Festival lança programação híbrida com intervenções artísticas em ônibus de Fortaleza

Em sua 3ª edição, o Festival Imaginários Urbanos acontece a partir desta quinta (4), com programações artísticas, ações de formação e seminários

Esta é uma imagem da performance Aiku'è, da artista indígena Zahy Guajajara
Legenda: Performance Aiku'è, da artista indígena maranhense Zahy Guajajara, é uma das selecionadas para a Mostra Artística da 3° edição do Festival Imaginários Urbanos
Foto: Divulgação

Distante do público por causa do distanciamento social, o Festival Imaginários Urbanos encontrou uma solução para continuar intervindo artisticamente na cidade em sua 3° edição, que começa nesta quinta-feira (4). Em formato híbrido, o evento tem início na modalidade online com a realização de seminários, mas chega às ruas a partir de 15 de março, por meio de intervenções que vão circular por toda Fortaleza. 

O festival abre sua programação com seminários nesta quinta (4) e sexta (5), com quatro mesas, duas por noite, que vão discutir desdobramentos do tema geral desta edição, a qual traz a temática: “Desobediências Poéticas: dispositivos para enfrentar o inaceitável”. Entre os assuntos discutidos, estão educação, corpo, cidade e arte contemporânea no atual contexto brasileiro. Os debates serão transmitidos gratuitamente pelo YouTube do Porto Dragão. 

“Se a gente está falando de desobediência poética, a gente tem que fazer essa desobediência a partir da percepção de outras centralidades de mundo. Centralidades pretas, centralidades mulher, centralidades LGBT, centralidades marginalizadas. Isso acontece tanto na mostra artística, quanto no seminário. Quando a gente fala em desobediência, a gente fala nessas estratégias de fugir dessa centralidade que pensa em ensinar como única, mas que não dá conta de todas as subjetividades”, afirma Eduardo Bruno, um dos idealizadores do festival.

O projeto nasceu em 2018 no formato presencial, mas por conta da pandemia, os idealizadores do festival, Eduardo Bruno e Marie Auipe, precisaram adaptar as atividades culturais para o Instagram. Em 2021, para levar os trabalhos artísticos aos espaços urbanos, o Festival Imaginários Urbanos selecionou 12 trabalhos em videoperformance, de artistas nacionais e internacionais, que vão circular, a partir do dia 15 de março, pelas ruas de Fortaleza, em QR Code, utilizando como suporte parte da frota de ônibus urbanos.

O idealizador e curador do festival explica que os transportes coletivos foram pensados como uma maneira de manter a ocupação dos espaços urbanos e de levar os corpos artísticos para as ruas, mas não fisicamente. Por meio da traseira dos ônibus da capital, o público poderá acessar e conhecer o trabalho de artistas de todas as regiões do Brasil e de outros países.

“A gente abriu uma convocatória com essa temática de desobediência poética pro Brasil inteiro. Neste ano, o festival também é internacional. Nessas obras que vão estar nos ônibus, a gente tem artistas da Colômbia, da Argentina e residentes na Inglaterra”, conta Eduardo Bruno.

Livro duplo

Outra novidade desta edição é o lançamento de um livro com artigos produzidos por artistas que participaram dos seminários de 2021 e do ano passado. A ideia é que a obra seja um compilado das edições do festival realizadas durante a pandemia da Covid-19.

Além disso, o curador explica que em 2020 o festival foi realizado de maneira independente, o que dificultou a publicação do material, tradição presente no evento desde a primeira edição. O livro será lançado no final de março. 

“Vai ser um livro duplo de duas faces. De um lado você vai acessar o texto de pesquisadores e pesquisadoras que participaram do seminário do festival de 2020 e no outro lado você vai ter o festival de 2021. A gente está chamando esse material do período de pandemia porque a gente espera que em 2022 a gente possa fazer ele novamente no espaço urbano”, diz Eduardo. 

O Festival Imaginários Urbanos foi contemplado com a lei Aldir Blanc. Além das atividades listadas, o evento promove ainda workshops dentro da sua programação. Na segunda (8) e terça (9), Eduardo Bruno vai ministrar a oficina “Nomadismo urbano: performance e cartografia”, das 19h às 21h. Já na quinta (11) e sexta (12), Marie Auipe apresenta a oficina “Diálogos possíveis: o performer como produtor”, no mesmo horário.

“Pensar a desobediência poética é pensar outras centralidades de mundo que fujam dessas centralidades de mundo que a gente é imposto a viver e que não contempla muito as narrativas feministas, pretas e LGTB. Não contempla essas narrativas que são compreendidas como desviantes, mas que na verdade são narrativas que estão produzindo outros mundos porque o mundo que é imposto, não cabe. Não cabe porque elas são marginalizadas, não cabe porque elas são mortas, não cabe porque elas são silenciadas. Essa é a proposta de 2021”, completa Eduardo.  

Serviço

Festival Imaginários Urbanos

Seminários a partir de quinta (4), das 18h às 20h30, no YouTube. Oficinas a partir de segunda (8), das 19h às 21h. Os interessados nos workshops devem enviar um email para realizar a inscrição. Endereços: eduardobfreitas@hotmail.com e auipmarie@gmail.com

 

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