Nos bares de Fortaleza, artistas que tiveram trabalho interrompido retomam com otimismo

Com saudade do público e fé nas vacinas, profissionais deste mercado voltam gradativamente a trabalhar e cantam o otimismo por dias melhores

Juruviara e integrantes do grupo Essas Mulheres, Mona Mendes e Patrícia Trajano
Legenda: Cantor e compositor Juruviara e integrantes do grupo Essas Mulheres, Mona Mendes e Patrícia Trajano

A pandemia ainda não acabou. Porém, com o processo de vacinação em andamento, diferentes setores buscam se reorganizar. Profissionais da música respiram esse otimismo em torno da retomada. São mães e pais de família que levam diversão a vários recantos de Fortaleza. 

“Ir aonde o povo está”, assim diz Milton Nascimento na canção “Nos bailes da vida”. Estas vozes divertem o público em bares, restaurantes, barracas de praia, espaços públicos e eventos particulares. Ocupam palcos da periferia à dita zona nobre.  

Ouvindo artistas do ramo, três constatações se repetem nos depoimentos. O primeiro é de que a imunização salva. Outro cenário apontado é o ânimo do público por diversão. Por sua vez, o desejo de dias melhores para o setor que parou completamente desde março de 2020. 

“Os artistas foram os principais afetados nessa pandemia, mas o público foi privado de usufruir dessa parte cultural da vida e da cidade”, nos conta o compositor Juruviara. A paralisação do setor de eventos foi um choque. “Foi difícil. Ninguém trabalhou presencial. O que nos restou, para mim, foi planejamento”, descreve. Juruviara destaca os auxílios emergenciais, o edital Aldir Blanc e o Festival Dendicasa como aporte providenciais. 

“O sindicato disponibilizou cestas básicas. Graças a deus, contei com minha família. Mas, teve gente que realmente passou necessidade, fome mesmo”. 

Em meio à pandemia, Juruviara adiantou o processo de gravação de músicas inéditas. Agora, com a agenda de shows voltando, o cantor divulga "Cantiga", o segundo álbum da carreira. Quatro singles do disco foram lançados e o compositor prepara um videoclipe para 2022. “À medida que a vacinação foi avançando, esse processo de retomada veio junto”. 

Prontas para luta 

O grupo “Essas Mulheres” surgiu no período da pandemia. É fruto da união de Mona Mendes (violonista e cantora), Patrícia Trajano (cantora), Flavia Soledade (percussionista) e Vladya Mendes. Assumindo diferentes formações (duo ou trio) tocam os grandes sucessos da MPB e do samba em barzinhos da cidade e Região Metropolitana. 

Depois da tempestade, os bons ventos querem soprar. “Está sendo satisfatório, tanto com a questão psicológica. Trabalhamos com o público, na rua. Vem sendo muito bom e com as vacinas, as pessoas estão frequentando mais os shows, os lugares. Queremos mais trabalho”. A conversa otimista é da cantora Patrícia Trajano. 

Mona Mendes (violonista e cantora), Patrícia Trajano (cantora) e Flavia Soledade (percussionista)
Legenda: Mona Mendes (violonista e cantora), Patrícia Trajano (cantora) e Flavia Soledade (percussionista)

Nesses dias de reconstrução, é perceptível a mudança de humor da plateia, avalia Mona Mendes. “Está muito diferente, estão com sede de sair. Foi quase dois anos em casa. Nas nossas apresentações até falamos 'quem já foi vacinado?’  e o pessoal se diverte e interage bem”. 

"No começo não acreditava, julgava que era algo temporário. 15 dias, no máximo um mês. Foi passando o tempo. Tivemos que gritar, pedir ajuda, fazer manifestações para trabalharmos com restrições, para podermos ganhar o nosso pão, resgata Patrícia Trajano. 

Mona Mendes explica que foi necessário se reinventar, fazer bolo para vender. Perdeu emprego duplamente. Como professora e artista, pois as escolas foram fechadas e depois os bares. “Tivemos muita ajuda do sindicato, dos amigos que depositavam o cover virtual. Fomos conseguindo driblar essa pandemia. Essas Mulheres, todas vacinadas e prontas para luta”, avisa. 

Esperança 

O músico e diretor do Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado do Ceará (Sindimuce), Daniel Domingues, avalia que o mercado volta gradativamente, mas a situação ainda é um pouco complicada. “O artista ainda trabalha para poder se alimentar”, explicita. 

Segundo a entidade, aristas que tocam e cantam (como uma apresentação de voz e violão, por exemplo) retornaram quase que integralmente. “Alguns instrumentistas, como a turma dos sopros e metais, ainda encontram dificuldades. 

Desde março do ano passado, o Sindimuce realiza ações solidárias para arrecadar cestas básicas e pagar contas de água e luz de parte dos profissionais da música. "Nossa área foi a que recebeu a maior pancada. Nosso meio, nosso trabalho foi o primeiro a parar e o último a voltar. Fomos um dos mais prejudicados com essa pandemia”. 

Mesmo com o cenário de retomada, o Sindimuce realiza campanha solidária para quem ainda segue afetado pela crise sanitária. A partir de R$ 1, via pix, você pode ajudar um artista que leva alegria e cultura para o povo. “Fé em Deus que a turma vai se reorganizar e retomar normalmente a vida, como todos estão”, finaliza Daniel Domingues. 

Campanha solidária do Sindimuce: sindimuce@gmail.com

 

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