Filmes de terror: os 13 melhores da Netflix para curtir a Sexta-Feira 13

Produções com zumbis, demônios, fantasmas, psicopatas, entre outros seres repugnantes marcam presença na lista

Legenda: Seleção reúne grandes produções e até trabalhos com baixo orçamento
Foto: DIVULGAÇÃO

Considerado um dos gêneros cinematográficos mais populares, o terror é presente e relevante na indústria do cinema desde os primeiros filmes mudos. Dono de um público cativo, essas produções marcam presença tanto nos grandes estúdios como no mercado alternativo.

Em algum momento da carreira, atores, diretores e roteiristas renomados investiram e experientatam em obras dessa natureza. A arte de causar o medo segue testemunhando as alterações na forma de consumir cinema. Na atual febre do consumo via plataformas de streaming, o terror mantém lugar cativo.

No Brasil, a Netflix reserva atualmente um total de 168 produções de terror no acervo. Para quem é fã do gênero e é assinante do serviço, prepararamos uma seleção especial com 13 títulos disponíveis no catálogo da empresa de entretenimento. Títulos populares e aplaudidos como "O Sexto Sentido" (1999), "Se7en - Os Sete Crimes Capitais" (1995) e "O Grito" (2004)  podiam estar na seleção, porém priorizamos trabalhamos menos conhecidos e que buscaram dialogar ou experimentar com o segmento. 

A organização da lista respeita as ordens cronológicas de lançamento das obras. Agora é preparar a pipoca e apreciar os trabalhos escolhidos. Bons sustos.

1. A Marca da Pantera (1982)

Legenda: Nastassja Kinski diante de uma maldição
Foto: DIVULGAÇÃO

Erotismo e horror como combinação explosiva para os anos 1980. Nessa refilmagem do irretocável "Cat People" (1942), de Jacques Tourneur (1904-77), Nastassja Kinski vive a jovem Irena Gallier. O mundo da personagem desaba quando ela reencontra o irmão, Paul (Malcolm McDowell), e descobre horrorizada que ambos descendem de uma linhagem de criaturas que, na hora do sexo, se transformam em panteras assassinas. 

Apaixonada e virgem, Gallier teme se transformar e matar Oliver Yates (John Heard), seu interesse amoroso na trama. Para complicar ainda mais as coisas, ela é assediada pelo irmão, que tenta a convencer de que a relação sexual dela só será possível com um relacionamento incestuoso com ele.

Isso teria acontecido com os pais deles, que também eram irmãos e carregavam a mesma maldição. Paul Schrader, roteirista de "Taxi Driver" (1976 ) e diretor de obras como "American Gigolo" (1980) e "Cães Selvagens" (2017) assina a direção. A trilha foi criada por Giorgio Moroder e David Bowie (1947-2016) canta na música-tema.

2. A Noite dos Mortos-Vivos (1990)

Legenda: Zumbis mais realistas na versão de Tom Savini
Foto: DIVULGAÇÃO

Outra refilmagem na parada. Trata de uma homenagem em cores ao filme de 1958, criado pela mente prodigiosa do "pai dos zumbis", George Romero (1940-2017). Aqui, Tom Savini, um dos grandes nomes dos efeitos especiais de horror em Hollywood comanda a direção.

O trabalho de Savini é cuidadoso e repleto de detalhes pontuais. Durante a etapa de produção, o diretor visitou necrotérios para desenvolver a melhor maquiagem dos mortos.

O ator Tony Todd, conhecido por "O Mistério de Candyman" (1992), assume o comando de Ben, o personagem que tenta a todo custo se livrar da ameaça dos zumbis. Diferente da versão dos anos 1950, Savini opta por apresentar a protagonista Barbara (Patricia Tallman) como uma mulher de luta, que parte para o combate contra aqueles monstros. 

3. O Babadook (2014)

Legenda: Tempos difíceis para uma mãe
Foto: DIVULGAÇÃO

Amelia (Essie Davis) perdeu o marido em um acidente de carro, justamente quando ela se encaminhava ao hospital para o parto de Samuel, seu único filho. Tendo que lidar com a barra de ser mãe solteira, ela ainda sofre com o constante medo da criança por monstros. 

