Hebe estreia na Globo: Andreia Beltrão fala sobre referências e construção da personagem

A série, que traz ainda Marco Ricca no elenco, estreia nesta quinta-feira (30), logo após Fina Estampa

Legenda: Andrea Beltrão interpreta Hebe Camargo na fase adulta
Foto: Globo / Fábio Rocha

Quem acompanhou os programas televisivos da década de 1950 aos anos 2000 certamente conhece a figura de Hebe Camargo. Seu famoso sofá e seu jeito nada convencional conquistou um público vasto. A carreira e a vida pessoal da apresentadora, que faleceu em 2012 aos 83 anos, é destrinchada na série ‘Hebe’, com estreia marcada para esta quinta-feira (30), na TV Globo. A produção também está disponível na Globoplay.  

Em dez episódios, exibidos às quintas-feiras na emissora, a vida da mulher que viveu à frente do seu tempo é contada de maneira não linear. Com roteiro de Carolina Kotscho e direção de Maurício Faria e Maria Clara Abreu, a série revela as diversas facetas de Hebe, encarnada na produção pelas atrizes Andrea Beltrão, na fase adulta, e Valetina Herszage, enquanto jovem.  

Em entrevista coletiva virtual, Andrea relembra os desafios e o processo de construção de uma personagem tão conhecida e querida pelo público. Além do sotaque, já que Hebe era paulista e Andrea carioca, ela comenta sobre as questões gestuais. “Uma coisa que eu adorei fazer foram os gestos simétricos, tudo dela é com dois e, quando isso entrou, foi muito gostoso e isso me libertou muito na fala”, conta. 

Para Valentina, as dificuldades foram as mesmas, especialmente com relação à famosa gargalhada. “Fico feliz de ter tido tempo para construir e estudar a personagem. Durante esse processo, eu e Andrea fizemos uma lista de gestos que a gente podia se encontrar, como limpar a lágrima, como segurar o bebê no colo, a gargalhada”, detalha.  

Compõem também o elenco da série, Gabriel Braga Nunes, Danton Mello, Ângelo Antônio, Caio Horowicz, Flávio Migliaccio, Sandra Corveloni, Marco Ricca, que interpreta Lélio Ravagnani, segundo marido de Hebe.  

No papel de uma figura central da vida da apresentadora, Marco destaca a personalidade de Lélio, da burguesia paulistana fez Hebe passar por um relacionamento tóxico, repleto de muito ciúme. “Ele tinha uma coisa meio carcamano e eu também sou. Gesticulo muito, falo alto, essa coisa do italiano”, aponta.  

Para construir Lélio, o ator entrou em contato com pessoas que o conheciam e que conviveram com ele. “As pessoas falaram que ele era muito sem vergonha mesmo, muito desrespeitoso para com a Hebe, com o filho e, obviamente isso marca muito uma geração, uma época. A Hebe teve de conviver com ele e deve ter sido muito difícil”. 

Legenda: Integrante do elenco, Marco Ricca faz o papel de Lélio, segundo marido de Hebe
Foto: Globo / Fábio Rocha

Processo de gravação 

Além da série, a pesquisa de Carolina iniciada em 2014 rendeu um filme lançado em setembro de 2019. Em “Hebe - A Estrela do Brasil”, a trajetória da apresentadora é contada de forma mais curta. As gravações dos dois produtos aconteceram simultaneamente, cenas do filme constam na série e vice-versa. No entanto, por ter um maior tempo, outras facetas da comunicadora puderam ser exploradas.  

A construção do roteiro, portanto, foi feita a partir dos momentos mais impactantes descobertos na pesquisa de Carolina. “Ali tinha ela em cada momento, então fui selecionando o que foi marcando em mim, o que foi marcando a estrutura da narrativa. Era um risco imenso”, afirma a autora.  

Embora o compilado dê conta dos principais acontecimentos da vida de Hebe, Carolina revela que se pudesse muito mais teria entrado no roteiro. “Acaba que é um passeio pela vida, mas toda a parte dela mais jovem, se me deixassem estaria lá. Porém, acho que a essência está lá e o desafio era esse”.  

Para Maurício, a estrutura pensada por Carolina proporcionou diversas possibilidades. “Não há na dramaturgia brasileira projeto desta forma. É um quebra cabeça gigante de possibilidades e muito sofisticado. A gente escolheu um caminho que se tornou muito interessante pra gente. Essa estrutura não linear, esse fluxo emocional e de narrativa é muito impressionante pois não partiu só da ficção”, declara.  

Além disso, Maria Clara pontua a importância de mostrar a história de luta e de coragem da mulher que tentou se livrar dos paradigmas impostos pela sociedade na época. “Eu tenho a sensação de que Hebe fala um pouco sobre esse devir de ser mulher. Sinto que você fala de um percurso feminino, caminhando com as questões do que é ser mulher e artista”. 

Relevância 

Do mergulho no projeto, Andrea ressalta que só conheceu Hebe de verdade a partir da pesquisa. “Me apaixonei muito radicalmente por ela, pela coragem dela de ser quem ela era com todos os limites, as dificuldades, as inseguranças, errando muito, mas não tendo vergonha. Uma mulher muito forte, teve uma infância paupérrima, sofreu, foi abandonada pelo cara que ela gostava, foi super assediada, tratada muitas vezes como uma mulher qualquer, mulher fácil”, comenta.  

Caso pudesse encontrá-la hoje em vida, a atriz revela que a vontade seria de dar um abraço bem apertado nela e um beijo na boca. “Diria para ela fazer campanha pela democracia”, brinca. “Também perguntaria se o (Ronald) Golias era apaixonado por ela, eu acho que sim”.   

Legenda: A atriz Valentina Herszage dá vida à apresentadora na fase jovem
Foto: Globo / Fábio Rocha

Já Valentina, de apenas 22 anos, conta que só conheceu Hebe com o projeto, apesar de já ter tido contato com alguns vídeos dela. “Ela tinha uma personalidade única e uma força de defender o que ela acredita. Talvez seja algo que eu tenha que trilhar na minha vida, ela não pedia permissão pra existir, simplesmente existia”, admite sobre as referências.  

 

 

Você tem interesse em receber mais conteúdo de entretenimento?