Joana Limaverde canta o pai Ednardo em ocupação virtual do Teatro Carlos Câmara

Apresentação gravada será transmitida a partir das 20h desta sexta-feira (18), nas redes sociais do equipamento. Após, Joana fará uma live discutindo os 40 anos do Massafeira, com Mona Gadelha

joana limaverde
Legenda: Além dos trabalhos musicais, Joana Limaverde se prepara para dar aulas de teatro on-line na Escola Nacional das Artes (RJ)
Foto: Henrique Cardozo

Da menina que brincava sobre fios de microfone e cabos de instrumento à atriz e intérprete das canções do próprio pai, desenham-se mais de três décadas na trajetória artística de Joana Limaverde. Com residência fixa no Ceará desde 2015, ela viu nascer muitas das músicas de Ednardo que ecoaram a geografia de nosso Estado Brasil afora, e, há pouco mais de dois anos, decidiu dar a elas sua própria interpretação. Um pouco dessa experiência poderá ser apreciada nesta sexta (18), a partir das 20h, no Facebook e no Instagram do Teatro Carlos Câmara (TCC).

Joana, ao lado do violonista David Simplício, apresentará um show gravado durante o isolamento, como parte da programação virtual de ocupação do TCC. O equipamento estava parado desde março, em virtude da pandemia do novo coronavírus, mas adaptou-se ao atual contexto e oferecerá, até o dia 26 de setembro, inúmeras atividades on-line e gratuitas. No repertório da apresentação que homenageia Ednardo, canções como Pavão Mysteriozo, Beira mar, Terral e Ingazeiras estão garantidas.

O cantor e compositor cearense, por sua vez, ainda encontra-se hospitalizado, se recuperando de problemas de saúde que o levaram à internação no mês de agosto, mas, segundo Joana, cada manifestação de carinho dos fãs e amigos é acompanhada e retribuída com emoção. “Tudo ele vê, recebe e agradece todo mundo que manda energias positivas”, relata. Fora da UTI, Ednardo não está mais com a infecção anteriormente divulgada pela família. “Ele tá só cuidando de outras coisinhas que vieram em função disso, mas já já estará em casa conosco, se Deus quiser”, partilha a artista, que considera a noite desta sexta-feira mais uma oportunidade de reverenciá-lo.

“Eu poderia passar dez anos, cada dia fazendo um show inédito, porque realmente é muita coisa, são mais de 400 músicas dele”, contabiliza Joana. Quando ela começou a cantar, surgiram muitos pedidos do público para que interpretasse as músicas do pai, mas este processo foi gradual. Primeiro, arriscou nos sambas, depois entrou no universo da MPB, e quando viu, já estava entregue ao repertório de casa.

Em 2017, ao lado de Gisele Tigre, Nayra Costa e Ilya, realizou o primeiro show “Elas cantam Ednardo”, no Dragão do Mar. Depois, chegou a fazer participações em algumas apresentações do pai, em eventos como o Sesc Povos do Mar, o aniversário e o Réveillon de Fortaleza. “Foram oportunidades muito marcantes, muito especiais, o coração saindo pela boca. Muito, muito legal. Eu me tremendo inteira, aquela banda magnífica, na presença do meu pai. Emoções muito maravilhosas que tive oportunidade de ter na minha vida, graças a Deus”, reconhece.

Live

As lives ainda são novidades para Joana. Recentemente, ela participou de uma com a cantora carioca Teresa Cristina, na qual cantou “Terral” e observou a sambista interpretando a clássica “Enquanto engoma a calça”. Desta canção, aliás, ela lembra com carinho do nascimento.

“Eu era pequenininha, morava aqui em Fortaleza na época. Era um encontro de compositores: Dominguinhos, Climério, papai. Tinha uma competição para ver quem compunha mais músicas em dez dias, uma coisa assim. Aí eles estavam se preparando pra sair lá de casa e minha mãe falou: ‘Não, Ednardo, essa calça tá muito amassada. Deixa eu engomar aqui rapidinho’. E ele respondeu: ‘Então tá, enquanto engoma a calça, vamos fazer uma música. Saiu em 5 minutos e ficou pra sempre”, recorda.

“Flora” foi outra canção que nasceu nesse período de “competição” entre os compositores e pela qual Joana tem um apreço imenso. “Era aquela música que eu colocava enquanto adolescente para chorar dores de amores. E eu até bem pouco tempo não conseguia escutar Flora sem chorar, em qualquer versão. Até quando eu cantava, ficava com nó na garganta. Tive que escutar ela muitas e muitas vezes para poder incluir no show”, afirma.

Após a apresentação com David Simplício, que, vale ressaltar, não será ao vivo, Joana participará então de uma live com Mona Gadelha sobre os “40 anos do Movimento Massafeira”. “Mais do que perpassar minha experiência, porque eu era apenas uma chiquitita de 4 anos de idade, vamos falar sobre a importância do movimento até hoje para a cultura do Ceará”, adianta.

mona gadelha
Legenda: Mona Gadelha relembrará em live a experiência no Massafeira, em 1979
Foto: Renata Alexandre

Mona relembra que as celebrações começaram no ano passado, com uma série de shows, em dezembro, no Theatro José de Alencar, onde ela teve a alegria de reencontrar Ednardo, Angela Linhares, Calé, Regis e Rogério, Lúcio Ricardo, Chico Pio. “Em 2020 são 40 anos do lançamento do álbum e eis aqui a gente falando dele. Isso demonstra sua perenidade, sua transcendência sobre o tempo. E a cada ano que passa mais entendo o quanto foi significativo participar daquele momento ímpar da música cearense”, observa. 

Conversar com Joana será uma “experiência emotiva”, ela define. “Como todo movimento musical importante, o tempo vai apresentando suas muitas leituras possíveis acerca da Massafeira. Sinto que a geração da cena atual entendeu as referências que fazem parte do espírito da Massafeira, que é a mistura de muitas influências musicais, de muitos estilos e linguagens aliados ao afeto e sentimento de colaboração - porque sem isso, nada funciona”.

Ocupação

Além dessas atividades musicais, o encerramento da Ocupação Tradição – do Cariri à Fortaleza, iniciada em novembro de 2019, no Teatro Carlos Câmara, engloba espetáculos teatrais, oficinas e cursos. “Foram quatro meses trabalhando essa adaptação para o virtual, esse foi o maior desafio. A nível artístico, nós fomos bem felizes. Alguns projetos mudaram de título, mas sem perder o fio condutor do que tinha sido programado, dialogando com universo digital que estamos inseridos”, aponta a coordenadora da Ocupação, Beth Fernandes.

O diretor do equipamento, Fernando Piancó, adianta que os próximos passos serão a retomada administrativa, técnica e artística, em diálogo com a comunidade do entorno, no Centro de Fortaleza. “Nós estamos planejando isso a partir dessa semana, administrativamente, essa volta, essa limpeza, dar prosseguimento ao processo de seleção do novo chamamento público para uma nova ocupação, que também foi interrompido com a pandemia”, encerra, com as melhores expectativas.

Serviço
Ocupação virtual do Teatro Carlos Câmara
Show Joana Lima Verde canta Ednardo e Live “Os 40 anos do movimento Massafeira Livre”, com Joana e Mona Gadelha. Nesta sexta (18), a partir das 20h, nas redes sociais do TCC: Facebook e Instagram: @teatrocarloscamara. Gratuito.

 

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