O mundo desaba quando eles encontram um livro estranho na casa sobre a criatura "Babadook", que se esconde nas áreas escuras da residência. A mãe parece sentir o efeito de Babadook e desesperadamente tenta, em vão, destruir o livro. Jennifer Kent dirige e assina o roteiro dessa fábula sobre maternidade e depressão.

3. As Vozes (2014)

Legenda: Ryan Reynolds também faz a voz dos estranhos pets
Foto: DIVULGAÇÃO

A quadrinista, escritora e diretora iraniana Marjane Satrapi ficou conhecida mundialmente pela graphic novel "Persépolis" (2000). A premiada HQ ganhou versão animada em 2007 pelas mãos da própria autora. Após realizar "Frango com Ameixas" (2011) e "La bande des Jotas" (2012), Satrapi investiu em "As Vozes" (2014). A diretora coloca Ryan Reynolds ("Deadpool"), o atual queridinho dos filmes de herói, na pele de um lunático assassino chamado Jerry. 

Nessa indigesta história repleta de sangue, drama psicológico e até comédia, o personagem vivido por Reynolds é um cara aparentemente pacato e muito educado. Ele trabalha numa fábrica de banheiras e ninguém desconfia da sua atual condição psicológica. Ele tenta se envolver com colegas de trabalho e nem precisa explicar o quanto isso vai dar errado. 

No meio disto, o bizarro protagonista conta com as companhias de Bosco e Mr. Whisker, cão e gato que são "as vozes" que comandam as ações do maníaco.

4. Sala Verde (2015)

Legenda: Punks em rota de colisão com nazistas
Foto: DIVULGAÇÃO

Uma banda de punk rock chamada "The Ain't Rights" aceita fazer mais um último show após o término da turnê. O lugar da apresentação é um bar mequetrefe no meio do nada, porém, quando chegam lá, os integrantes descobrem que o espaço tá tomado por carecas (skinheads). O clima nada amistoso vai pro espaço quando os músicos, após o conturbado show, presenciam o cadáver de uma garota no camarim. Os nazistas partem para o ataque, decididos a matar as testemunhas.

Os funcionários da espelunca mantém a banda e uma amiga da jovem morta como reféns, em cárcere privado no camarim (a sala verde do título) enquanto esperam a chegada de Darcy (interpretado pelo Professor Xavier, ops, Patrick Stewart), dono do bar, para resolver o que fazer com os punks inconvenientes. O ator russo Anton Yelchin (1989–2016), morto misteriosamente num acidente de carro atua como um dos músicos da banda.

A sala verde de prisão se torna o refúgio deles, já que sair dali é garantia de ser massacrados por um bando de carecas acéfalos. Como ensina o hit do Dead Kennedys (composta numa época pela qual o grupo combatia manifestações de ódio e intolerância), "Nazi Punks Fuck Off"!

5. Rastro de Maldade (2015)

Legenda: Xerife Hunt (Kurt Russell), Arthur O’Dwyer (Patrick Wilson), Chicory (Richard Jenkins) e John Brooder (Matthew Fox): missão suicida contra canibais
Foto: DIVULGAÇÃO

Logo na estreia como diretor, S. Craig Zahler entrega um bizarro faroeste repleto de sangue e corpos mutilados. Tudo começa quando dois malacas que ganham a vida roubando e matando viajantes invadem um cemitério de nativos norte-americanos. Purvis (David Arquette, da franquia Pânico) e Buddy (Sid Haig, lenda do ciclo de filmes "blaxploitation" dos anos 1970, redescoberto nos últimos anos pelos trabalhos com Quentin TarantinoRob Zombie) são atacados por criaturas não identificadas. Somente Purvis escapa com vida.

Dias depois, o criminoso chega à pequena cidade de Bright Hope e esconde os produtos dos roubos. Após receber uma denúncia, o xerife do lugar, Franklin Hunt (Kurt Russell, esse dispensa apresentações) vai ao encontro do forasteiro e a ocorrência resulta na prisão de Purvis, agora ferido com um balaço na perna. Na manhã seguinte, tanto o preso como dois moradores locais somem misteriosamente.

Sim, as criaturas do início do filme estavam no encalço de Purvis e tocaram o terror na cidade. O ataque é creditado a uma tribo de canibais selvagens. Hunt e os voluntários Chicory (Richard Jenkins), Arthur O’Dwyer (Patrick Wilson) e John Brooder (Matthew Fox) partem na desesperada missão de resgatar as vítimas.

