"Ia pra Globo de ônibus, mas depois do 'Perina' não deu mais", diz Rafa Vitti sobre Malhação Sonhos

Sucesso de 2014, a edição volta a ser exibida no dia 25 de janeiro na TV Globo. Elenco contava com Isabella Santoni, Rafa Vitti e Arthur Aguiar

Legenda: Casal 'Perina' fez sucesso com o público
Foto: Globo / Ellen Soares

Se você estava na internet em 2014, certamente lembra do ‘auê’ que o casal "Perina" de ‘Malhação Sonhos’ (formado por Pedro e Karina, personagens de Rafael Vitti e Isabella Santoni) causou no público. A paixão à la Shakespeare dos dois adolescentes, ela no ringue e ele no palcovai ser reexibida a partir do dia 25 de janeiro na Globo.  

Em coletiva nesta segunda-feira (18), o ator Rafa Vitti relembrou os tempos de gravação da novela. “Foi uma exposição muito rápida. Na época eu ia de ônibus, pra Globo e, com o passar do tempo, fui percebendo o quanto eu ia sendo reconhecido. Com três meses de ‘Perina’, não deu mais. O Luiz (Rios, diretor da novela) teve que arranjar um motorista pra mim”, conta.  

Na época da exibição original, Rafa estava com 19 anos e começando a trilhar a carreira artística. Hoje, aos 25, o ator vive seu sonho ao lado da esposa Tatá Werneck: a pequena Clara Maria.

“Me sinto agraciado de ter feito parte desse acontecimento que me pôde proporcionar que eu realizasse outros sonhos meus. Foi pelo trabalho que eu pude conhecer minha esposa e ter minha filha”.
  

Isabella Santoni acredita que a fórmula do sucesso de ‘Perina’ foi a identificação do público, assim como acontece com as boas histórias.

“Isso nos conecta com uma memória emotiva, porque todo mundo já teve essa paixão. Eu já presenciei coisas de fãs do casal que eu me assusto até hoje, eles torcem muito e vai ser uma delícia reviver isso”.  

Assim como para Rafa, a novela abriu novas janelas de oportunidades para a atriz.

“Foi um divisor de águas na minha vida. Pude começar a trabalhar como atriz, vir morar perto do mar, comprei minha casa, meu carro, abri minha marca, pude viajar, consegui realizar muito sonhos pra mim e pra minha família, minha vó conheceu o Roberto Carlos”, relata a intérprete de Karina.  

Legenda: Na trama, Eriberto Leão era pai das personagens de Isabella Santoni e Bruna Hamú
Foto: Divulgação / Globo

Mensagem de renovação 

Abordando sonhos, a atração foi escolha certa de reprise para o momento atual, após o difícil ano que foi 2020 e a liberação do uso emergencial da tão esperada vacina da Covid-19.

“No meio de uma pandemia, dessa loucura mundial, estamos trazendo sonho de novo”, pontua Eriberto Leão no papel de Gael.
  

“A Malhação foi um sonho realizado na minha vida, agora poder voltar a assistir é quase uma mensagem do universo que todos têm a oportunidade de começar de novo”, afirma Arthur Aguiar que deu vida ao lutador Duca. 

Para Bruna Hamú (Bianca), a mensagem de Malhação é ter fé. “É muito importante não deixar de acreditar, é ter fé no que você tá fazendo e, mesmo quando tá tudo desmoronando ao nosso redor, é nunca deixar de acreditar. Saber que o que tá acontecendo agora precisa acontecer pra você chegar no seu objetivo”.  

“Afeto é algo que nossa sociedade tá precisando muito e, em Malhação, a dramaturgia é toda pautada no afeto. Precisamos do afeto e da empatia, mesmo nos momentos de conflito”, acrescenta Emanuelle Araújo, intérprete de Dandara na trama.  

Legenda: 'Malhação Sonhos' foi pautada com temas do universo adolescente
Foto: Divulgação / Globo

Temas polêmicos 

Com trama adolescente, já é comum que a Malhação se paute por temas desse universo e trazendo cada vez mais discussões sobre sexualidade, machismo, racismo e gênero. Na edição ‘Sonhos’, não foi diferente.  

Para os autores da novela, Rosane Svartman e Paulo Halm, a novela não envelheceu mal e foi condizente com a época. “A Malhação é uma obra aberta, é a experiência do diálogo com a equipe. Quando a gente escreve uma obra aberta, parte da magia são as pequenas imperfeições. Mas agora como obra fechada ela tem que ser vista com a lente daquela época”, pontua Rosane.  

“Eu acho que a trama envelheceu muito bem, falamos sobre violência racial, de questões de gênero. A gente não tem medo de errar, a gente tem vontade de acertar e temos a obrigação de dialogar sempre pra encontrar um caminho crítico, democrático”, acrescenta Paulo.
 

Segundo Luiz Rios, o trabalho é um retrato do tempo. “Quando um trabalho é reapresentado, ele é reflexo de um momento de uma época. O que vamos poder experimentar agora é ver o quanto nosso universo social desenvolveu ou recaiu. Você acaba fazendo um retrato do seu tempo e permite que a sociedade ressignifique”.  

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