameaçados com a própria vida.

Miguel Falabella e Carmem Maura no set de filmagem
Legenda: Miguel Falabella e Carmem Maura no set de filmagem
Foto: Mariana Vianna

"Veneza "foi premiado com os Kikitos de melhor direção de arte (Tulé Peake) e melhor atriz coadjuvante (Carol Castro) no Festival de Gramado de 2019, com a Lente de Cristal de melhor roteiro (Miguel Falabella) no 23º Festival de Cinema Brasileiro de Miami (Inffinito Film Festival).

Recebeu quatro troféus no Los Angeles Brazilian Film Festival: melhor direção de fotografia (Gustavo Hadba), melhor ator (Eduardo Moscovis), ator coadjuvante (André Mattos) e atriz coadjuvante (Carol Castro)

 

 

 

 

Você tem interesse em receber mais conteúdo de entretenimento?