Roteirista, cineasta, escritor e músico, S. Craig Zahler apresenta uma brutal história situada na década de 1890, ao redor da fronteira do que hoje é o Texas e o Novo México. Em 2017, o realizador entregou o excelente "Brawl in Cell Block 99" (2017) e uma nova produção, "Dragged Across Concrete" (2018), com Mel Gibson (esse dispensa apresentações, parte 2) no elenco acabou de sair dos cinemas gringos. 

6. Invasão Zumbi (2016)

Legenda: Longa sul-coreano discute a falta de empatia da atual sociedade
Foto: DIVULGAÇÃO

Frenético e angustiante, o trabalho do sul-coreano Sang-ho Yeon foi uma das boas surpresas de 2016. A trama do longa gira em torno da difícil relação entre pai (Yoo Gong) e filha (Su-an Kim). Divorciado, o protagonista é viciado no trabalho e não dá nehum tipo de atenção à pequena. Convencido pela menina (que mora com ele) a levá-la para passar um tempo com a mãe, ambos embarcam em um trem de alta velocidade com destino à cidade de Busan.

Em paralelo, a Coréia do Sul é assolada por um vírus que transforma as pessoas em monstros infectados. Um desses doentes acaba entrando no trem, gerando um tumulto generalizado. Diante da ameaça, surgem personagens que lutam pela sobreivência e ajudam ao próximo, mas também tem aquele que só pensam em salvar a própria pele. Por conta do sucesso de público e crítica, uma continuação do filme foi anunciada e deve chegar ao mercado nos próximos anos.

7. Hush: A Morte Ouve (2016)

Legenda: Angústia silenciosa
Foto: DIVULGAÇÃO

Escritora de romances de mistério, Maddie (Kate Siegel) é surda por conta de uma meningite na infância. A personagem reside num local afastado, rodeado por quase nenhum vizinho. Certa noite, sem nenhuma motivação aparente, um assassino mascarado invade a residência e começa a coagir a personagem. A única coisa certa da trama é que o invasor objetiva matá-la. 

Siegel e o diretor Mike Flanagan ("A Maldição da Residência Hill")  criaram juntos o roteiro do longa. A produção mostra influências dos filmes de "Home Invasion", um subgênero de terror que explora situações extremas, onde as vítimas são mantidas sobre forte perigo no próprio lugar onde moram.

Com poucos recursos financeiros, Flanagan criou uma peça intensa e claustrofóbica. Impedida de falar, a agonia de Maddie permite, entre outras leituras, uma reflexão acerca da violência contra a mulher. Quantas vítimas não foram ouvidas ou simplesmente tinham medo de denunciar seus agressores? 

8. Águas Rasas (2016)

Legenda: Nancy (Blake Lively) encara uma jornada pessoal por águas perigosas
Foto: Divulgação

Jaume Collet-Serra guarda no currículo a bomba "A Casa de Cera" (2005) e "A Órfã" (2009). Após dirigir uma série de filmes nos quais o Liam Neeson é uma máquina impiedosa de matar ("Sem Escalas", "Desconhecido"), o realizador espanhol investiu numa história de suspense. "Águas Rasas" dialoga com o filão dos "filmes de tubarão" e relata uma história de sobrevivência e embate ente duas forças da natureza.

Nancy (Blake Lively) é uma jovem que abandona o curso de medicina após a morte da mãe. Ainda sentindo os efeitos da perda, a protagonistas parte numa jornada de conhecimento das memórias da mãe. Ela procura uma praia secreta em um lugar paradisíaco, na qual a mãe já esteve décadas atrás.

Nancy também é surfista das boas e aproveita a ocasião para curtir o mar. Tudo desmorona quando um tubarão malvado ataca e passa a perseguir a personagem. Collet-Serra adentra uma narrativa claustrofóbica, mediada pelo constante perigo da morte. Mesmo com algumas escolhas equivocadas já mais para o fim da obra, "Águas Rasas" diverte e causa certas doses de tensão.  

