Gratuito, 10º Festival de Teatro Infantil do Ceará (TIC) leva artes cênicas para crianças cearenses

Com as restrições da pandemia, evento investiu na programação online. Seis espetáculos cearenses feitos originalmente para os palcos foram adaptado às telas das plataformas de streaming

Coletivo WE (CE) pesquisa a hibridização das linguagens e apresenta a peça “Para onde vão as meias quando elas desaparecem?”
Legenda: Coletivo WE (CE) pesquisa a hibridização das linguagens e apresenta a peça “Para onde vão as meias quando elas desaparecem?”
Foto: Luiz Alves

O Festival de Teatro Infantil do Ceará (TIC) chega à 10ª edição e transporta para as telas uma adaptação de seis espetáculos cearenses feitos para o palco teatral. Neste sábado (21), o evento realiza live de abertura desta programação no canal da Invento Produções Culturais, no YouTube.

A partir das 17h, haverá exibição de trechos de “Contos Pequenos”, da dupla Hugo & Ines (Peru). Na sequência, será exibida “Filho!”, da Cia Fios de Sombras (SP); e o ator cearense Edivaldo Batista conduzirá uma contação de histórias para os pequenos.

Por fim, o produtor Osiel Gomes ministra oficina de reciclagem de brinquedos. A cantora e atriz Natasha Faria e a banda Doidice que Dá encerram a programação da live de lançamento. Na ocasião, os seis espetáculos locais adaptados ficarão à disposição do público no canal, até 6 de dezembro. 

“As aventuras do João Sortudo”, da Cia Prisma de Artes (com audiodescrição); “Para onde vão as meias quando elas desaparecem”, do Coletivo WE; “O senhor ventilador”, do Grupo Bagaceira; “Napoleão”, do Pavilhão da Magnólia; e “Olha o olho menino e Quatro patas”, do Grupo Bricoleiros, são as adaptações.

Sem interferir na direção artística, todas as produções tiveram de mudar seus textos e jogos cênicos para criar um formato audiovisual e entrar na programação online. Uma equipe de cinema cuidou de facilitar essa transição.

“Sr. Ventilador”, do Grupo Bagaceira de Teatro
Legenda: “Sr. Ventilador”, do Grupo Bagaceira de Teatro
Foto: Anderson Santiago

“A princípio, achávamos que teríamos um conflito de linguagens, já que historicamente a sétima arte sempre foi apontada como a ‘assassina’ do teatro. Porém, todos estavam com muita gana de experimentar, de criar e de produzir, principalmente os profissionais do teatro, que estão resistindo de forma heroica nessa pandemia”, avalia Emídio Sanderson, diretor do festival.

Emídio revela que, diante da nova “forma” de se expressar cenicamente, os grupos encararam suas inquietações e provocações para criar a interatividade - sem a pretensão de substituir o teatro presencial pela experiência teatral virtual. “É uma descoberta de novas formas de produzir teatro”, sintetiza o diretor. 

Adaptação

Ele recapitula como a organização do TIC relutou para realizar uma programação 100% online. No entanto, a série de restrições de circulação ainda vigentes, em relação ao contágio do coronavírus, fez a produção evitar o contato presencial.

“Até o fim de setembro estávamos com uma quarta proposta de programação presencial, respeitando rigorosos protocolos sanitários. Então, quando inúmeros municípios cearenses divulgaram que não teriam mais aulas presenciais este ano, tivemos que readequar toda a programação pela quinta vez, tornando-a 100% virtual. Mais da metade da programação do TIC é voltada para escolas públicas”, situa Emídio.

“Contos Pequenos”, da dupla Hugo & Ines
Legenda: “Contos Pequenos”, da dupla peruana Hugo & Ines

A partir da próxima segunda (23), até 4 de dezembro, o TIC vai levar os seis espetáculos cênicos adaptados para exibir aos alunos de 27 escolas públicas de Fortaleza, Caucaia (Região Metropolitana), Morada Nova e Senador Pompeu (CE). Ao todo, serão realizadas 56 sessões virtuais seguidas de uma conversa, ao vivo, entre as crianças e o elenco.

“Ainda chegamos a cogitar fazer apresentações presenciais abertas ao público, ao ar livre, mas fomos orientados por gestores públicos e por militantes dos direitos das crianças a evitar”, conta Emídio Sanderson.

Após 10 edições, Emídio reflete como o festival tem procurado diversificar referências artísticas e culturais às crianças e ocupado um espaço para que sejam revistas “concepções preconceituosas” a respeito da arte infantil. “Parte dos adultos têm referências que vêm de suas infâncias presas num passado marcado pela ditadura (militar) ou pela democracia recém-estabelecida, além da grande indústria de entretenimento”, observa o produtor.

Legado

Especificamente, ele coloca que essas referências subestimam, de certa forma, a maneira como a criança lê e interpreta o mundo, os outros e a si mesma. Pais e demais responsáveis pelas crianças, não raro, acham que as artes devem “ensinar” algo específico à criança, ser moralistas ou excessivamente alegres.

“O simples ato de se ter um contato com as artes já se basta enquanto experiência estética. Quando um adulto escuta uma música, assiste um filme, lê um livro, ele não está preocupado se vai aprender algo, a arte pela arte já basta para ele. O mesmo acontece com uma criança”, reflete.

“O Principezinho Malcriado”, com o ator Edivaldo Batista
Legenda: “O Principezinho Malcriado”, com o ator Edivaldo Batista

Porém, Emídio complementa que a quebra desses paradigmas não vai se dar pela força. “Eles precisam ser quebrados de forma dialógica e com leveza. É um processo educativo, que coloca a criança como prioridade absoluta e como sujeito social e cultural, detentora de direitos”, define.

Em 10 anos, o TIC alcançou um público de quase 170 mil pessoas, em 346 sessões de espetáculos, boa parte delas exclusivas para escolas, recebendo 46 mil alunos. Nos palcos, 126 atrações de vários estados do Brasil e de mais 10 países. No TIC aconteceram 13 estreias de espetáculos. Cerca de 100 empregos diretos foram gerados por edição.

Serviço
10º Festival Internacional de Teatro Infantil do Ceará (TIC). Live de abertura dos espetáculos hoje, às 17h, no canal de YouTube da Invento Produções Culturais. Contato: festivaltic.com.br

 

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