Livro com poesia completa de Cacaso, um dos principais nomes da geração mimeógrafo, ganha lançamento

Com poemas inéditos, obra é publicada pela Companhia das Letras e possui fortuna crítica assinada por nomes como Heloisa Buarque de Hollanda e Francisco Alvim

Legenda: Um dos nomes mais destacados da geração de 1970, Cacaso é autor de seis livros de poesia e mais de duzentas letras de música
Foto: Divulgação

Reunindo toda a produção poética de Antônio Carlos de Brito, o Cacaso, "Poesia completa" chega ao mercado neste mês pela Companhia das Letras. 

O livro abrange as criações presentes desde "A palavra cerzida" (1967) até "Mar de mineiro" (1982), além de uma farta seleção de poemas inéditos recolhidos pela editora Heloisa Jahn.

São versos tirados de 23 cadernos, verdadeira oficina do poeta, que incluíam também letras de música, anotações, desenhos, números de telefone e fotografias. Esses diários abrangem uma década, de 1977 a 1987, ano da morte prematura do poeta, aos 43 anos. 

A incursão de Cacaso nas letras de música teve início dois anos antes do lançamento de "A palavra cerzida", seu livro de estreia. “Carro de boi”, escrita em 1965 para uma canção de Maurício Tapajós, logo ganhou gravação do conjunto Os Cariocas. 

A extensa produção do poeta resultaria em cerca de 280 canções, a maioria delas em parceria com nomes como Nelson Angelo, Francis Hime, Novelli, Edu Lobo, Claudio Nucci, Mauricio Tapajós, Sueli Costa, Rosa Emília Dias, Lourenço Baeta, João Donato, Zé Renato, Danilo Caymmi, Eduardo Gudin, Toquinho, Joyce, Filó Machado, Tom Jobim e Toninho Horta. 

Poesia completa traz uma amostra de sessenta letras de música de Cacaso, compostas em parceria, selecionadas pela cantora e compositora Rosa Emília Dias. 

Análise

Na fortuna crítica, professores, poetas, amigos e pesquisadores — Roberto Schwarz, Heloisa Buarque de Hollanda, Francisco Alvim, Vilma Arêas e Mariano Marovatto — jogam luz sobre o escritor que, com inteligência, amplo repertório cultural e humor afiado, deixou sua marca incontornável na geração dos anos 1970.

Heloisa Buarque de Holanda, por exemplo, escreve: 

"A lembrança de Cacaso, poeta em tempo integral, letrista prolífico, parceiro de Edu Lobo, Francis Hime, Sueli Costa & Nelson Angelo, exímio desenhista, professor universitário, ensaísta e principal articulador e teórico da poesia marginal, aquela produzida semiclandestinamente em mimeógrafo, e craque em driblar a Censura, pode talvez ajudar na compreensão de sua permanência definitiva em nossa cena cultural".

Por sua vez, Francisco Alvim comenta: "Cacaso tem o gênio brasileiro da fala macia, sensual e maliciosa. É da família de Bandeira, cuja linguagem é sem artifícios, muito mais do que da de Drummond ou Cabral, poetas que exploram sons dissonantes, que constroem a linguagem. Isso não quer dizer, obviamente, que poetas como Bandeira e Cacaso sejam ingênuos ou espontâneos, embora ambos defendam o que poderíamos chamar de, à falta de um nome melhor, estética do natural, cujo fundamento certamente está no binômio poesia e vida, tão sensível em ambos"

Cacaso nasceu em Uberaba (MG), em 1944. Um dos nomes mais destacados da geração de 1970, conhecida como geração mimeógrafo, é autor de seis livros de poesia e mais de duzentas letras de música. Morreu no Rio de Janeiro em 1987.

Poesia completa
Cacaso

Companhia das Letras
2020, 456 páginas
R$89,90/ R$39,90 (e-book)

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