Lembra deles? Vinny e LS Jack unem forças e já chegam com disco novo em 2021

Eles dominaram as FMs dos anos 1990 e início dos 2000. O combo nostálgico até rendeu o apelido carinhoso entre os fãs: Audioslave brasileiro. Relembre fatos históricos da época auge da carreira dos dois, bem como outras parcerias de sucesso na música mundial

Músicos retornam com EP que reúne os repertórios
Legenda: Músicos retornam com EP que reúne os repertórios
Foto: MARKOS FORTES

Os roteiristas de 2021 provam que estão com tudo e já soltaram o primeiro capítulo inusitado do ano. Dois nomes "estourados" nas décadas de 1990 e 2000 retornam (e juntos) ao mercado. O cantor Vinny e a banda LS Jack unem forças e estão prontos para buscar novamente as paradas de sucesso.  

Repertório não vai faltar. Bastar puxar da memória e resgatar os hits "Heloísa, mexe a cadeira", "Te encontrar de novo" e "Shake Boom" (Vinny). Já a turma do LS Jack comandou as rádios com os hits "Carla" e "Uma Carta"

15 anos depois, a banda regressa com nova formação e aposta na parceria com Vinny na linha de frente. Um EP com seis faixas já está nas plataformas de streaming. "Volume 1" traz releituras das duas carreiras e conta com a inédita "O que eu odeio em você". Entre as regravações está “LS Jack”. Das voltas que o mundo dá. A música que colocou o grupo no mapa foi composta por Vinny nos anos 1990.   

Como era o Brasil quando essa turma surgiu? 

Se existe um marco na carreira de Vinny e LS Jack é 1997. O primeiro, explica-se pelo fato dele ter lançado o disco “Todomundo” (mais detalhes nos dossiês preparados acerca dos artistas), que trouxe o hit "Heloisa, mexe a cadeira". No caso da banda, a estreia do Planeta Xuxa em abril daquele ano fez todo o diferencial. 

A atração comandada por Meneghel era voltada para os públicos jovem e adulto. Nada mais de baixinhos. Agora, os altinhos também tinham vez com uma série de quadros e atrações musicais voltadas para esta faixa etária. Dentre elas, um grupo carioca desconhecido denominado LS Jack (era convidado recorrente da Rainha). 

No mês de surgimento do Planeta Xuxa, uma decisão no território político mudaria até hoje a vida dos brasileiros e brasileiras. O Senado aprovou emenda que possibilitou reeleição de prefeitos, governadores e presidente. Chico Science partiu cedo demais em fevereiro, após um acidente de carro em Pernambuco. 

Se o streaming é o suporte atual dessa “volta dos que não foram” de Vinny e LS Jack, o lance era consumir música nos bolachões (LP), K7 ou sintonizar a FM 93 (que continua firme nos picos de audiência hoje em dia). O Só Pra Contrariar dominava. “Tô fazendo amor com outra pessoa. Mas meu coração vai ser pra sempre teu” não parava de tocar. Por sua vez, o Titãs dava uma guinada com ao vivo “Acústico MTV". 

Enquanto o Mundo parava para saber notícias do clone da Ovelha Dolly, o "Brazil" era destaque (pejorativo, claro) nas telonas de cinema com uma certa Anaconda. Na Praça do Ferreira, longas filas se formavam para ver o Titanic de James Cameron afundar.  

Mike Tyson mastigava a orelha de Evander Hollyfield em uma luta. Já o Guga dominava o tênis internacional com a vitória em Roland Garros.  

Sucesso do horário nobre da Rede Globo, a novela "O Rei do Gado" chegava ao fim. A novela contava a história de duas famílias que viviam brigando, os Mezenga e os Berdinazzi. No meio desse "pega pra capar", a boia-fria Luana (Patricia Pillar) lutava por justiça no campo. 

Uniões felizes no mercado fonográfico

O Audioslave foi formado pelos integrantes do Rage Against the Machine e o cantor Chris Cornell (1964-2017). Por unir grupos de sucessos tão distintos, daí essa recente comparação com a turma do LS Jack/Vinny. 

Exageros à parte, no território da música não é incomum artistas consagrados do meio unirem as carreiras e criarem projetos paralelos. Estas colaborações podem resultar em discos ou até mesmo um show/turnê especial. Um caso clássico da indústria aconteceu no distante ano de 1956.  

Falamos do "Million Dollar Quartet". Na verdade, a ideia nasceu de forma despropositada. Em dezembro daquela data, Elvis Presley, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis e Johnny Cash acabaram se encontrando nos estúdios da mítica Sun Records, localizado em Memphis (Tennessee).  

De boa na lagoa, os astros iniciaram uma "jam session", que no dicionário dos músicos significa tirar um som sem qualquer propósito, só por diversão ou apenas para trocar figurinhas mesmo. Alguém da Sun ligou o gravador, correram no jornal local e um fotógrafo apareceu para registrar o encontro.

Pronto, nascia uma famosa lenda do show business. O nome do super grupo é uma referência ao fato dos quatro serem os músicos mais bem endinheirados daquele momento. 

Inúmeras ideias do tipo surgiram ao longo das décadas. No Brasil, dois casos renderam bem nas paradas do entretenimento. O show "Amigos" reuniu as duplas sertanejas Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano e Leandro & Leonardo. Os especiais foram exibidos de 1995 a 1998 na programação de fim de ano da Rede Globo.  

Fenômeno de audiência na TV, o projeto rendeu cinco discos e produtos voltados para o vídeo, como DVD e VHS. Por sua vez, vale citar o caso do Doces Bárbaros.  

