Filme cearense “Soldados da Borracha” ganha 14º prêmio e deve virar minissérie

Diretor Wolney Oliveira celebra conquista às vésperas do 31º Cine Ceará

Soldados da Borracha
Legenda: O filme "Soldados da Borracha" (2019) soma 14 prêmios no currículo
Foto: Divulgação

Outra vez a história dos soldados da borracha, “heróis esquecidos” que o diretor cearense Wolney Oliveira abraçou há mais de 15 anos, ganha reconhecimento nacional. O filme sobre os seringueiros, que estreou em 2019, sai deste mês de outubro com o 14º prêmio da sua trajetória em festivais: o Margarida de Prata, oferecido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“Fiquei feliz, porque é um prêmio importantíssimo, um dos mais importantes do cinema documentário. Grandes nomes já ganharam, como Paulo Gil Soares, Sebastião Salgado, e é sempre bom ter trabalho reconhecido, ainda mais no caso dessa história, que surge a partir do Ceará, envolve 60 mil brasileiros, e pouca gente conhece”, celebra Wolney.

“Soldados da Borracha” é a produção mais premiada da trajetória do diretor, que traz também no currículo filmes como “Os Últimos Cangaceiros” (2011), com oito condecorações.

Além do Margarida de Prata da CNBB, o filme mais recente foi bem sucedido em eventos como o Festival É Tudo Verdade, onde teve sua Premier Mundial; a 9ª Mostra Ecofalante; e o 14º Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro. No circuito comercial, ele só deve chegar no segundo semestre de 2022.

“É uma história que tenho uma relação profunda, mas que ainda quero concluir”, afirma Wolney. 

É que mesmo após realizar o documentário "Borracha para a Vitória" (2005), o livro "Soldados da Borracha - Os heróis esquecidos" (2015), e o filme homônimo, de 2019, ele diz que muita coisa ficou de fora, e, agora, pretende fechar esse ciclo com uma minissérie em dez episódios, a ser veiculada na TV e em plataformas de streaming.

Mais capítulos

Na primeira obra audiovisual dedicada ao tema, Wolney focou nos soldados do Ceará e do Acre. Já na segunda, envolveu oito estados e o Distrito Federal, em uma narrativa que versa sobre as cerca de 60 mil pessoas enviadas à região amazônica, durante a Segunda Guerra Mundial, para extrair látex dos seringais e destiná-lo à indústria norte-americana de armamentos.

“Eles foram fundamentais na vitória dos Aliados, mas foram escravizados, abandonados, porque o contrato feito com Getúlio Vargas na época não foi cumprido. E o governo brasileiro foi tão injusto, que eles tiveram um pequeno reconhecimento só na constituinte de 1988: dois salários mínimos, sem 13º e sem assistência médica e dentária”, lembra Wolney, enquanto traça um paralelo com os pracinhas.

“Com eles, foi o contrário. Recebem aproximadamente 10 salários mínimos, têm assistência médica e dentária, e todo mundo sabe quem foram os pracinhas. Existem poucos sobreviventes dos soldados da borracha, que vivem pauperrimamente, mas que também foram heróis, que representaram muito bem o Brasil”, defende.

Wolney Oliveira
Legenda: Wolney Oliveira, na edição de 2018 do Cine Ceará
Foto: JL ROSA

Em busca desses desdobramentos, o diretor já conta com dez capítulos escritos pela jornalista Ariadne Araújo, e a minissérie sobre o tema deve ser produzida com recursos de editais e de fundos internacionais, segundo as expectativas de Wolney.

"Agora no final do ano, a Ancine finalmente deve lançar um edital de aproximadamente R$ 470 milhões de reais e vamos apresentar o projeto, porque quero contar a história toda, a participação das mulheres, dos cariocas, o que aconteceu com familiares dos soldados da borracha, como vivem hoje”, descreve.
Wolney Oliveira
Cineasta

Apesar dos desafios enfrentados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência, o cearense está confiante nos próximos passos, visto que alguns recursos começaram a ser anunciados para o fim deste ano e o próximo.

“O atual governo precisa sair do discurso ideológico e partir para o econômico e prático.O audiovisual era responsável por 1% do PIB brasileiro, mas já estamos completando três anos sem editais. Vale lembrar que, se não fosse o audiovisual, as pessoas teriam sofrido muito mais nessa pandemia, o audiovisual manteve a gente vivo”, afirma.
Wolney Oliveira
Cineasta

Cine Ceará e Casa Amarela

As boas novas para Wolney coincidem com a proximidade da 31ª edição do Cine Ceará, programado para acontecer no formato híbrido, entre os dias 27 de novembro e 3 de dezembro, com exibições no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão.

Para este ano, ele destaca a participação de 23 produções cearenses competindo em diferentes mostras.

“Pela primeira vez vamos ter na mostra principal dois longas cearenses em competição - ‘Fortaleza Hotel’, do Armando Praça, que ganhou em 2019 com ‘Greta’, e  ‘A Praia do Fim do Mundo’, do Petrus Cariry, em Premier Mundial”, orgulha-se.

Além disso, o novo longa  de Karim Aïnouz, ‘O Marinheiro das Montanhas’, encerrará o festival, com exibição hors concours, em Fortaleza.

casa amarela
Legenda: Casa Amarela completou 50 anos no dia 17 de junho de 2021
Foto: Helene Santos

Mas o ano de 2021 marca ainda os 50 anos da Casa Amarela Eusélia de Oliveira, equipamento cultural da Universidade Federal do Ceará (UFC), pioneiro no campo da formação audiovisual no Estado, e dirigido por Wolney.

Entre as novidades do espaço, ele conta que já foi autorizada a conclusão da primeira etapa da reforma do Cine Benjamin Abrahão, fechado há cinco anos, e que os fortalezenses devem contar com a sala equipada em 2022.

O Memorial do Cinema Brasileiro, possivelmente anexo à casa, é outro projeto que o filho de Eusélio pretende apostar no ano que vem. “Já temos apoio da administração superior da UFC para fazer, mas é um projeto caro e de longa duração”, conclui.



 

 

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