9. Raw (2017)

Legenda: Durante o trote, Justine É forçada a comer carne animal pela primeira vez. Abuso provoca mudanças extremas na vida da estudante
Foto: DIVULGAÇÃO

A roteirista e diretora francesa Julia Ducournau investe numa narrativa crua e sangrenta que discute, logo de cara, o abate de animais para consumo humano. Porém, a obra da realizadora também permite discussões em torno de temas como a passagem para a fase adulta, desejos reprimidos e violência sexual. 

A vegetariana Justine (Garance Marillier) é enviada para a uma conceituada universidade para estudar veterinária. A irmã mais velha, Alexia (Ella Rumpf), já estuda na instituição e passa a acompanhar, a contragosto, os passos da familiar naquele ambiente.

Após um trote no qual é obrigada a comer carne animal pela primeira vez na vida, Justine passa a desenolver um comportamento cada vez mais errático. As consequências desse ato são inesperadas. Ela cai em suas inexploradas tendências animalescas e escancara a vontade de comer carne crua. Aos 16 anos, a jovem evolui para canibal monstruosa. No final, agora que o despertar corpóreo de Justine está finalmente completo, existe alguma forma de parar com essa fome?

10. 1922 (2017)

Legenda: Ganância e ressentimento geram violência
Foto: DIVULGAÇÃO

Ter o nome Stephen King nos créditos de uma produção é um chamariz sem precedentes em Hollywood. Porém, só despertar a atenção do público não é sinônimo de jogo ganho. Celebrado, nem sempre as adaptações do escritor mativeram a qualidade do material original. Retirado do livro de contos “Escuridão total sem estrelas” (2010), "1922" apresenta Wilfred James (Thomas Jane), fazendeiro de uma modesta propriedade onde também vivem a esposa Arlette (Molly Parker) e o filho do casal, Henry (Dylan Schmid).

A aparente harmonia familiar cai por terra quando Wilfred dispara uma série de conflitos com Arlette, em razão de uma faixa de terra da qual ela é herdeira. De mente livre, a matriarca sonha em vender aquele lugar inóspito e se mudar com a família para a "cidade grande". Tomado pela ganância, o fazendeiro tem outros planos para o futuro e sentimentos nebulosos passam a dominar a mente do personagem. 

Produzido pela própria Netflix, "1922" tem direção de Zak Hilditch e entre os destaques do trabalho consta as atuações de Jane e Parker como o estranho casal.  

11. Cargo (2017)

Legenda: Curta de 2013 é atualizado pela plataforma de streaming
Foto: DIVULGAÇÃO

Outra produção original da casa, "Cargo" revela uma dramática história de sobreviência em meio ao mundo infestado por zumbis. Trata da versão expandida de um curta-metragem homônimo lançado em 2013 no Youtube. Estamos na Austrália, Andy (Martin Freeman) acorda após a batida do carro e percebe que a esposa se transformou numa morta-viva.

Ele retira a filha, ainda bebê, do veículo, mas logo em seguida descobre que foi mordido. Inicia-se a dolorosa corrida contra o tempo em busca de um destino seguro para a criança, antes do pai tornar-se monstro.

Codirigido entre Yolanda Ramke (também roteirista) e Ben Howling (ambos são criadores do curta-metragem), a trama acompanha toda uma cadeia de tristes eventos anteriores ao acidente do carro. A dupla de criadores ilumina a existência de esperança num mundo cada vez mais mergulhado em agonia e terror.

Curta-metragem que deu origem ao filme

13. Clímax (2018)

Legenda: Dança para enfrentar os próprios pesadelos
Foto: Divulgação

20 dançarinos se reúnem para um ensaio de três dias em um colégio fechado, localizado no coração de uma floresta congelada. O grupo faz a última festa ao redor de uma grande tigela de sangria. Eles ingerem a bebida batizada e dali em diante será impossível cada um resistir às próprias neuroses e psicoses.

Gaspar Noé ainda dá uma turbinada na loucura do ambiente inserido o crescente ritmo elétrico da música. O som é um elemento precioso à trama desenvolvida pelo diretor franco-argentino.

Com sessões lotadas no Festival de Cannes 2018, a produção foi levou o prêmio principal da Quinzena dos Realizadores. "Clímax" entra na lista por ofertar experimentações no gênero horror e desbravar outras formas de impactar e causar e medo na plateia.