Simplesmente, Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso se uniram em 1976, com a finalidade de realizar uma turnê pelo Brasil e comemorar os dez anos de sucesso das carreiras individuais. 

Saiba mais sobre os dois hits de Vinny e LS Jack  

"Mexe a cadeira" 

Vinícius Bonotto Conrado tinha sobrenome de galã daquela época (sim, o cantor Conrado), mas preferiu adotar o artístico "Viny". O hard rock, também conhecido como "hair metal" ou "metal farofa" estava no topo naquele fim dos 1980.  

O ex-integrantes do Herva Doce (o guitarrista Marcelo Sussekind e o baixista Roberto Lly) formaram o grupo Hay Kay e contaram com os serviços de Viny nos vocais. O quinteto tinha influências de Skid Row, Guns N' Roses, Bon Jovi (essa turma) e o disco de 1992 emplacou a canção "Segredos" na trilha sonora nacional da novela "Vamp". Não conhece esse clássico da TV, o Globoplay disponibilizou a novela na íntegra.  

Hard Rock do Hay Kay: Roberto Lly (baixo), Marcelo Sussekind (guitarras e vocais), Vinny Bonotto (vocais e guitarras), Claudio Maza (teclados, piano e vocais) e  Marco Strada (bateria)
Legenda: Roberto Lly (baixo), Marcelo Sussekind (guitarras e vocais), Vinny Bonotto (vocais e guitarras), Claudio Maza (teclados, piano e vocais) e Marco Strada (bateria)

Com o fim das atividades do Hay Kay em 1995, Viny acrescentou outro "n" no nome e assinou com a Indie Records. Diferente da pegada rocker do Hay Kay (o som da banda é legal e Vinny até mandava uns gritinhos no nipe de Jim Gillette e Sebastian Bach), o figura preferiu adotar umas baladas. Fora um cover burocrático de "Eu Sei" (Legião Urbana), difícil apontar algo que se aproveite em termos de sucesso radiofônico (pelo menos no nível que surgiria alguns anos depois para o cara).  

Legenda: "Todomundo", produzido por Roberto Lly e Carlos Gama

Vinny notou que aquele papinho de violãozinho não ia dar verão e meteu as caras no território eletrônico. O lance da "cultura clubber" andava repercutindo bem com a juventude do momento. O Prodigy arrebentou em 1997 com "The Fat of the Land" e até o Barão Vermelho caiu na pista com o "Puro Êxtase" (1998).

Músicos retornam com EP que reúne os repertórios
Legenda: Músicos retornam com EP que reúne os repertórios
Foto: MARKOS FORTES

Ele soltou "Vinny's Magic Trip" (1996) e no ano seguinte a galinha dos ovos de ouro: o "Todomundo". Roberto Lly (falecido em 2016), colega de Hay Kay produziu o trabalho ao lado de Márcio Gama. 

Unindo funk, rock, rap, repente e batidas eletrônicas, o material colocou Vinny na ordem da vez. "Heloisa, mexe a cadeira" foi a ponta da lança desse ataque. O hit contava com participação do trompetista, compositor e produtor musical, Guilherme Emmer Dias Gomes. Filho de Dias Gomes e Janete Clair, o músico trabalhava desde 1991 como produtor musical da TV Globo.  

O clipe de "Heloisa, mexe a cadeira" foi exibido à exaustão e a música arrebentou no quesito Oiapoque ao Chuí. Também foi tema da novela Malhação. O material reunia outras participações como B.Negão (na faixa Benedito) e a banda Ostheobaldo.  

"Na Gandaia" (1998) estourou "Shake Boom". Vinny assinou "Uh! Tiazinha", trabalho do álbum "Tiazinha Faz a Festa" (1999), primeiro e único registro na carreira musical da personagem interpretada por Suzana Alves no "H", de Luciano Huck. No mesmo ano, Vinny entregou "O Bicho Vai Pegar" e manteve espaço com a balada "Te Encontrar de Novo". 

"Ô Carla" 

Estamos em 1999. Depois de rodar o circuito dos auditórios de TV, a banda soltou o disco "LS Jack". O som tinha toda aquela cara das produções noventistas. Era uma mistura segunda divisão de Jota Quest com Jamiroquai e um pop cansado de boys band.

LS Jack no início da trajetória
Legenda: LS Jack no início da trajetória

Se você reparar, tinha uns lances eletrônicos ali e acolá e até uns efeitos de scratch (aquela de produzir sons ao "arranhar" o toca-discos, movendo o disco para frente e para trás, 'thicuthum'). Destaques do disco foram "Você Chegou" e a faixa título "LS Jack" (escrita por Vinny).  

Em 2000, chegou "Olho por Olho, Gente por Gente". O trocadilho do título conseguiu se sair melhor do que o disco em si. Mesmo assim, pode se dizer que se destacaram "Não Chores Mais" (versão caldo de bila do cover que Gilberto Gil tirou do Bob Marley), "O Tempo" e "Mil Vezes" (com participação de Luiza Possi). 

Dois anos depois veio "V.I.B.E." (Sigla de "Vibrações Inteligentes Beneficiando a Existência", ahahah). Aqui, o jogo virou. Os dois maiores êxitos do LS Jack tomaram as FMs. "Carla" e "Uma Carta" renderam mais de 200 mil cópias vendidas. 

A banda cessou as apresentações em 2005 em decorrência dos problemas advindos de complicações cardiorrespiratórias causadas ao vocalista Marcus Menna durante o período de recuperação de um procedimento de lipoaspiração. 

 

Você tem interesse em receber mais conteúdo de entretenimento?

Assuntos Relacionados