Jojo Todynho é a do peitão e Tom Jobim é um coitado; veja polêmicas de Tinhorão

Crítico musical colecionava controvérsias desde o início da bossa nova até a música atual, que considerava vazia de conteúdo artístico

Legenda: Jojo Todynho e Tom Jobim na mira dos comentários de Tinhorão, falecido nesta terça-feira (3)
Foto: Divulgação

A polêmica e a discordância fizeram parte da natureza e da fama de José Ramos Tinhorão, historiador e crítico musical que morreu nesta terça-feira (3), aos 93 anos.

Reconhecido por afrontar todas as instituições com seus ensaios independentes, tinha profundo interesse pelas raízes da música popular no Brasil e coleciona controvérsias desde o início da bossa nova, nos anos 1960, até a música atual, que considerava vazia de conteúdo artístico.

Conheça algumas das frases que Tinhorão deixou marcadas sobre estes e outros assuntos em entrevistas e perfis publicados na Folha.

Tom Jobim

"Tenho pena de não poder ter sido amigo do Tom, porque ele era um bom sujeito, coitado. Só que pensava que fazia música brasileira e fazia música americana"

Tropicalismo

"O grande erro de perspectiva do poder militar foi não perceber que a proposta dos baianos correspondia, no plano cultural, à filosofia da atualização tecnológica programada por 1964 no plano econômico"

Tinhorão por Tinhorão

"Um analfabeto musical, mas com memória de elefante"

A fama de mau

"É muito natural que [os artistas] me odeiem, não tenho bronca nenhuma"

Anitta

"Parece que é uma pessoa que canta"

Pablo Vittar

"Outro que parece um cara que canta"

Jojo Todynho

"Ah, aquela do peitão? Pois é, dessa eu conheço o peitão"

Música e realidade social

"Para que haja uma cultura popular é preciso que esse popular tenha também uma cultura particular. Mas a cultura de quem? Do peitão da mulher, de quem o cara ouve no rádio? Não dá nem para ser contra; a um ser esvaziado de conteúdo humano corresponde um ser esvaziado de conteúdo artístico"

Paixão e obrigação

"Casamento é escravidão. Você não se separa, você vira um homem liberto. O primeiro [casamento] é mais difícil, dá obrigações e amarra a situações econômicas. Você passa a ser um homem de família, o que é incompatível com a atividade de pesquisador. Ou você rompe com isso ou não consegue fazer o que tem de fazer"

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