Marco Forte interpreta grandes nomes da MPB em disco de estreia

O cantor cearense, radicado no Rio de Janeiro, visitou a obra de artistas como Moraes Moreira, Caetano Veloso e Geraldo Azevedo para levantar o repertório de "Marco", já disponível nas plataformas digitais

Legenda: Marco Forte lança seu álbum de estreia e interpreta canções "lado B" de grandes nomes da MPB
Foto: Romulo Guina

O repertório do álbum de estreia do cearense Marco Forte é um presente quanto ao "frescor" com que cada uma das belas faixas do disco chega ao público. No entanto, o mote de "Marco", já disponível nas plataformas digitais, é o passado. Radicado no Rio de Janeiro, ele reuniu obras de sua memória de ouvinte. E a sequência de 10 interpretações junta composições mais "lado B" da obra de Chico Buarque, Caetano Veloso, Moraes Moreira, Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, João Donato, Paulinho da Viola, além de parcerias entre Tuzé de Abreu e Gereba; e Sueli Costa e Luiz Sérgio Henriques. 

"Há apenas duas músicas que eu não ouço desde sempre e fazem parte do repertório. A primeira é a música do Paulinho da Viola, ‘Nada de Novo’, que eu certamente ouvi numa infância muito longínqua. Mas há 10 anos me deparei com a gravação de Alaíde Costa e fiquei completamente apaixonado", recorda Marco. A segunda música dessa leva, ele acrescenta, é a de Sueli Costa ("Cantiga do Vento"), gravada por Nana Caymmi.

Com a voz de Marco bem em primeiro plano, o disco tem um apelo minimalista nos arranjos e tudo fica "claro" na audição do ouvinte. Dos bongôs de "Caso de Polícia" (Moraes Moreira) à participação da cantora cearense Paula Tesser, em "Você e Tu". A interpretação da faixa de abertura, "Inclinações Musicais" (Geraldo Azevedo e Renato Rocha), dos versos "Quem inventou o amor/ Teve certamente inclinações musicais", soa como uma declaração de amor à família de músicos. 

Marco é filho do pianista cearense Antonio José Forte, e sua árvore genealógica ainda traz outras referências do piano. Ele, no entanto, chegou a experimentar, mas não se engajou por muito tempo no aprendizado do instrumento. "Desisti do piano dois anos depois de começar os estudos. Sempre gostei muito de cantar e, com o tempo, isso foi se tornando maior ainda, maior ao ponto de eu começar a pensar em fazer dele profissão", observa o cantor. 

Processo

O processo de gravação do disco data de 3 anos atrás. "Marco" foi gravado em São Paulo, com a direção musical de Rovilson Pascoal, produtor que já trabalhou com nomes como Milton Nascimento, Gal Costa e Elza Soares. "A pré-produção foi toda aqui no Rio. Meu produtor sugeriu que eu fizesse uma lista grande de músicas e gravasse só com violão, da forma mais simples possível e enviasse para ele", detalha Marco.

Legenda: A capa do disco, com arte de Romulo Guina
Foto: Romulo Guina

A mixagem e a masterização, etapas de acabamento do áudio do disco, só aconteceram em 2020. Moraes Moreira, falecido em abril passado, após sofrer um infarto, chegou a ouvir a versão de "Caso de Polícia", aprovou e facilitou a liberação dos direitos autorais. A composição original foi feita para sua ex-companheira, Marília Mattos, também falecida em 2020. Ela era mãe do músico Davi Moraes e amiga de Marco. 

Apesar dos eventos delicados, Marco situa que a vivência do ano que passou não interferiu na definição do repertório. "Para um próximo disco, é possível que haja reflexo do que estamos vivendo desde 2020. Talvez se em 2018 nós tivéssemos este desgoverno e esta pandemia, o repertório poderia ser outro", vislumbra o cantor. 

Você tem interesse em receber mais conteúdo de entretenimento?